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As cinzas de Cristóvão Colombo

Cristóvão Colombo, extraordinário aventureiro, morreu em Valhadolid em 1506 e foi sepultado num mosteiro de Sevilha. Decorreram 30 anos até que a importância dos seus feitos fosse reconhecida, sendo os seus restos reverentemente transladados para S. Domingos, a atual República Dominicana.

No século XVIII, um descendente de Colombo, considerando que o seu antepassado deveria jazer perto da primeira ilha onde desembarcara, removeu-o, assim se julga, para Havana. Porém, quando Cuba obteve a independência, em 1902, o almirante foi novamente removido e trasladado para Sevilha – ou pelo menos assim se pensou.

Em 1877 foi descoberta outra sepultura, sob a Catedral de S. Domingos, contendo uma urna com as iniciais C. C. A., que, segundo se supôs, representavam «Cristóbal Colón, Almirante». No seu interior podia ler-se, numa inscrição: «Ilustre e famoso cavalheiro, Don Cristóbal Colón.»

As cinzas desta urna foram introduzidas em dois medalhões e postas à venda em 1973. Mas os compradores mostraram-se cépticos, e a cinza de séculos não atingiu o preço mínimo.

Latim clássico e Latim vulgar

Com o decorrer dos séculos, o latim falado nas províncias românicas apresentava uma grande diversidade e já estava muito longe do Latim fixado em Roma nas obras literárias e usado pela classe social mais culta, ou seja, o Latim clássico ou literário.

Assim, as línguas românicas continuaram uma língua quase sem expressão escrita, a que se chamava, habitualmente, Latim vulgar.

Mais tarde, dentro de cada comunidade, este Latim continuou a modificar-se e a fixar-se em documentos escritos, mas cada vez mais longe do Latim literário. A esta forma de Latim usada por tabeliães e principalmente em documentos administrativos dá-se o nome de Latim bárbaro.

O Latim: Origem do Português e das outras línguas Românicas

O latim era a língua falada pelos Romanos. O povo romano deixou a sua marca em quase toda a Europa, Norte de África e Próximo Oriente. Foi no final do século III, antes de Cristo, que os Romanos começaram a conquistar a Península Ibérica. Século e meio depois, dominavam-na completamente e mantiveram esse domínio durante cerca de 600 anos.

Os povos da Península Ibérica, numa convivência constante com os dominadores nos tribunais, nos templos, na vida diária, viram-se na necessidade de aprender o latim falado pelos colonizadores. Foi esse latim que, modificando-se pouco a pouco, deu origem, com o andar dos tempos, às línguas que hoje se falam na Península: português (com o galego), espanhol e catalão. O português é, pois, o resultado da lenta evolução do latim falado na faixa ocidental da Península.

Outras línguas se falam hoje na Europa, também provindas do latim: o francês (com o provençal), o italiano (com o sardo) e o romeno, para só citarmos as principais. Estas línguas, criadas pela evolução do latim falado, denominam-se línguas românicas ou novilatinas.

História de Alcanena

O concelho de Alcanena, onde são múltiplas as elevações no terreno e numerosos os vales, fica no extremo norte do Ribatejo, situado a noroeste do distrito de Santarém. A maior parte da zona norte do município foi integrada, em 1979, no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.

Há na região numerosos sinais da presença do homem pré-histórico, como os vestígios neolíticos de Lapas de Galinha e da Marmota, cavidades próximas da nascente do Alviela, e as zonas de Moitas Venda e Serra de Santo António.

A origem da vila de Alcanena remonta aos tempos da ocupação árabe da Península, da qual herdou a fixação e o desenvolvimento dos trabalhos de curtimento de peles. Da influência árabe na região ter-lhe-á ficado também a toponímia: as duas principais versões propõem-nos "alcalina" ("cabaça seca") e "al-kinan" ("lugar sombreado").

A vila terá sido tomada pelos portugueses no reinado de D. Sancho I, rei que teve grande importância no seu povoamento. No decurso da história, Alcanena sofreu com as lutas contra Castela e, mais tarde, com as invasões francesas e com as lutas liberais entre D. Pedro e D. Miguel.

Ainda que inserida noutros concelhos, Alcanena dá sinais, desde o século XVIII, de querer ser autónoma. Este movimento foi estimulado pelo dinamismo das atividades económicas e pelo fervor em relação à autonomia administrativa, fervor esse relacionado com a forte implantação na região dos ideais republicanos. Uma vez alcançada a autonomia, Alcanena não esqueceu esses ideais, adotando o lema «Para o País a República, para Alcanena o Concelho». O concelho viria a ser criado em 1914, a partir da desanexação de freguesias de Torres Novas e Santarém.

História de Alcácer do Sal

Alcácer do Sal é uma povoação com origens muito remotas. Se das épocas anteriores à romanização os vestígios existentes são significativos, os da época romana impressionam pela sua abundância e importância. Depois da destruição provocada pelos invasores godos, em 715 foi conquistada pelos árabes, que foram seus senhores durante 400 anos e que a fizeram capital da sua província de Al-Kassar.

Da ocupação árabe ficaram marcas fortes, a começar pelo próprio topónimo, mas também o desenvolvimento agrícola e arquitetónico da cultura muçulmana, em especial o castelo de Taipa, que conserva no interior das muralhas o Convento de Aracoelli. Este castelo, mandado reconstruir por D. Dinis, foi tomado definitivamente aos mouros, em 1219, pelo rei D. Afonso II, uma conquista conseguida após anos de tentativas esforçadas, em que se inclui Afonso Henriques, que o tomou em 1158, para voltar a ser perdido para os árabes, em 1191.

Nesta altura, a cidade vivia uma situação bem diferente da grande prosperidade anterior. Como escreveu Alexandre Herculano, «Alcácer achava-se no século XII decaída da anterior grandeza, mas ainda se distinguia pelo pitoresco do sítio e pelo seu aprazível aspeto. Assente nas margens do Xetávir (...) grande número de embarcações subiam e desciam o rio carregadas com mercadorias que lhe alimentavam o comércio, necessariamente ativo pela proximidade da populosa Iábora. Cercavam-na por todo o lado extensos pinhais e as madeiras que neles se cortavam constituíam um dos principais objetos de exportação. Naturalmente férteis, os seus arredores eram ricos de gado (...). O mel que aí se recolhia formava uma parte da sua riqueza (...). Da sua importância militar, da fortaleza do castelo que a defendia é argumento quanto sangue custou aos cristãos a conquistá-la e reconquistá-la depois de perdida de novo.»

Foi Afonso II que, em 1218, lhe deu foral, reformado, em 1516, por D. Manuel, rei que está também associado a Alcácer do Sal pelo facto de ter sido aí que, em 1495, ainda duque de Beja, recebeu a notícia da morte de D. João II e foi, de imediato, aclamado rei.

Foi em Alcácer do Sal que nasceram figuras ilustres como Pedro Nunes, o matemático inventor do nónio, nascido em 1492, e Bernardim Ribeiro, novelista e poeta, nascido na vila do Torrão, no século XVI.

História de Albufeira

A presença humana na região do centro do Algarve remonta ao Paleolítico, como testemunham os vestígios arqueológicos encontrados em Vale Faro. Mais tarde, a fertilidade dos solos e a existência de jazigos minerais revelaram-se factores determinantes para a fixação de vários povos.

Segundo diversos autores, a origem de Albufeira reside numa feitoria fenícia, fundada cerca de 970 a.C. Este povo de navegadores e comerciantes traria aqui as suas embarcações para efetuar trocas.

A colonização romana ocorreu no século II a.C. Albufeira passou a chamar-se então Baltum. Com a presença dos romanos, a vida dos povos primitivos sofreu uma grande transformação. A agricultura desenvolveu-se e o comércio prosperou. Assistiu-se também ao nascimento de uma organização administrativa. Foram ainda construídos aquedutos, estradas e pontes, dos quais ainda restam vestígios.

Com a queda do Império Romano, de vila romana passou a freguesia visigótica, surgindo o pároco como o chefe religioso das populações cristianizadas.

Em 716, os árabes conquistam a antiga Baltum e chamam-lhe Al-Buhera, que significa "Castelo do Mar". Cinco séculos de permanência árabe levaram a uma alteração das paisagens. Toda a região se tornou próspera, fortalecendo as trocas comerciais com o norte de África. É deste período a construção dos castelos de Albufeira e de Paderne.

A conquista cristã aos árabes deu-se em 1189, durante o reinado de D. Sancho I, mas de novo ficou sob jugo muçulmano. A posse definitiva para os cristãos foi conseguida por D. Afonso III, em 1249. Em 1250, aquele monarca faz doação do castelo de Albufeira à Ordem Militar de Avis.

A 20 de agosto (data do feriado municipal) de 1504, D. Manuel I concedeu o foral à vila de Albufeira.

No terramoto de 1755, o mar invadiu toda a zona baixa de Albufeira, atingindo cerca de dez metros de altura. Quase todos os edifícios foram destruídos, incluindo a antiga igreja de Santana. O castelo sofreu grandes danos e a igreja matriz, localizada na zona alta, ruiu e provocou 227 mortos.

A Revolução de 1820 teve o apoio quase total da população do concelho. Em 1822, nas casas da Câmara, foi aclamada a Constituição. No entanto, o movimento miguelista levou a Albufeira a guerrilha do "Remechido", que pôs a vila a ferro e fogo.

No século XIX, a atividade piscatória deu um grande impulso económico ao município, com a exportação de peixe e de frutos secos a tornarem-se os principais meios de lucro da região.

Albergaria da Rainha D. Teresa

Quando a rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, passou pela localidade que hoje é Albergaria-a-Velha, era apenas um atalho deserto onde se assassinavam e roubavam os viajantes que por lá passassem. De maneira a evitar estas mortes e roubos, a rainha mandou fazer uma albergaria, para quem quisesse pernoitar.

Na Carta do Couto de Osseloa, de 1117, D. Teresa, intitulando-se pela primeira vez rainha de Portugal, tornou o seu fidalgo Gonçalo Eriz dono de vastas terras, com a obrigação de manter a referida albergaria.

A povoação que originou a atual Albergaria-a-Velha foi-se estabelecendo e desenvolvendo em torno desse edifício. No cimo das escadas do Paço do Concelho existe uma lápide onde se pode ler: "Albergaria de Pobres e Passageiros da Rainha D. Teresa".

Castelo de Terena

A vila de Terena recebeu carta de foral em 1262. Porém, o castelo, monumento de cariz militar manuelino, só começou a ser construído no século XV. Preencheu-se, desta forma, uma falha que existia na linha de defesa do Guadiana.

A estrutura do castelo foi abalada durante o terramoto de 1755, mas só foi alvo de uma intervenção para consolidação e reparação de estruturas já no século XX, especialmente nos anos 30, 70 e 80.

Ferreira de Capelins e Montejuntos

Ferreira de Capelins e Montejuntos são pitorescas aldeias do interior alentejano onde a desertificação humana assume particular relevo tendo, por isso, uma população envelhecida. A agricultura e a pecuária são os principais meios de subsistência dos seus habitantes.

Ferreira de Capelins dista da sede do concelho (Alandroal) cerca de 19 quilómetros, tendo sido município antes de existir como freguesia.

O Rio Guadiana é o maior local de interesse turístico de Montejuntos, devido à sua proximidade. Durante todo o ano, ali acorrem muitas pessoas para as mais diversas atividades, desde a pesca ao turismo.

Maomé e o Islamismo

Juntamente com o Judaísmo e o Cristianismo, a religião predicada por Maomé, o Islamismo, forma a tríade de credos monoteístas que partem direta ou indiretamente da Bíblia.

O termo Islão significa submissão a Deus e um muçulmano é literalmente aquele que se entrega apenas a Deus. A sua franca expansão no mundo, especialmente em África e na Ásia, deve-se em grande parte à facilidade com que absorveu cultos locais e os dirigiu no sentido de dar uma maior amplitude a uma visão monoteísta.

A mensagem do Islão caracteriza-se pela sua grande simplicidade e contundência. "Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é o seu Profeta". Trata-se com efeito de uma religião profética, que apela a uma revelação divina que Maomé teria recebido em diversas alturas da sua agitada vida.

Apesar das tendências hagiográficas dos seus biógrafos, a figura de Maomé aparece nas fontes documentais como uma personalidade convincente, decidida e carismática.

Maomé, cujo nome próprio deriva do verbo hâmada (significa "digno de louvor"), nasceu em Meca na tribo árabe coraixita. O seu pai, Abdalá, morreu antes do seu nascimento e a sua mãe, Amina, faleceu durante a sua infância.

Mercador de profissão, Maomé foi questionando ao longo da vida as práticas religiosas da sua época. Revoltava-se sobretudo com as práticas da religião dos árabes, o politeísmo e o animismo idólatras, a imoralidade nas assembleias e toda a vida de pecado em moda na altura.

Segundo a tradição, aos 40 anos de idade recebeu a missão de pregar as revelações de Alá, que lhe foram comunicadas pelo arcanjo Gabriel. Maomé costumava ir sozinho a uma gruta próxima, chamada Gara Hira, onde o anjo lhe terá ordenado que citasse o nome de Alá. Aquilo que Maomé começou a recitar veio a ser encarado como a primeira de uma série de revelações que constituem o Corão.

Sem saber ler nem escrever, teve de memorizar todas as revelações de forma a que pudesse repeti-las, e crê-se que durante mais de 20 anos foi recebendo essas revelações. Segundo os muçulmanos, a cada revelação, Maomé recitava-a para os que estivessem por perto. Estes, por sua vez, memorizavam-na e, por recitação, mantinham-na viva.

Visto que os árabes desconheciam a arte de fabricar papel, Maomé fez com que escribas anotassem as revelações em primitivos materiais, então disponíveis, como omoplatas de animais, folhas de palmeira, madeira e pergaminho. Mas foi apenas depois da morte do Profeta que o Corão assumiu a sua forma atual, sob a direção dos seus sucessores e companheiros, durante os governos dos três primeiros califas.

Contudo, este novo tipo de monoteísmo chocava com as crenças tradicionais. Maomé enfrentou grandes dificuldades para pregar a sua nova fé, sendo obrigado a fugir, em 622, para a atual Medina, onde as tribos árabes viviam em permanente tensão entre si e com os judeus.

O Profeta estabeleceu a paz entre as tribos árabes e com as comunidades judaicas, e iniciou uma luta contra Meca pelo controlo das rotas comerciais. Por fim, conquistou Meca, que capitulou diante de si em janeiro de 630, passando a governar a cidade. Tendo em mãos o controlo secular e religioso, Maomé conseguiu varrer as imagens idólatras da Caaba (edifício simples de forma cúbica, sagrado para os muçulmanos, que teria sido construído por Adão e, depois do dilúvio, reconstruído por Abraão e Ismael) e estabelecê-la como ponto principal de peregrinação, que persiste até hoje.

A sua fuga de Meca, em 622, chamada de hégira (significa "procura de proteção"), marca o início do calendário muçulmano e indica a passagem de uma comunidade pagã para uma comunidade que vive segundo os preceitos do Islão. Esta ideia de comunidade, assim como a doutrina do Profeta, formou-se durante a guerra pelo domínio de Meca: todos os muçulmanos são irmãos e devem combater todos os infiéis, ainda que estes reconheçam a existência de um único Deus.

É de referir que Islão é um termo muito expressivo para o mundo muçulmano, pois significa "submissão", "rendição" ou "entrega" a Alá, o que exprime a mais íntima atitude dos que abraçaram a pregação do Profeta.

O principal ensinamento do Islamismo é, basicamente, o que se conhece por Chaada, ou confissão de fé, que todos os muçulmanos conhecem de cor: "La ilah illa; Muhammad rasul Allah", que significa "Não há outro Deus senão Alá; Maomé é o mensageiro de Alá". Este ensinamento está em harmonia com uma passagem do livro sagrado: "O vosso Deus é um só. Não há mais Deus que Ele, Clemente, Misericordiosíssimo".

No ano de 624, Maomé mudou a orientação da oração. Não se voltou mais para Jerusalém, mas sim para Meca. A ele se deve igualmente a instituição da guerra santa (jihad), que obriga a combater todos os inimigos do Islão.

Quando faleceu, no ano de 632, o Profeta deixou uma comunidade unida e politicamente organizada, assente nos preceitos do livro sagrado islâmico, o Corão.