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Há 200 anos morreu Napoleão Bonaparte

Ilha de Santa Helena, 5 de maio de 1821. Nesse local e nessa data morreu o último grande homem da história da humanidade, uma verdadeira encarnação do ideal aristocrático greco-romano: Napoleão Bonaparte, Imperador dos Franceses.

Quando um homem é guiado pela sua mais alta virtude, pelo seu destino, pelo seu propósito, nada nem ninguém o consegue travar. A Batalha de Waterloo? Que todos os insucessos fossem tão grandiosos como o de Napoleão. O seu destino estava traçado: a natureza devolve as mais altas esperanças com os mais profundos abismos. O destino de todas as grandes realizações é o seu fim.

Amante da arte e da ciência, génio militar superior a Cipião Africano, cultivador da vida ao estilo de Petrónio, Napoleão passou de um simples oficial a imperador em pouco tempo durante o caos da Revolução Francesa. A sua verdade é intemporal: sempre existirão reis, mesmo no íntimo dos republicanos, pois, como disse Nietzsche, "onde quer que encontrei vida, encontrei vontade de poder".

O sonho napoleónico: a restauração do Império Romano, um Estado europeu unificado sob um único imperador. O seu sonho era demasiado alto, e pela sua ambição perdeu e morreu. Uma morte inglória para este grande homem, a sua única falha. O seu destino deveria ter sido igual ao de Aníbal: quem vive pela espada e com ela não consegue reinar, com a mesma deverá terminar a sua vida.

No exílio em Santa Helena, Napoleão perdeu a sua alma em intrigas palacianas mesquinhas. Deveria ter estado à altura dos seus melhores momentos, e terminar os seus dias como uma supernova – pois uma imensa estrela, mesmo na sua morte, sempre deve brilhar.

Apesar do seu pequeno fim, a vida de Napoleão Bonaparte representa o ideal da nobreza dos antigos pagãos. O objetivo de um homem deve ser sempre crescer, pois assim dita a natureza. A sobrevivência e a conservação é para os fracos.

Napoleão Bonaparte, o último dos grandes homens, morreu há 200 anos. Tal como o Sol, que na aurora anuncia um novo mundo e ao meio-dia a sua majestade incendiária, Napoleão esteve à sua altura e brilhou sobre as cabeças dos tristes idealistas revolucionários. No entanto, tal como o astro exuberante, o seu fim foi como um longo crepúsculo, anunciando a perpétua escuridão da idade contemporânea.

Cataratas de Vitória do Zambeze

A. E. Johann, um dos melhores conhecedores do continente negro, considerou as Cataratas de Vitória do Zambeze a «maior maravilha de África». Mais de uma vez se encontrou próximo do desfiladeiro de 120 metros de profundidade onde se lançam, sobre uma largura de 1,7 km, as massas de água do Zambeze, até 400 000 metros cúbicos por minuto. Johann fez uma volta de 1 000 km para voltar a ver as cataratas, durante a sua última viagem a África.

Assim descreveu Johann o seu encontro com as Cataratas: «O bramido profundo das cataratas de Vitória surgia-me como se viesse de baixo de um corpo pesado e espesso, saindo da noite branca. Parei e olhei; e o meu coração batia mais depressa; um golpe de ar tinha aberto a espessa cortina de espuma; havia agora sobre a margem do outro extremo, reluzindo cintilante à luz da lua, um grande arco-íris, um arco-íris lunar que caía nas profundezas da corrente.»

O primeiro branco que visitou e descreveu as Cataratas de Vitória foi o missionário escocês David Livingstone (1813-1873). Fez a viagem até às Cataratas numa canoa insegura. De uma distância de uma dezena de quilómetros avistou os «cinco dedos», cinco colunas de vapor que se elevam a partir das cataratas principais do Zambeze. As cataratas estão separadas entre si por pequenas ilhas.

Livingstone dirigiu-se temerariamente a uma delas, mesmo à beira do precipício. «Encontrávamo-nos a uma distância das cataratas igual à do arremesso de uma pedra. Mas ainda não conseguíamos descobrir onde desapareciam as imensas massas de água. Parecia que a terra as engolia rapidamente, pois que a margem rochosa oposta, onde caía o rio, estava a uma distância que não ultrapassava os vinte e cinco metros. Não podia compreender o que via, até que com o coração cheio de temor, me arrastei para o extremo do precipício e olhei, espantado, para a profundidade da fenda.»

A fenda que Livingstone julgou ter a largura de vinte e cinco metros, tem na realidade o triplo. A curta distância das cataratas, sobre o Nilo, passa a linha do caminho de ferro da cidade do Cabo ao Cairo, e um hotel elegante permite aos turistas admirar as imensas massas de água que se precipitam no abismo, com um «estampido primitivamente estrondoso», o «boiling pot» (a panela a ferver).

Templos de Bangkok: cidade de 400 santuários

Os 17 000 santuários budistas no país de Sirikit superam tudo aquilo que, relativamente a templos, o Oriente e o extremo da Ásia podem apresentar. Os templos da Tailândia são alegres, sumptuosos e cheios de colorido. Os 400 mais belos estão na capital, Bangkok, junto ao rio Menam.

Um antecessor do rei Bumibol, Rama I, construiu, por volta de 1785, o palácio real e a cidade dos templos. O recinto dos templos ocupava então uma quinta parte da superfície da nova capital, Bangkok. É também o centro da atual cidade milenária.

O mundo fantástico dos mitos budistos vive nos nomes dos templos de Bangkok. Wat Po é um dos mais maravilhosos. O nome de «Templo da Santa Figueira» deve-o a uma figueira que floresce entre os seus muros. Parece que Buda foi iluminado quando estava debaixo dela.

Wat Po é, na realidade, toda uma cidade templária, um labirinto de salas, capelas, torres, terraços e celas monacais, onde nos perderemos irremediavelmente se não tivermos um guia. Em Wat Po, além de uma galeria de 394 estátuas de Buda, há também a estátua colossal dourada, de 49 metros de comprimento, do «Buda jacente».

Todos os templos de Bangkok estão guardados por figuras de vigilantes com esgares terríficos e demoníacos. Isto acontece também no Wat Phra Keo, o templo do «Buda de Esmeralda» que eclipsa todos os outros santuários de Bangkok. Nele sorri uma estátua de Buda, de jade, de 6 centímetros de altura, atrás de valiosas portas de ébano. A sua cabeça é constituída por uma gigantesca esmeralda.

Esta figura é o santuário nacional da Tailândia. O rei Bumibol entra três vezes por ano no templo para mudar os vestidos enfeitados com jóias da estátua, seguindo assim um ritual antiquíssimo. A túnica de inverno de Buda cobre por completo os ombros da estátua, enquanto a túnica de verão os deixa nus. Pelo contrário, no princípio da fértil estação das chuvas, veste-se o Buda de Esmeralda com um vestido tecido de ouro puro, que só deixa livre um ombro.

Mar Morto: o ponto mais baixo da Terra

«Um suicida que se quisesse afogar – escreveu M. Y. Bengavriêl – não poderia concretizar tal intenção no Mar Morto, pois que as suas águas, compostas de cloreto de magnésio, cloreto de cálcio e cloreto de sódio, não deixariam que o corpo se afundasse. O sal não se dissolve nesta água, onde não há nenhum peixe e onde nenhum molusco pode viver.»

De acordo com o relato da Bíblia, as cidades de Sodoma e Gomorra desapareceram em tempos nas ondas do «mar salgado», sob uma chuva terrificante. Os anjos só avisaram do perigo iminente dois habitantes de Sodoma: Lot, filho de Aarão e sobrinho de Abraão, e sua mulher. A ambos foi concedido fugir a tempo, com a condição de não se voltarem para trás durante a fuga. A mulher de Lot não conseguiu resistir à tentação e ficou transformada numa estátua de sal.

Os Árabes conhecem esta história pela sua escritura sagrada, o Corão. Eles chamam ao Mar Morto o «Bahr Lut», mar de Lot.

Na realidade, o Mar Morto não é um mar, mas sim um lago. A sua superfície de 980 km² está 392 metros abaixo do nível do mar sendo, portanto, a mais funda depressão do mundo. O seu único afluente de importância é o Jordão, cujo receptáculo de desembocadura é o Mar Morto. Nunca esteve em contato com o mar aberto. A depressão, que no fundo do lago mede 793 metros de profundidade, formou-se provavelmente entre os períodos terciário e quaternário, enchendo-se de água durante as épocas glaciares.

Atualmente o Mar Morto, em cujas margens se têm construído modernos hotéis, é um centro de atração do turismo internacional e, ao mesmo tempo, uma fonte de matéria prima da máxima importância, pois as fábricas ali instaladas aproveitam o elevado conteúdo de sal da água. Por outro lado, o lugar histórico ganhou uma nova importância, quando se encontraram entre as ruínas de Cumran os famosos manuscritos do Mar Morto, textos do Antigo Testamento e escritos da comunidade esénia de Cumran.

Santa Sofia: templo da sabedoria divina

Santa Sofia domina a silhueta de Istambul como uma poderosa cidadela. Durante milénio e meio, ela foi cantada e admirada como maravilha do mundo; um monumento da grande cultura humana, como até agora a humanidade não voltou a ter outro.

Para o visitante de hoje, é difícil descobrir, atrás da aparência exterior da igreja, o brilho perdido da áurea Bizâncio. O destino volúvel da Santa Sofia – de igreja cristã a mesquita islâmica e a museu atualmente – deixou atrás de si e em todos os lados, os vestígios em forma de modificações e de coisas que lhe foram adicionadas.

A magnífica cúpula principal, cuja clave se eleva a 56 metros acima da nave do templo, é a única coisa que nada perdeu da sua graça e dignidade. Serviu de exemplo para a construção de numerosas mesquitas orientais e catedrais do ocidente.

O imperador Constantino foi o primeiro a construir uma igreja no lugar da atual Sofia, quando em 336 fez de Bizâncio, com o novo nome de Constantinopla, a capital do seu império romano-oriental. Chamou-lhe «meggale ekklesia», grande igreja. Duzentos anos mais tarde, esta igreja e com ela a maior parte de Constantinopla, foi pasto das chamas durante um levantamento contra o imperador Justiniano (527-556).

Justiniano reconstruiu a igreja, maior e mais bela do que nunca. Os projetos foram de Thenio de Trelles e de Isidoro de Mileto, os mais famosos arquitetos da Roma oriental. Mas o imperador intrometia-se nas obras frequentemente, com conselhos e mesmo atualizações. «Um anjo mostra-lhe os planos durante o sono», dizia o povo.

As obras custaram 180 quintais de ouro. Milhares de operários transportaram durante seis anos todas as riquezas do império oriental, o mais belo mármore, as mais magníficas colunas. As paredes eram cobertas de mosaicos de ouro.

A Santa Sofia («Sabedoria divina»), quando acabada, tornou-se o santuário da cristandade oriental. Continuou a sê-lo até que os Turcos, em 1453, conquistaram Constantinopla, que desde aí se chama Istambul. Para tristeza de todo o mundo cristão, a igreja foi transformada em mesquita. Em 1954, Kemal Atatürk decretou que Santa Sofia seria um museu.

«Religiosidade e decoração, forma e cor, luz e lenda combinam-se, dissociam-se e sobrepõem-se em Santa Sofia, de uma forma incomparável», escreveu o professor Dr. Nastainczyk. «Como edifício, revela a transparência eucarística de todo o terreno e na sua história a coincidência escatológica da fé vivida.»

O labirinto kárstico das grutas de Postoyna

O Karst cobre uma terça parte da superfície da antiga Jugoslávia. Esta região, com as suas milhares de covas, sinuosidades e rios subterrâneos, ocupa o território desde o Triglav até às montanhas da Albânia.

O Karst já foi comparado com uma imensa esponja petrificada. Esta camada de 300 metros de espessura é atravessada por passeios intermináveis, que absorvem toda a água da superfície.

No Karst há rios inteiros que desaparecem sob o solo, criando túneis, grutas e abismos na rocha, caindo em cataratas e desaguando no mar Adriático.

As grutas de Postoyna, antigamente chamadas grutas de Adelsberg, devem a sua existência ao rio Pivka, que como rio subterrâneo típico, tornou oco o interior do Karst. Ao filtrar a sua água, rica em calcário, criou um verdadeiro labirinto de fantásticas formações de estalactites.

Colunas e cortinas, estalactites e estalagmites construíram salas magníficas. Foram explorados cerca de 23 quilómetros, mas a gruta de Postoyna, já conhecida na Antiguidade e uma das maiores do mundo, guarda ainda, sem dúvida, mais do que uma surpresa.

Num pequeno comboio elétrico, podem ver-se as salas mais belas que têm nomes do «mundo superior», «Catedral», «Gruta do Paraíso», «Sala de Baile». Na «Sala do Congresso», reuniram-se os exploradores; na «Sala Grande», pode-se ver, à luz dos focos, o Proteu das Grutas, uma espécie de batráquio que nunca sai à luz do sol (e que por isso é cego).

Buracos negros: recuo no tempo até outro universo

Uma teoria capaz de gerar confusão na mente humana é a de que um homem que alguma vez penetrasse num buraco negro e evitasse a destruição poderia encontrar-se noutro universo recuando no tempo. Esta ideia é baseada no facto de um buraco negro parecer comportar-se como o resto do Universo, mas ao inverso.

Enquanto este se expande constantemente para o exterior, um buraco negro sofre uma implosão contínua, recuando para o interior de si mesmo. E, embora a ciência possa explicar um processo de compressão da matéria que a reduza a uma cabeça de alfinete de uma densidade incalculável, não pode explicar o seu desaparecimento completo. Assim, da mesma maneira que o Universo representa um processo de expansão para o exterior aparentemente infindável, também o buraco negro representa a expansão para o interior sem um limite calculável.

Foi sugerida a existência de um buraco negro na nossa galáxia, algo que veio a ser confirmado; e alguns cientistas consideram mesmo a hipótese de existência de um desses corpos celestes, de dimensões reduzidas, no meio do Sol que afete a produção solar de algumas espécies de radiações.

De acordo com algumas teorias, o homem poderia utilizar o buraco negro na produção de energia que satisfizesse os seus próprios objetivos, dirigindo matéria na sua direção e armazenando a energia gravitacional expelida pelo buraco negro quando este a absorvesse. O buraco negro exerceria assim as funções de uma espécie de incinerador cósmico, produzindo energia sempre que nele fosse lançada matéria terráquea.

Apenas uma coisa é certa: os buracos negros são uma das noções mais intrigantes que chamaram a atenção do homem neste século e que ocuparão os pensamentos dos astrónomos nos próximos anos.

Lord Cornbury: o governador que usava trajes femininos

A aristocrata elegantemente vestida que presidiu à abertura da Assembleia de Nova Iorque em 1702, em nome da rainha Ana da Grã-Bretanha, estava de facto magnificente. Assombrados, os espectadores admiravam o vestido extravagantemente armado, a cabeleira elegante e o leque delicado. Surpreendentemente, esta personagem sobre a qual recaíam as atenções, trajando rigorosamente à moda, era Lord Cornbury – o governador da cidade.

Quando outras entidades presentes à cerimónia se queixaram, ofendidas e chocadas, de que o representante da rainha os ridicularizara, este respondeu: «Sois estúpidos se não compreendeis a razão do meu comportamento. Neste lugar e nesta ocasião eu represento uma mulher, e devo, sob todos os aspectos, representá-la o mais fielmente possível.»

Por nomeação real

Lord Cornbury foi severamente acusado por alguns dos seus contemporâneos de prejudicar mais gravemente o domínio inglês na América do que qualquer outro representante real.

Foram-lhe atribuídos os cargos de capitão-general e governador-geral de Nova Iorque e Nova Jérsia apenas por ser primo da rainha, mas era totalmente ineficaz como administrador. Na sua vida particular existia um curioso paradoxo: embora esbanjasse dinheiro com prodigalidade, era tão mesquinho com a mulher que esta se via obrigada a roubar.

Mas a mais notável das excentricidades do par do reino era o seu hábito frequente de se vestir como mulher. Alguns dos seus amigos mais íntimos afirmavam que ele cumpria um voto misterioso, usando apenas roupa feminina um mês em cada ano. Outros alegavam que o verdadeiro motivo a que obedecia era a sua convicção de que se parecia com a rainha. A explicação mais largamente aceite era a de que, quando a rainha o nomeara para a representar na América, aceitara o encargo absolutamente à letra.

Uma mulher que com ele travou conhecimento em Nova Iorque afirmou: «Era um homem corpulento, que se via frequentemente nas ruas à noite, usando saias de balão e cabeleira.»

Um homem escreveu sobre Lord Cornbury nos seguintes termos: «É um perdulário, um corrupto, um opressor fanático, um louco bêbado e inútil.» Outro declarou a seu respeito: «É um gastador frívolo, um trapaceiro imprudente e um incompetente detestável.»

Em 1708 Lord Cornbury foi mandado regressar a Inglaterra, mas foi detido e conservado preso até pagar as suas dívidas. Os seus talentos, porém, acabaram finalmente por ser reconhecidos. Em 1711 foi nomeado membro do conselho privado de Sua Majestade.

Origem das árvores de Natal

O reformador protestante do século XVI Martinho Lutero foi uma das primeiras pessoas a ter em casa, no Natal, uma árvore iluminada por velas. O seu propósito era apenas iluminar a casa. Mas o culto da árvore tem raízes muito mais profundas na história alemã.

Nos tempos pagãos, as árvores eram consideradas símbolos da fertilidade, pois as suas folhas rebentavam após o inverno, facto, provavelmente, em função do qual a árvore se converteu num símbolo da celebração do nascimento de Cristo.

A escolha recaiu, possivelmente, sobre o abeto e o pinheiro, porque estas árvores se encontram verdes na altura própria e devido também às suas formas, que lembram um campanário.

Origem das facas de mesa

Durante as refeições, e até ao século XVIII, os comensais serviam-se de punhais pontiagudos, altura em que o cardeal Richelieu, incomodado por ver os cortesãos utilizarem-nos para se palitarem, ordenou que as pontas fossem arredondadas.