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O Códice Voynich

Uma das obras que representaram um autêntico desafio para historiadores, linguistas e criptógrafos é, sem dúvida, o Códice Voynich. A datação por carbono-14 permitiu concluir que o manuscrito de quase 200 páginas (escrito com caracteres indecifráveis e ilustrado com misteriosas reproduções botânicas) é do século XV.

Passou de mão em mão até ter sido adquirido, em 1912, pelo bibliófilo polaco Wilfrid Voynich emigrou para os Estados Unidos, onde o códice voltou a mudar de proprietário, até ser oferecido, na década de 1960, à Universidade de Yale (Connecticut).

Ao longo dos séculos, foram muitos os que tentaram decifrar o idioma desconhecido em que o manuscrito está redigido e identificar as plantas que surgem nas ilustrações. No entanto, mesmo com recurso a computadores, a linguagem e o seu significado permanecem um mistério total.

Teorias como a de que se trata de um idioma extinto, inventado, codificado para escapar à acusação de bruxaria, ou mesmo elaborado pelo próprio Leonardo da Vinci, são algumas das respostas que se quis dar a esta incógnita.

A guerra de Homero

Tartesso não é, nem nada que se pareça, a única civilização desaparecida cujo legado oscila entre a história e o mito. Até Heinrich Schliemann ter descoberto os vestígios da Troia histórica, a maior parte das pessoas pensava que a cidade do rei Príamo, que desafia os gregos nos poemas homéricos, era apenas fruto da imaginação dos edos. Com base em trabalhos anteriores de prospeção, realizados em 1865, Schliemann fez escavações, em 1870, na colina de Hissarlik (província de Çanakkale, na Anatólia), e não tardou a comprovar a sua hipótese.

Efetivamente, Troia, que os hititas designavam por Wilusa, não era apenas uma fantasia homérica; além disso, apesar das inúmeras licenças poéticas e mitológicas tomadas na Ilíada, a guerra de Troia foi realmente um facto histórico.

Ao longo de sucessivas campanhas de escavação, foram documentados até dez níveis diferentes, correspondentes a etapas distintas do seu povoamento: a mais antiga data de cerca de 3500 a.C. e a mais recente é associada ao período bizantino, em concreto aos séculos XIII e XIV.

Embora haja ainda hoje autores que não relacionam as descobertas de Hissarlik com a Troia homérica, muitos outros defendem que os vestígios de destruição que se podem observar em Troia VII-A (datada de cerca de 1250 a.C.) parecem confirmar os acontecimentos bélicos descritos por Homero nos seus poemas.

A presença de elementos que indicam um desenlace violento, também em Troia VI, leva alguns especialistas a sugerir a existência não de uma, mas de duas guerras de Troia.

Síndone de Turim

Há mais de 400 anos que o Santo Sudário é a jóia de Turim (no norte de Itália), onde chegou em 1578. A partir de 1694, ficou guardado (com breves interrupções) na Capela do Santo Sudário da Catedral.

Obra de Guarino Guarini (1624-1683), é uma obra-prima do Barroco italiano, construída posteriormente ao templo (especificamente para albergar a relíquia), erguido durante o reinado de Carlos Manuel I de Saboia (1562-1630).

A Síndone permanece oculta num altar em forma de caixa, de ouro resistente ao fogo. Está sempre por detrás de um vidro, e tapada por uma cortina azul a maior parte do tempo. É possível admirar uma réplica. Quando é exibida (ostensão), surge dentro de uma caixa de vidro climatizada e à prova de bala.

Jesus de Nazaré: túmulo em parte incerta

Embora seja arqueologicamente impossível afirmar que o Santo Sepulcro (Jerusalém) foi o lugar de repouso de um judeu conhecido por Jesus de Nazaré, os últimos processos de datação indicam com segurança que a construção original do recinto ocorreu na época de Constantino, o primeiro imperador romano cristão.

Os muitos danos que a Basílica do Santo Sepulcro sofreu ao longo da história fizeram com que se questionasse se os restos de uma câmara de pedra calcária que alberga no seu interior eram realmente os do túmulo de Jesus, mas esta seria aberta, em 2017, para ser restaurada (pela primeira vez desde a sua reconstrução, em 1810, após um incêndio), e os testes científicos confirmaram que se trata da sepultura localizada pelos antigos romanos.

Os resultados coincidem com a crença histórica de que os romanos construíram o monumento sobre o presumível túmulo de Jesus, na era de Constantino, o Grande, por volta do ano 326.

O culto das relíquias cristãs

O culto das relíquias tem sido um dos elementos mais característicos do cristianismo desde as suas origens, e as mais cobiçadas são as relacionadas com a vida de Cristo.

O seu suposto efeito milagroso alimentaria o tráfico e a fraude, nomeadamente durante a Idade Média. Por exemplo, só da espoliação dos templos de Constantinopla durante a Quarta Cruzada, surgiriam dois fragmentos da Vera Cruz (Lignum Crucis), a ponta da lança com a qual Cristo foi ferido no tórax na cruz, os quatro pregos da crucificação, a túnica que lhe tiraram quando foi levado ao Calvário, a coroa de espinhos e até o vestido de Maria e a cabeça de S. João Batista.

Todavia, não há dúvida de que as relíquias mais famosas são o Santo Sudário de Turim (Itália) e o Santo Cálice, ou Santo Graal, que tem vários candidatos ao título de genuíno.

A verdadeira data de nascimento de Jesus de Nazaré

Devido a um erro nos cálculos medievais para estabelecer o início da era cristã, seria fixado no ano 754 desde a fundação de Roma, quando o correto teria sido situá-lo alguns anos antes, o da morte de Herodes, o Grande, quando José e Maria fugiram para o Egito com o filho recém-nascido.

Por isso, Jesus terá seguramente nascido entre 1 de outubro de 7 a.C. e 30 de setembro de 6 a.C., mas nunca em 25 de dezembro, data que hoje celebramos.

Cromeleque dos Almendres

De norte a sul de Portugal, há muitos monumentos megalíticos, incluindo antas, tholos, menires e dólmenes. O mais impressionante e significativo é, sem dúvida, o Cromeleque dos Almendres, a uma dúzia de quilómetros de Évora.

Trata-se de um dos mais bem conservados e importantes da península Ibérica, e está datado de cerca de 6000 a.C., o que também o torna um dos mais antigos conhecidos.

Descoberto, assim como muitos outros megalitos da região, em 1964, pelo arqueólogo Henrique Leonor Pina (1930-2018), é composto por quase uma centena de menires, alguns dos quais ainda conservam parte da sua decoração. Os maiores chegam a atingir os três metros de altura.

Os investigadores creem que foi construído em três fases, no sexto, no quinto e no terceiro milénio a.C.

Reinado do imperador Justiniano

Sobrinho do imperador Justino I (450-527), Justiniano (482-565) chegou ao trono do Oriente em 527. A sua família, apesar de aparentada com a imperial, era humilde. Segundo algumas fontes, esta origem obscura estimulou a sua ambição de ser imperador não só do Oriente, mas também das terras ocidentais.

Enquanto em Constantinopla se construía a Igreja da Santa Sabedoria (Hagia Sofia, conhecida hoje por Santa Sofia), Justiniano assegurava as fronteiras orientais através de pactos com os sassânidas, que lhe permitiam tentar recuperar o maltratado Império do Ocidente.

Depois de conquistar o reino vândalo do norte de África e partes do leste do reino visigótico ibérico, mandou o general Belisário (505-565) liquidar o reino ostrogodo, mas a operação não foi bem sucedida. Depois, suspeitando de que Belisário aspirava usurpar o trono, substituiu-o por Narses (478-573), de origem arménia, que entregou Itálica a Justiniano.

Com Roma em seu poder, poderia afirmar-se que foi o último imperador romano em vez de Rómulo, embora a história o conheça como o primeiro bizantino.

A sua mulher, a imperatriz Teodora (500-548), influenciou-o nas decisões sobre a Igreja, mas com pouca sorte: sem união religiosa, seria impossível a união política, e foi o que aconteceu.

Porém, se Justiniano é famoso por alguma razão (para além das suas construções artísticas) é pela compilação e reorganização das leis de Roma. O trabalho foi realizado por dez especialistas, e materializou-se no Código Justiniano, adicionado ao Corpus Iuris Civilis.

O imperador morreu em 565, sem ter conseguido unificar o Império.