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Expansão do Universo: o desvio para o vermelho

Dois astrónomos do final do século XIX – Sir William Huggins, em Londres, e o alemão Hermann Vogel – aplicaram, independentemente, o princípio de Doppler.

Ao ser aplicado a ondas de luz, o efeito Doppler revela-se em cor. Na extremidade vermelha do espectro, as ondas luminosas têm maior comprimento; no extremo violeta, menor. Assim, o avermelhamento da luz proveniente de um corpo celeste é considerado como significando que este se está a afastar da Terra.

Este fenómeno é conhecido como o desvio para o vermelho. Pelo contrário, as ondas luminosas de uma fonte que se aproxima do observador tendem a mover-se no espectro em direção ao extremo violeta, onde se tornam mais intensas e mais frequentes.

As chamadas velocidades radiais de muitas estrelas foram medidas segundo este processo. Assim, Sirius aproxima-se do nosso sistema solar a 8 km/s. e Altair a 26. Por sua vez, Aldebaran afasta-se a 54 km/s. e Capella a 29.

Podem, evidentemente, admitir-se outras explicações para os desvios para o violeta e o vermelho nos astros e galáxias, mas, na sua maioria, os astrónomos modernos aceitaram os princípios do efeito Doppler.

Em 1924 o Dr. Edwin Hubble, do Observatório de Mount Wilson, na Califórnia, servindo-se dos instrumentos mais aperfeiçoados então disponíveis, colheu mais informações sobre o desvio para o vermelho, descobrindo que galáxias inteiras se afastavam provavelmente da Terra a velocidades tremendas.

Hubble concluiu que todo o Universo está sujeito a uma expansão contínua, que afasta entre si os elementos nele contidos. E, à medida que aumenta a distância que separa as outras galáxias da nossa, diminui a intensidade da radiação da luz que delas obtemos, motivo por que, segundo declarou Hubble, a luz das estrelas é excessivamente fraca para iluminar os nossos céus noturnos.

Arati Saha é homenageada com um Google Doodle

O Google Doodle desta quinta-feira, dia 24 de setembro, ilustrado pelo natural de Calcutá e artista convidado Lavanya Naidu, celebra o 80º aniversário do nascimento da pioneira nadadora indiana Arati Saha. Em 29 de setembro de 1959, Saha nadou umas impressionantes 42 milhas de Cape Gris Nez (França) a Sandgate (Inglaterra), tornando-se a primeira mulher asiática a atravessar o Canal da Mancha – um feito considerado o equivalente no alpinismo a escalar o Monte Everest.

Arati Saha nasceu em 1940 em Calcutá, na altura pertencente à Índia Britânica. Aos quatro anos, ela aprendeu a nadar nas margens do rio Hooghly, e a sua habilidade precoce na água logo atraiu a orientação de um dos melhores nadadores competitivos da Índia, Sachin Nag. Sob a proteção de Nag, Saha ganhou a sua primeira medalha de ouro na natação quando tinha apenas cinco anos, e certamente não foi a última.

Um prodígio que bateu recordes com apenas 11 anos de idade, Saha tornou-se o membro mais jovem (e uma de apenas quatro mulheres) na primeira equipa a representar a recém-independente Índia nos Jogos Olímpicos de Verão de 1952 em Helsínquia, Finlândia. Aos 18 anos, Saha realizou a sua primeira tentativa de cruzar o Canal da Mancha e, embora sem sucesso, nunca desistiu do seu sonho. Pouco mais de um mês depois, ela conquistou quilómetros de ondas e correntes turbulentas para completar a jornada, uma vitória histórica para as mulheres em toda a Índia.

Madame Sage: a professora que duplicava a sua própria imagem

Quem afirma a impossibilidade de se estar simultaneamente em dois locais poderá ser dissuadido desta convicção se conhecer o caso de Madame Sage. Sendo professora, utilizava frequentemente a sua capacidade de duplicação durante as aulas.

Quando trabalhava num colégio feminino na Livónia, Rússia, no ano de 1845, tornou-se notado o facto de que parecia haver realmente duas Mesdames Sage. Uma, por exemplo, estaria sentada em frente dos alunos, enquanto a outra estaria a escrever no quadro. Duas alunas viram-na uma vez sentada na aula e simultaneamente a apanhar flores no jardim. As misteriosas duplicações não foram observadas apenas pelas suas alunas, eventualmente demasiado imaginativas. Uma amiga que lia um dia para a professora, que uma constipação retivera na cama, viu-a simultaneamente a passear pelo quarto.

Decorridos aproximadamente 18 meses, os comentários tornaram-se notados pelos diretores da escola, que a interrogaram sobre o facto. A professora confessou que, por meio de força de vontade, conseguia projetar uma imagem de si própria. Descobrira que o ardil se revelara de grande utilidade para manter a disciplina, pois permitia-lhe vigiar a aula, mesmo encontrando-se de costas para a classe.

Faculdade incómoda

Mas os diretores, a quem tal capacidade não agradou, despediram-na – o que, segundo mais tarde confessou, não se verificava pela primeira vez.

Não há qualquer registo sob o nome da professora. Foi sempre citada apenas pelo apelido, Sage – ignora-se se por ser uma «sô professora».

O seu marido, se é que existiu, poderia certamente ter escrito uma história fascinante da sua vida na companhia das duas Mesdames Sage.

A Era dos Edifícios Inúteis

Paulet St. John cavalgava através das dunas do Hampshire, no sul de Inglaterra, gozando o passeio ao ar livre. Subitamente, quase sob as patas do cavalo, abriu-se um fosso profundo, que passara despercebido para o cavaleiro, mas que o cavalo notara, salvando-se a si e ao dono transpondo o fosso com um fantástico salto de 7,5 metros.

Atualmente, ainda é possível contemplar o monumento erguido a esse espantoso salto – uma pirâmide com cerca de 9 metros de altura em Farley Down, no Hampshire. St. John passou a chamar ao cavalo «Cuidado com o Fosso de Cré» e construiu uma pirâmide que assinalasse a sepultura do animal quando este morresse. De facto, como um homem do século XVIII, partilhava do gosto prevalecente na época por folies – edifícios erguidos sem outro propósito além de satisfazer o capricho extravagante de um proprietário abastado.

A grande era deste tipo de construções em Inglaterra prolongou-se pelos séculos XVIII e XIX, embora alguns destes edifícios fossem erguidos mais tarde. A torre gótica com mais de 40 metros, fora dos limites de Faringdon, no Berkshire, por exemplo, foi construída em 1930 por Lord Berners, o qual teve, contudo, dificuldade em ver aprovado o projeto da mesma. Quando um visitante objetou que a torre ficava tão afastada da casa que só podia ser vista com um telescópio, Berners replicou que, como almirante reformado que era, não concebia outra forma de admirar a paisagem campesina.

O Martelo de Rubinero - Do Velho do Restelo

Começava Rubinero a subir a montanha quando passou pelo seu caminho um velho, que tinha saído de sua moradia para amaldiçoar os grandes feitos. E da boca do infeliz saíram as seguintes palavras:

"Desconhecido, aonde vais? Acaso queres tu tremer de frio na cumeada da montanha, e sofrer de solidão perpétua? Nada lá existe para ti. Não ascendas a essa enormidade de rocha e terra, em vez disso acompanha-me até à cidade para onde me dirijo. Um pobre velho como eu sempre gosta de companhia".

"Que a minha solidão seja também a tua — disse Rubinero ao pobre homem. Pois que teria eu para dar-te ou tu a mim? Eu sigo apenas a minha virtude, e não caminhantes desocupados".

O velho então respondeu: "Sendo assim, caminha ao meu lado em silêncio até encontrares a alegria na cidade. Muito lá há para fazer e muito vinho para beber! Vem comigo, afasta-te dessa montanha pois nela só o perigo e a desgraça encontrarás".

Rubinero, após um breve suspiro, olhou fixamente a pobre criatura nos olhos e falou-lhe assim:

"A infelicidade é o teu destino, pois segues para a cidade. Por acaso não sabes que por lá a roda do destino não gira? Não ouviste tu dizer que o ouro da mais alta esperança nesse lugar perdeu o seu valor? Os homens extraordinários morreram, e na cidade só cresce um deserto imenso que açambarca todos os jardins exuberantes.

Por longos anos caminhei pelas suas ruas, e mesmo nos sãos só encontrei loucura e desespero! As fontes secaram, pois Deus desapareceu e com ele os homens superiores.

Os dignos se tornaram indignos para pertencerem ao rebanho, e também tu, corpo decrépito, pertences ao rebanho.

O meu desiderato é destruir o rebanho, e que o mesmo se transforme em árvores orgulhosamente sós que competem pela luz do Sol e pela primazia na pirâmide da vida, e que na sua luta encontrem dignamente o seu fim.

Mas mesmo assim te amo, homem carregado de dolorosas experiências, embora não me possa doar a ti, pois só das alturas as palavras ressoam como o estrondo do relâmpago que surge entre as nuvens escuras, para desesperar os fracos e revigorar os fortes.

A minha mensagem só poderá ser largada da cumeada da montanha, caindo sobre os homens sob a forma de um caos de pureza para atingir os seus corações como flechas que despertam violentamente as suas virtudes adormecidas.

Segue sozinho para a cidade e para o teu vinho, meu amigo, pois Rubinero deve encaminhar-se para ares mais puros".

O velho ficou primeiro mudo e depois soltou uma longa gargalhada, e assim se separou de Rubinero a rir-se continuamente enquanto caminhava, sem nada ter entendido.

O Martelo de Rubinero - Preâmbulo

Certo dia encontrava-se Rubinero no sopé de uma montanha e ao erguer a cabeça avistou uma águia que cruzava o céu, altiva e confiante tal como o leão quando desperta do seu sono. Seguindo o exemplo do brilho do Sol, que iluminava com seus raios as asas vigorosas da ave malandra, colocou-se em cima de uma rocha que repousava perto e falou-lhe deste modo:

"Ave de rapina, qual é a tua maior virtude? Não será voar na direção para que te empurra a tua vontade? Pois bem, tal como tu eu preciso de me impulsionar rumo às alturas, para daí verter as águas abençoadas do meu conhecimento.

Eu quero que os homens se banhem no líquido dourado da verdade, que deve correr de cima para baixo, pois é nos solos que habitam aqueles que desconhecem a beleza e o sentido da sua virtude, águia que atravessas o éter imersa em probidade.

Ajuda-me a subir esta montanha rumo ao seu cume, tal como as flores ajudam as abelhas a realizar a sua virtude e o seu propósito! Que a tua ausência de dúvidas seja o mel que alimenta a minha difícil caminhada.

Abençoa esta nuvem que se quer doar, para que dela chova a esperança que deve abandonar o fundo da Caixa de Pandora. Essa esperança chama-se virtude, e nela o coração dos homens deve mergulhar!

Não és tu, minha amiga fiel e distante, representante do sentido da terra? Não querem porventura os homens encontrar o sentido da vida? Olha, esse sentido é a sua vontade, que é a sua virtude que segue a natureza, tal como tu águia magnânima que não sabes o que é não ser natural.

Sendo assim, que escorram desta nuvem águas refrescantes que anunciem aos ouvidos sedentos dos homens uma nova aurora, pois tal como tu, águia altaneira da tua dignidade, eu quero desinflar a bolha da minha sabedoria, não para encontrar discípulos mas sim homens que trilhem novos caminhos para si mesmos".

Depois de ter falado à águia, começou Rubinero a subir a montanha, confiante no triunfo da sua mensagem tal como o rio sempre confia no mar e por isso para ele sempre corre.

Gilles de Rais foi um mártir ou um assassino em série?

Para o povo da Bretanha, o dia 15 de setembro de 1440 assemelhou-se provavelmente ao fim do mundo. O barão Gilles de Rais (1405-1440), possuidor de uma fortuna prodigiosa e levando uma vida magnificente, fora preso e acusado de feitiçaria, sacrilégio e do assassínio ritual de crianças.

Mesmo na corte brilhante e extravagante da França do século XV, poucas carreiras haviam sido tão meteóricas como a de Gilles. Herdeiro da maior baronia da Bretanha, combatera com Joana d'Arc contra a Inglaterra e fora marechal de França aos 24 anos. A sua fortuna era tal que o número e o esplendor dos seus castelos só eram ultrapassados pelos do rei.

Então surgiu a desgraça. Os acusadores declararam que Gilles mantinha ao seu serviço um mágico italiano, Francesco Prelati, com a assistência do qual raptara e assassinara um grande número de crianças, cujo sangue usara em poções horrorosas que lhe assegurariam poder mágico sobre os seus inimigos.

No dia 21 de outubro o marechal confessou todos os crimes de que fora acusado e cujo motivo, segundo explicou, residia simplesmente na satisfação das suas paixões. «Afirmo que não houve outro motivo. Não confessei já o suficiente para condenar à morte 10 000 homens?»

Gilles foi enforcado, com os seus cúmplices, em Nantes, antes do fim de outubro. Poucos duvidaram da sua culpabilidade; de facto, nenhum homem, nem mesmo Gilles, poderia certamente ter conseguido tanto sem a assistência do Diabo.

Mas o julgamento foi realizado à porta fechada e surgiram algumas dúvidas que não foram esclarecidas. Os homens de confiança de Gilles foram certamente torturados, e o próprio barão poderá ter sido sujeito ao mesmo tratamento. Seria ele vítima de uma conspiração? Em caso afirmativo, as suspeitas recaíam sobre João, duque da Bretanha, que seria o herdeiro das propriedades de Rais.

Gilles fora um alvo fácil para acusações de feitiçaria, pois desrespeitava as regras da moralidade convencional e interessava-se pela alquimia e astrologia. Além disso, a sua intemperança alimentar, extravagância e os excessos sexuais a que se entregava eram notórios. Este comportamento era talvez lamentável, mas não apareceram de facto provas de que tivesse assassinado crianças.

Mas, então, por que motivo, se era inocente, confessou crimes tão nefastos? Talvez o tivesse feito sob tortura. Mas há uma explicação mais provável.

Gilles sabia que, assim que caísse sob o poder dos seus inimigos, estava condenado; uma vez que a sua vida estava de antemão perdida, a sua única preocupação seria a segurança e o bem-estar da família, que procurou assegurar.

Se Gilles negasse as acusações de que foi alvo e fosse considerado culpado, as suas terras e riquezas seriam confiscadas. Porém, se confessasse e morresse arrependido, a lei providenciaria para que pelo menos parte das suas propriedades revertesse a favor dos filhos.

E assim aconteceu. Embora os castelos de Gilles fossem entregues ao duque da Bretanha, a maior parte da sua riqueza permaneceu nas mãos de sua família, que não foi gravemente afetada. Alguns dos seus familiares alcançaram cargos elevados ao serviço do rei – mas nenhum se tornou tão perigosamente rico e poderoso como o próprio Gilles.

A glória eterna de Cristóvão Colombo

"A glória é efémera, mas a obscuridade é eterna", disse Napoleão Bonaparte, Imperador dos Franceses, e essa frase resume a vida do genovês Cristovão Colombo, enquanto ainda vivia e durante ainda mais dois séculos. Mas, finalmente, a glória de efémera tornou-se eterna para o conquistador do Atlântico.

Tal como o Sol todos os dias cruza o imenso oceano para levar a sua luz às profundezas, Colombo cruzou o Atlântico para levar a palavra de Deus aos pagãos que habitavam no continente desconhecido. Mas que não surjam enganos: o navegador era um homem do seu tempo, um líder cruel, que tinha por hábito cortar as orelhas e os narizes dos marinheiros desobedientes, e mesmo na sua tristeza subia à tona a sua alegria na crueldade desmedida do seu comando aterrorizador. Pois bem, mas não era Afonso de Albuquerque água que nasce da mesma fonte? Mesmo assim, este último levou o nome de Portugal a latitudes impensáveis.

De regresso do Novo Mundo, Colombo apresentou-se perante D. João II para orgulhosamente lhe relatar as descobertas grandiosas que o monarca português anteriormente tinha desprezado, algo que fez com ar de troça carnavalesca. Os conselheiros daquele que Isabel I de Castela atribuiu o cognome de o Homem quiseram mesmo ali matar o altivo desbravador do oceano misterioso, devido à sua insolência intolerável, mas eis que Sua Majestade, na sua eterna melancolia, e com temor da fúria divina, o perdoou e abençoou na despedida.

Apresentou-se depois Cristovão na corte espanhola, para ser elogiado e logo de seguida desprezado e alvo de inveja por parte dos eternos descontentes com a glória alheia. Duzentos anos passou o destemido navegador na obscuridade temida por Napoleão, mas entretanto a História encarregou-se de o colocar nas cumeadas onde habitam os homens distantes, aqueles que se submetem inteiramente à sua virtude tal como a flecha se submete plenamente ao seu alvo.

Supernova de 1054: a explosão de uma estrela

Yang Wei-Te, astrónomo principal e o oficial da corte encarregado do calendário, prostrou-se perante o imperador Sung, de K'hai Feng, a antiga capital da China, e declarou com contido orgulho: «Observei o aparecimento de uma estrela.» Tratava-se, porém, da morte, e não do nascimento, da estrela como o astrónomo erradamente supunha.

Decorria o ano de 1054, e o povo da China maravilhava-se à medida que no céu a intensidade do brilho da estrela se aproximava do de Vénus, enquanto a sua coloração branco-avermelhada se tornava visível mesmo à luz do dia. Decorrido um mês, a estrela desaparecia e em breve era esquecida.

O que os observadores chineses tinham contemplado era a explosão de uma estrela maciça – chamada uma supernova – na constelação do Touro. Atualmente, o resultante dessa explosão é conhecida como a nebulosa Caranguejo, uma luminosa massa de gás que continua a expandir-se em todas as direções a 1120 km/s., sob a forma de uma nuvem gigantesca, de um branco-brilhante, cujos limites irregulares são ornados de filamentos vermelhos com aspecto de penugem.

Esta nebulosa foi descoberta pelos astrónomos depois da invenção do telescópio, e, em 1758, o astrónomo francês Charles Messier, que organizou um catálogo de enxames estelares e nebulosas, chamou à ténue mancha de gás, brilhando frouxamente nos céus, Messier 1 (nas modernas classificações designada por NGC 1952).

Mais tarde, no século XIX, o astrónomo amador Lord Rosse observou a mancha através do enorme telescópio por ele próprio construído em Birr Castle, perto de Athlone, na Irlanda, denominando-a nebulosa Caranguejo.

A radioastronomia identificou depois o Caranguejo como uma fonte espacial de raios X.

Saiba o que é a Kinesiologia e para o que serve

Pode parecer estranho que Platão, o pai da metafísica, tenha dito certa vez que alimentava a sua mente filosófica com a beleza dos jovens atenienses, mas talvez a relação entre o esbelto Alcibíades e seu mestre Sócrates, este último conhecido pela sua feiura olímpica, tenha sido, mais uma vez, a fonte dos pensamentos do criador do mundo verdadeiro. Pois bem, a beleza dos jovens da antiga Atenas estava também nos seus movimentos, disciplinados através da kinesiologia. Mas o que é a kinesiologia?

A kinesiologia (ou cinesiologia) é o estudo da mecânica dos movimentos corporais para fornecer informações sobre o estado de saúde dos órgãos e sistemas do corpo. Através dessa análise, o terapeuta faz o seu diagnóstico e indica ao paciente terapias de cura para alcançar a plena recuperação e vitalidade perdida.

O termo «kinesiologia», no entanto, foi apenas cunhado em 1854 pelo sueco Carl August Georgii (1808-1881), professor de ginástica e médico. Significa literalmente "ciência do movimento", e é a base da ginástica médica moderna. No entanto, trata-se de uma ciência que já era bastante conhecida na Antiguidade, não apenas na supracitada Atenas mas também na Roma antiga, onde os filhos dos aristocratas recebiam desde tenra idade aulas de movimento, por parte dos mestres especialistas na arte, para circularem pelas ruas do Império de forma condizente com a sua dignidade e elevação em relação aos homens comuns e, de igual modo, como complemento a uma correta linguagem corporal necessária em eventos públicos.

Depois de Georgii, que apenas utilizou o conhecimento da kinesiologia sem a desenvolver como forma terapêutica de direito próprio, a ciência foi finalmente aplicada à medicina por um quiroprático norte-americano, George Joseph Goodheart (1918-2008). O especialista no sistema músculo-esquelético descobriu, ao testar os seus pacientes, que as respostas musculares dos mesmos indicavam as causas das dores que os afligiam. Goodheart teve então o seu momento eureka ao relacionar os mais diversos músculos com os meridianos da acupuntura chinesa. Ou seja, descobriu que é possível que o terapeuta, apenas com as mãos, encontre pontos energéticos musculares (pontos de acupuntura) no corpo que estão obstruídos (nos meridianos) e que, por causa disso, causam muitos males, sem ser necessário espetar agulhas no corpo do pobre paciente para os detetar.

A kinesiologia é, portanto, uma terapia de energia holística não invasiva. Combina os princípios da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) com as mais recentes técnicas de monitorização muscular, usando o corpo do paciente como a única ferramenta de diagnóstico para explorar o seu estado de saúde.

O diagnóstico é feito através de complexos testes musculares, utilizando o terapeuta as mãos para pressionar ou estimular os músculos do paciente e, dessa forma, descobrir onde estão os desequilíbrios no organismo, sendo que em muitos casos as dores que necessitam de ser tratadas não têm origem no local indicado pelo doente mas em outros sítios do corpo absolutamente insuspeitos, que só o kinesiologista mais experiente consegue determinar. Seguem-se depois as soluções terapêuticas, que podem passar pela simples desobstrução dos pontos energéticos afetados através da pressão manual ou por complementos indicados pelo especialista.