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Motores dos carros de plástico

Os motores dos carros poderão ser feitos, parcialmente, de plástico. Uma companhia canadiana afirma que os seus motores com componentes de plástico são mais eficientes e duráveis que os convencionais e, nos Estados Unidos, um carro de competição tem peças plásticas, tais como bielas, caixa de velocidades e segmentos. Cientistas estão também a estudar motores diesel em cerâmica, que não necessitam de sistema de arrefecimento.

Papa Clemente VII e os cogumelos

A lenda diz que Clemente VII, que foi papa de 1523 a 1534, gostava tanto de cogumelos que tornou ilegal comer os produzidos nos Estados papais, para não haver escassez à sua própria mesa.

Perseguições de carro que fizeram história no cinema

Gostando a América tanto de automóveis, não é de admirar que as perseguições de carro se tenham tornado numa norma em muitos filmes de Hollywood. Carey Loftin é considerado um dos grandes duplos para essas perseguições e foi a sua perícia, juntamente com a de Steve McQueen, que fez com que a perseguição em Bullit se tornasse um modelo que depois foi seguido por outros realizadores.

A técnica até então usada para filmar este tipo de cenas era sentar a estrela num carro fixo ao solo do estúdio enquanto que uma sequência de condução era projetada por detrás do carro. Bullit foi totalmente filmado no exterior com câmaras fixas nos carros.

Na cena, que dura 12 minutos, McQueen perseguia bandidos nas íngremes ladeiras de São Francisco a cerca de 200 km/h. Os carros, que por vezes levantavam voo, tiveram de ser reforçados para aguentar os solavancos e choques. Na cena final, em que os bandidos chocam e são envolvidos numa bola de fogo, um carro sem condutor foi manobrado à distância para explodir no momento oportuno. Mesmo segundo os atuais critérios de filmagem, esta sequência ainda é espetacular.

Os significados das cores

Nos países ocidentais, vermelho é cor de perigo, do sangue, do fogo e da paixão, sendo usada para sinais de stop e luzes de tráfego. É também a cor de Marte, o deus romano da guerra. É ainda a cor da ira – «vi tudo encarnado!» – e crê-se que as ruivas têm um temperamento fogoso. No entanto, na China é a cor da felicidade.

As cores significam coisas diferentes para culturas diferentes. No Ocidente, o preto é a cor do luto e o branco é tradicionalmente usado pelas noivas; na China, a cor do luto é o branco. Na Europa, diz-se que a realeza tem «sangue azul»; na Malásia, acredita-se que o sangue real é branco.

As cores da bússola

Entre os índios Pueblo, dos Estados Unidos, as cores estão associadas aos pontos cardeais. O leste liga-se ao branco, o norte ao amarelo, o oeste ao azul e o sul ao vermelho. Os Cherokees associam propriedades abstractas, tal como a direção e a cor: o sucesso vem de nascente e é vermelho, o norte é azul e quer dizer complicação, o ocaso negro é a morte, e o sul feliz é branco.

Para os ocidentais, o azul é geralmente uma cor feliz (a menos que se tenha esse sentimento nostálgico a que os anglo-saxónicos chamam blues), sendo associado ao paraíso, à fidelidade e à paz. Mas a praga mais forte dos Yezidis do Cáucaso e da Arménia, que detestam o azul, é: «Que morras vestido de azul!»

Como vêem as coisas os animais que têm órgãos sensoriais diferentes dos nossos

Num dia de sol, uma abelha aproxima-se do que nos parece ser uma simples flor amarela. Quando aterra, segue uma pista bem marcada nas pétalas. A pouca distância dali, uma cobra cascavel dirige-se para um pequeno roedor, invisível aos nossos olhos devido à vegetação.

Cai a noite. Sob o soalho da cozinha de uma casa próxima, a mãe dos ratinhos-bebés deixou-os sozinhos no ninho. Eles sentem frio e começam a chamá-la – numa cacafonia ultra-sónica de gritos de aflição inaudíveis para nós e que a trazem de volta. Na sala ao lado, alguém muda o canal da TV. Um peixinho dourado, que nada no aquário, vê um raio de luz vermelha sair do controlo remoto do aparelho. Cá fora, uma mariposa pára de chofre o seu voo e cai no chão, evitando ser apanhada por um morcego.

Os seres humanos não estão equipados para receber os estímulos que provocam estas respostas. Muitos insetos, por exemplo, conseguem ver os raios ultravioletas. As pistas utilizadas pelas abelhas, quando aterram nas flores, são esquemas ultravioletas que as levam ao néctar. Por outro lado, as cascavéis sentem o calor ou radiações infravermelhas. Pertencem ao grupo de cobras chamadas víboras-de-buraco (pit vipers) porque têm «buracos» sensoriais extra, situados entre os olhos e as narinas, que lhe permitem localizar a presa pelo calor que emana.

O peixe dourado, como muitos de água doce, conseguem ver a luz para além do fim do espectro porque vivem em rios e ribeiros que se tornam cor de ferrugem quando se enchem de folhas mortas. No entanto, não detectam as radiações infravermelhas «vistas» pelas víboras-de-buraco.

Um mundo à parte

A rata-mãe e a mariposa – que escapou porque ouviu os guinchos do morcego – ouvem sons ultra-sónicos, tal como os cães quando respondem aos apitos especiais. No outro extremo do espectro sonoro, abaixo do nível da audição humana, estão os elefantes, que comunicam numa frequência de som muito baixa – os infra-sons. O elevado grau das capacidades sensoriais dos animais revela-lhes aspectos do mundo que nos passam despercebidos.

O que uns comem é veneno para outros

A especialidade de um dos mais antigos e famosos restaurantes de Londres é bife e empada de ostras, tradicionalmente acompanhados por um copo de cerveja. Mas praticantes de nada menos do que quatro das principais religiões do mundo achariam repugnante esta refeição aparentemente inofensiva.

Os hindus são contra a ingestão de carne, os judeus ortodoxos não ingerem mariscos e os budistas não comem animais. Em contrapartida, o mesmo restaurante nem sonharia servir carne de cavalo. Esta, na Inglaterra, é dada apenas aos cães, mas em França é usada na alimentação humana.

Se oferecessem um prato de cão assado a um francês ou a um inglês, estes ficariam indignados e ofendidos, mas na China, os cães – chamados «cabritos sem chifres» – são um manjar, como outrora foram entre fenícios, gregos, romanos e astecas, e até recentemente no Pacífico Sul. Os taitianos criam uma raça de cães para culinária, e o capitão Cook, explorador do século XVIII, achou-os tão gostosos como o borrego inglês.

Todas as sociedades consideram certas comidas intocáveis. Poucos norte-americanos ou europeus apreciariam formigas, lagartas, gafanhotos, pés de pato crus e larvas de libélula, mas tudo isto se come por todo o mundo: formigas na América Latina, Ásia e África; lagartas entre os aborígenes australianos; gafanhotos entre os índios Navajos da América do Norte; pés de pato crus na China, e larvas de libélula no Laos.

Os índios Taulipang consideram a dor um tónico

A adolescência já é bastante difícil sem o seu início ser saudado com chicotadas, golpes no queixo, nos braços e no peito, e a aplicação contra o corpo de um cesto aberto com formigas que mordem. É assim que os índios Taulipang, da Guiana, na América do Sul, iniciam os rapazes na idade viril. E se algum dá sinais de medo ou de sentir a dor, a prova é repetida.

Cada parte da cerimónia tem o seu significado. A fustigação purifica o jovem e dá-lhe força. Os golpes no queixo destinam-se a torná-lo hábil no uso da zarabatana, e os dos braços melhoram o manejo do arco e das flechas. Dizem que a tortura das formigas o «revigora», mantendo-o ativo e bem desperto.

Os índios Taulipang não reservam estes dolorosos encontros com insetos apenas para ritos da puberdade. Muitos submetem-se a eles sempre que precisam de um tónico revigorante. Certa vez, toda a aldeia passou por esta cerimónia antes da chegada de um importante visitante. Os Taulipang afirmam também que isto repele a doença e lhes melhora o humor e a aptidão para a caça.

Tratado de Tordesilhas: um decreto papal dividiu habilmente o mundo em dois

Qual a razão por que só os brasileiros falam português e os resto da América Latina fala espanhol? Seria a Espanha uma potência colonial mais poderosa que Portugal na época dos Descobrimentos?

De modo algum, pois no século XV, Portugal era o país mais adiantado em matéria de viagens e descobertas. Os portugueses exploraram a costa ocidental da África, dobraram o cabo da Boa Esperança, em 1488, e abriram ao mundo o oceano Índico.

Sob a bandeira da Espanha, em 1492, Cristóvão Colombo navegou para ocidente, pensando ir ter à Índia – e descobriu o Novo Mundo. No regresso o mau tempo obrigou-o a aportar em Lisboa, onde o rei D. João II, de Portugal, soube da sua descoberta antes dos seus mecenas espanhóis, reclamando, logo os direitos da Coroa portuguesa a todas as terras a ocidente de África.

A Espanha apelou ao papa Alexandre VI, que era ambicioso, ganancioso e – como convinha – espanhol. Fez dois decretos papais, ou bulas, intitulados Inter Caetera, que garantiam à Espanha o domínio de todas as terras, não reclamadas ainda, 500 quilómetros a oeste dos Açores.

A chamada «Linha Alexandrina» causou alvoroço em Portugal e o rei D. João II declarou guerra a Espanha. A ameaça fez este reconsiderar a sua posição e, em 1494, os dois países assinaram o Tratado de Tordesilhas, que transferia a linha de demarcação para 1850 quilómetros mais para ocidente, aumentando o quinhão de Portugal a leste da mesma linha.

Contudo, mesmo depois de emendada, a Linha Alexandrina quase não dividia a América do Sul e, parecia injusta para Portugal, porque os portugueses só ficavam com aquilo que é hoje a costa nordeste do Brasil. No entanto, naquela época não se sabia até onde se estendiam as Américas, e muito para leste da linha de demarcação, como muito bem sabiam os portugueses, ficava o continente africano, que assim poderiam explorar. Isto explica o facto de haver colónias portuguesas em África e na Índia, do século XVI em diante.

A autoridade do Papa para dividir o mundo, advinha-lhe de um documento do século VIII chamado Doação de Constantino (ironicamente provou-se mais tarde que era falso). Fosse como fosse, a «divisão do mundo» feita por Alexandre, não impediu os ingleses, os franceses e os holandeses de também percorrerem os mares reclamando a sua parte no «bolo» formado pelas Américas, a África e a Ásia.

Porque é que fumar era mau para os pés?

Todos sabemos que fumar e beber são maus hábitos, e que as pessoas deviam evitar a falência, se pudessem, mas pouca gente encara, no ocidente, os fumadores ou bebedores como criminosos, tal como não se espera que um falido seja humilhado em público.

Mas nem sempre foi assim. Na Inglaterra do século XVII, por exemplo, os falidos sem as dívidas saldadas eram obrigados a usar um uniforme especial, castanho e amarelo, até terem pago os seus débitos. O objetivo era evitar que obtivessem crédito de comerciantes incautos, embora a lei fosse imposta apenas quando a falência era fraudulenta.

Os bêbados saíam-se um pouco melhor. No século XVII, na Inglaterra e noutras partes do Norte da Europa, faziam-nos por vezes andar dentro de um barril que tinha em cima um orifício para a cabeça e dois aos lados para as mãos. O intuito da chamada «capa de bêbado» era envergonhar a vítima e levá-la a deixar de beber.

Os fumadores do século XVII sofreram por vezes os piores castigos. O czar Miguel da Rússia odiava tanto esse hábito que instituiu a bastonada (bater nas plantas dos pés com um bastão) na primeira infração, uma incisão no nariz na segunda e a morte na terceira. Pela mesma época, o sultão da Turquia achou o hábito do tabaco tão ofensivo que mandou golpear os lábios dos que cheiravam rapé, e enforcar os fumadores – com um cachimbo enfiado no nariz.

Os esqueletos do castelo de Edo

Quando os homens que reparavam o castelo de Edo depois do sismo de 1923 levantaram as pedras das fundações, encontraram esqueletos humanos esmagados. Tinham as mãos numa atitude de oração, e havia moedas de ouro espalhadas por cima das suas cabeças e ombros.

Os esqueletos eram de criados dos xóguns Tokugawa, a mais poderosa família do Japão. Quando o castelo foi construído (concluiu-se em 1640), os criados ofereceram-se para ser enterrados vivos, crendo que um edifício erigido sobre carne viva seria inexpugnável.

Um francês, François Caron, relatou no século XVII: «Vão com alegria para o lugar designado e, ali deitados, permitem que as pedras das fundações sejam assentes em cima deles.» Muitas pedras semelhantes podem ainda hoje ver-se perto da Porta de Hirakawa, no castelo. Mas ninguém sabe quantos corpos jazem debaixo delas ou sob outros castelos e templos do Japão.