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Microsoft fecha Cortana no iOS e Android

A Microsoft encerrou a sua aplicação Cortana para iOS e Android. É o mais recente de uma série de movimentos para encerrar o suporte para Cortana em vários dispositivos, incluindo os próprios auriculares Surface da Microsoft. A aplicação Cortana para iOS e Android não é mais compatível e a Microsoft removeu-a da App Store e da Google Play Store.

"Conforme anunciamos em julho, em breve encerraremos o suporte para a aplicação Cortana no Android e iOS, pois a Cortana continua a sua evolução como assistente de produtividade", diz uma nota de suporte da Microsoft identificada pela MacRumors. "A partir de 31 de março de 2021, o conteúdo da Cortana que você criou – como memorandos e listas – não funcionará mais na app móvel da Cortana, mas ainda poderá ser acessado por meio da Cortana no Windows." Memorandos, listas e tarefas da Cortana estão agora disponíveis na aplicação Tarefas da Microsoft.

A Microsoft lançou o Cortana para iOS e Android em dezembro de 2015. A aplicação foi originalmente projetada para conectar PCs com Windows 10 e smartphones, mas não conseguiu ganhar força apesar de uma grande reformulação. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, reconheceu as dificuldades da empresa em competir com outros assistentes digitais há alguns anos, revelando que a Microsoft não via mais a Cortana como concorrente da Alexa e do Google Assistente.

A Microsoft certa vez imaginou um futuro cheio de frigoríficos, torradeiras e termostatos alimentados pela Cortana. Esse sonho chegou ao fim no início deste mês, quando o primeiro e único palestrante da Cortana removeu o assistente digital da Microsoft. Outros dispositivos como o termostato GLAS alimentado pela Cortana também não são mais alimentados pelo assistente digital da Microsoft.

A Cortana não está completamente terminada, no entanto. A Microsoft ainda vê valor na IA de conversação e a empresa está a tentar reposicionar a Cortana como uma assistente que pode melhorar as ofertas da Microsoft voltadas para empresas.

A Batalha de Waterloo foi ganha nos campos de jogos de Eton

Quando o 1.º duque de Wellington era estudante em Eton, este colégio não dispunha ainda de instalações desportivas nem de equipas organizadas; aliás, como um dos seus descendentes observou, a carreira escolar do 1.º duque foi «breve e inglória». É, por conseguinte, improvável que a famosa observação «A Batalha de Waterloo foi ganha nos campos de jogos de Eton» se deva ao vencedor de Waterloo.

Foi-lhe pela primeira vez atribuída por um francês, o conde Charles de Montalembert, na sua obra De I'Avenir Politique de I'Angleterre (Sobre o Futuro Político de Inglaterra), publicada em 1855, três anos depois de se ter verificado a morte do duque de Wellington.

Mas não existe qualquer prova contemporânea de o duque ter feito tal observação, nem é provável que a tivesse pronunciado, pois não sentia grande afeto nem por Eton nem pelo espírito que presidia à organização da escola pública, a que só mais tarde, no século XIX, foi atribuído um papel de relevo nos êxitos militares e coloniais alcançados pela Inglaterra.

Capela de Notre-Dame-du-Haut de Ronchamp

O arquiteto franco-suíço Le Corbusier, de seu nome real Charles Edouard Jeanneret, só havia feito até então projetos de edifícios civis e trabalhado em problemas de urbanização. Obras como a Casa Suíça da Cité Universitaire de Paris ou a Unité d'Habitation, em Marselha, haviam-no tornado famoso. Por isso, hesitou quando em 1950 o encarregaram de construir uma nova capela que pudesse substituir o centro de peregrinações de Notre-Dame-du-Haut de Ronchamp, perto de Belfort, e que tinha sido destruído durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas decidiu-se depois de ter visitado o lugar. Em junho de 1950, surgiram os primeiros desenhos. Estavam tão distantes do habitual que o próprio Le Corbusier falava de uma obra planeada com «temeridade, mas sem dúvida com valor». O interior da capela parece «um vale sem montanha». A sua forma exterior lembra mais uma escultura moderna do que um templo. Mas o arcebispo de Besançon e a sua comissão diocesana de construção aceitaram a ideia.

Quatro anos mais tarde, uma vez acabados os trabalhos, a igreja foi consagrada. As suas medidas são relativamente modestas. A nave, de 25 X 15 metros, tem uma capacidade máxima de 250 pessoas. Para as grandes peregrinações, foram construídos um púlpito e um altar ao ar livre.

«Nem por um instante pensei em criar algo que chamasse a atenção», confessou Le Corbusier. Todavia, e desde que foi terminado, não houve um edifício em todo o mundo que fosse tão amaldiçoado e tão gabado como Notre-Dame-du-Haut de Ronchamp. A assimetria total do edifício, a ausência de campanário – as três torres servem apenas de clarabóia para os altares – o teto de aparência invertida (elevado nas beiras e fundo no centro) e o seu interior quase despido, constituiram um conjunto que assustou os críticos, até porque lembrava Picasso.

Le Corbusier não negou certas relações: «A arte abstracta, que hoje e muito justamente levanta tantas e tão ardentes controvérsias, é a causa da existência da capela de Ronchamp.» E antes o artista havia dito: «Uma revolução não se faz revoltando-se, mas sim trazendo uma solução.»

Teve a sorte de achar os seus defensores mais entusiastas entre os que se haviam encarregado da obra. «Primeiro sentimo-nos surpreendidos perante a extrema novidade destas formas», escreveu o dominicano M. A. Couturier. «Mas logo descobrimos que as superfícies e as formas se desenvolvem com a liberdade e a sensibilidade de organismos vivos, ainda que ao mesmo tempo estejam submetidas à severidade que preside à função e ao objeto do orgânico. Em todas as suas paredes se revela o carácter sacro, e isto não na novidade, mas sim na invulgaridade da forma.»

Quem vá à espera de encontrar pompa e sumptuosidade numa igreja de peregrinação, sentir-se-á enganado em Ronchamp. O edifício no alto dos bosques de Cherimont não surge logo à primeira vista. A capela é, antes de mais nada, um edifício funcional, que tenta cumprir a sua missão da melhor forma possível. Mas é mais do que isso: «Um receptáculo do sossego, da delicadeza. Um desejo de alcançar com a linguagem da arquitetura os sentimentos despertados neste lugar» (Le Corbusier).

Como aconteceu o deslocamento de Abul-Simbel

Três estátuas gigantescas do deus-rei Ramsés II, nos seus templos rochosos de há 3200 anos, contemplam agora o lago Nasser, feito pelo homem do século XX.

Em 1963 estas e outras obras da Antiguidade encontravam-se ameaçadas em consequência da rápida subida de nível da água contida pela nova barragem de Assuão, no rio Nilo. De entre todos os tesouros de valor incalculável, os mais importantes eram os dois templos de Ramsés.

Uma empresa sueca de engenharia concebeu um plano destinado à remoção do Pequeno Templo, com as estátuas da rainha Nefertari, e do Grande Templo, com as de Ramsés – três intactas e outra, de 20 metros, representando o faraó sentado, já danificada. Os engenheiros cortaram cerca de 330 000 toneladas de rochedo e transferiram para outro local a maior parte dos templos.

A operação total custou cerca de 40 milhões de dólares. Levou 4 anos e 6 meses a cortar os templos em 1050 partes – algumas das quais pesando 33 toneladas. Esta enorme quantidade de material teve de ser depois montada, peça por peça, 200 metros mais acima, na escarpada superfície rochosa.

O Egito decidiu então elevar o nível da água, pelo que todos os blocos do Pequeno Templo, já reconstruído, tiveram de ser desmontados e recolocados 2 metros mais acima. Os engenheiros venceram a subida das águas com uma margem de 3 meses. Simultaneamente, outros engenheiros procuravam reconstruir o fundo original do penhasco. Sobre o Grande Templo foi construída uma cúpula com um arco de cerca de 60 metros, e sobre ela, uma montanha de rochas e cascalho erguida pelo homem.

No fim de 1967 a cúpula do Grande Templo estava colocada no devido lugar. O enchimento da rocha processou-se a partir do nível do solo.

Restava uma tarefa importante – um tratamento especial para disfarçar as numerosas linhas de juntura dos blocos visíveis na superfície dos templos.

Atualmente, os colossais guardiães de pedra dos templos apresentam-se primorosamente restaurados, de forma condigna com a sua antiga majestade.

Usina maremotriz de La Rance

Desde os tempos mais antigos que os homens sonham aproveitar a energia das marés, generosamente oferecidas pela natureza. Há já mais de 500 anos que existiam máquinas talassomotrizes que aproveitavam a diferença de altura de água entre o fluxo e o refluxo. Hoje ainda se pode visitar uma delas: o moinho de Saint-Suliac. Está situado perto de Saint-Malo, na foz do rio Rance, e os engenheiros da primeira grande central talassomotriz do mundo mostram orgulhosamente ao visitante aquele percursor tão perto deles.

Foi por simples acaso que o engenheiro Robert Gibrat, de 36 anos, a quem foi confiado o departamento de economia energética do ministério francês de Obras Públicas, em 1940, achou os planos, há muito esquecidos, de uma central talassomotriz. Gibrat fez o projeto de um dique com o qual podia fechar um golfo ou um braço de mar. Umas turbinas deveriam transformar em energia elétrica as massas de água que entravam e saíam durante a maré alta e a baixa.

Depois de longas observações, o jovem engenheiro decidiu-se pelo rio Rance para localização da sua central. Reuniam-se neste lugar as condições ideais. Cerca de 10 km antes de desembocar no Canal da Mancha, o Rance formava um estuário de cerca de 1 000 metros de largura. Este poderia ser utilizado como lago artificial, se fosse fechado por meio de um dique feito imediatamente antes de Saint-Malo. A diferença entre a maré alta e a maré baixa é de 13 metros – mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Em circunstâncias favoráveis, o Rance absorvia durante a preia-mar cerca de 18 000 metros cúbicos de água por segundo.

Gibrat fundou uma sociedade investigadora privada, que devia levar avante os seus planos. Mais tarde, esta sociedade foi absorvida pelo consórcio energético francês «Electricité de France». Júlio Verne, de Saint-Malo, autor de inúmeros romances técnico-utópicos, deveria ter sentido prazer com as experiências que se seguiram. Num porto abandonado de Saint-Servan foi construído um modelo exato da instalação prevista. Descobriu-se então que não seria muito simples construir uma central elétrica no leito de um rio constantemente inundado.

Em 1961, foram iniciados os trabalhos na foz do Rance. Pelos resultados obtidos no modelo, decidiu-se construir duas barragens no estuário, que tinha neste lugar 750 metros de largura. Foram fixados, no fundo do rio, cilindros de cimento armado de 20 a 25 metros de altura e de 9 de diâmetro, de tal maneira que ultrapassavam em 14 metros a altura média da água. Estes cilindros foram cheios com toneladas de areia. Depois de acabar-se, cobertas ambas as barragens, obtinha-se uma cavidade de forma elíptica em que era possível construir, se se extraísse a água.

Foi dentro desta cavidade que se construiu a central elétrica. Tem a forma de uma garra de formigão e lugar para 24 complexos de turbinas. Estas funcionam tanto quando se enche o estuário, durante a preia-mar, como depois disso, quando se esvazia. Quando as marés não são suficientes, pode-se extrair água do mar ao estuário. As turbinas produzem cerca de 540 milhões de kWh anuais. A primeira central talassomotriz do mundo trabalha como se já tivesse existido algo de semelhante, como a coisa mais natural do mundo.

Arco do Triunfo de Napoleão

Napoleão foi um dos construtores mais tirânicos da história. Foi com aspereza que industriou o seu arquiteto Chalgrin a construir-lhe o «maior arco do triunfo de todos os países e de todos os tempos» no centro de Paris, mas «construído para minha honra e não do arquiteto». Com este «Arc de Triomphe» o corso queria um monumento colossal erguido em sua honra, em honra das suas batalhas e vitórias. Já havia, evidentemente, um monumento desta classe: o pequeno «arco de triunfo» na Praça do Carrossel, diante do Louvre. Mas Napoleão achava que a sua fama superava este monumento.

O projeto de Chalgrin foi inspirado pelo gosto da época e pela preferência do imperador pelas antiguidades romanas. O que ele desenhou foi uma cópia quase exata dos modelos romanos, mas em muito maiores proporções. As obras foram iniciadas precisamente no trágico ano de 1811 quando a Grande Armée começava a sua marcha para a Rússia.

O corso não teve oportunidade de ver terminado o seu arco de triunfo. A sua estrela chegou ao ocaso e os seus projetos ambiciosos para um grandioso palácio atrás do Arc de Triomphe, mais impressionante ainda do que o de Versalhes e mais imponente do que o Louvre, perderam-se na poeira dos arquivos estatais.

Foi o rei burguês Luís Filipe que, 25 anos mais tarde, terminou o maior arco de triunfo do mundo. Os seus escultores deram a última «demão» aos relevos colossais dos pilares, dos lados e da cornija. Cantam a coroação de Napoleão, as batalhas da época da república e do império, e de vez em quando a saída gloriosa e o regresso feliz do exército. Os nomes de 172 batalhas e 386 generais, gravados nas paredes interiores, acentuam o carácter pouco pacífico do Arc de Triomphe.

O colosso cinzento-prata de 49 metros de altura, 45 de largura e 22 de profundidade, é considerado hoje a obra prima da arquitetura neoclássica. Ergue-se frio e majestoso até ao céu de Paris. É o centro da Place de L'Étoile construída na confluência de doze grandes avenidas. Dia e noite uma corrente de carros reluzentes aflui de L'Étoile à larga e reta avenida dos Champs-Elysées.

Muitas vezes, desviam ligeiramente o incessante afluxo de carros. É então que um visitante oficial estrangeiro se aproxima para depositar uma coroa de flores junto do túmulo do «soldado desconhecido» sob o Arco do Triunfo. Desde o dia 11 de novembro de 1920 que ali descansa um francês cujo nome se ignora e que caiu no inferno de Verdun. Sobre o túmulo arde azulada uma chama perpétua.

Muitos países adotaram a ideia francesa. Foi afinal o respeito pelos mortos e não a embriaguez da vitória de um imperador que fez do Arc de Triomphe o monumento nacional de França.

Túnel do Monte Branco: estrada através dos Alpes

O dia 16 de julho de 1965 foi um dia de festa para uma quinta parte dos 580 milhões de habitantes da Europa. Cem milhões de franceses, de italianos e de suíços foram conquistados pela admiração quando se inaugurou o túnel do Monte Branco. Caravanas de carros enfeitados com bandeiras percorreram pela primeira vez as duas pistas, de 3,50 metros de largura, debaixo do pico mais alto da Europa (4 807 metros).

O túnel do Monte Branco, com 11,7 quilómetros de comprimento, liga a França à Itália ou mais exatamente, Chamonix, em Sabóia, a Courmayeur, no vale de Aosta. Roma e Paris, as capitais dos dois países que o fizeram, ficaram mais próximas uma da outra 20 horas, de carro. O novo túnel alpino é um dos mais recentes ataques ao maior obstáculo do tráfego na Europa: a cordilheira dos Alpes, de 600 km de comprimento e entre 1 500 a 4 800 metros de altitude.

Os túneis através do maciço alpino foram sempre ferros em brasa da alta política. Mais do que um governo fugiu ao problema. Mas os países que o perfuraram através da rocha conseguiram com isso imensos benefícios económicos. Todavia, cada novo túnel alpino ameaçava, por outro lado, o equilíbrio económico europeu. Foi assim que entre os países afetados e interessados se desencadearam verdadeiras «guerras de túneis».

A França começou com o túnel de Mont-Cenis, terminado em 1871 e que lhe assegurou, durante um decénio, a hegemonia sobre o comércio entre a Inglaterra e a Europa Ocidental por um lado e entre o Mediterrâneo e o Oriente por outro. Mas em 1878 o túnel suíço de S. Gotardo fez-lhe concorrência. Esta resultou vantajosa sobretudo para a Alemanha Imperial. Mais tarde os suíços e os italianos construíram em conjunto, com o desagrado de todos os alemães, o túnel mais comprido do mundo: o túnel ferroviário do Simplon, de 19 825 metros de comprimento. Mas hoje em dia são de mais interesse os túneis automobilísticos do que os ferroviários.

O projeto do túnel do Monte Branco ocupava engenheiros italianos e franceses já há algum tempo. Finalmente em março de 1953 chegou-se a um acordo em Paris quanto à técnica a utilizar e à distribuição dos gastos a fazer. A cidade de Genebra, que também estava interessada na construção do túnel, tomou a seu cargo uma parte dos 1 504 milhões de escudos previstos.

As duas equipas de perfuração deviam encontrar-se aos 5 600 metros no interior da montanha. O Monte Branco mostrou-se especialmente violento para os italianos. Tiveram que atravessar duras formações de ardósia. Plataformas de trabalho móveis, onde haviam sido montadas 20 perfuradoras de alto rendimento, avançaram lentamente no interior da montanha, durante seis anos e meio. Máquinas especiais retiraram do túnel 1 milhão de metros cúbicos de ruínas.

Como em toda e qualquer perfuração deste género houve muitos contratempos. As inundações e os desprendimentos de terras quase fizeram desesperar as toupeiras humanas. O acampamento italiano chegou a ser destruído pelas avalanches.

Mas os imensos contratempos foram compensados. O túnel do Monte Branco não foi um mau negócio para os seus construtores. Das 14 passagens alpinas só cinco estão abertas todo o ano. Quem quiser chegar rapidamente do norte até ao sul verificará que a passagem através do Monte Branco é qualquer coisa de fabuloso ainda que, como é natural, se tenha de pagar a comodidade e a rapidez conseguidas.

História do Mosteiro da Batalha

A 14 de agosto de 1385, nos campos de Aljubarrota, dois exércitos aprestavam-se para travar uma batalha decisiva: estava em causa a independência de Portugal ameaçada pelas forças do rei de Castela, favoravelmente recebidas pela regente D. Leonor Teles.

A resistência lusitana contra 30 000 espanhóis pertencia a 7 000 portugueses, comandados por D. Nuno Álvares Pereira e por D. João, Mestre de Aviz.

Na tarde daquele dia, D. João, em profundo recolhimento, antes da batalha, orou demoradamente à Virgem e fez a promessa de mandar erguer em sua homenagem um mosteiro, se o exército português levasse de vencida as hostes castelhanas e a independência do reino deixasse de perigar.

A vitória pendeu, como se sabe, para o pequeno agrupamento português, apesar da desconforme disparidade de forças. E o Mosteiro de Santa Maria da Vitória da Batalha – obra enorme para as potencialidades económicas do país naquela época – tornou-se também uma realidade.

Erigido a poucos quilómetros de Aljubarrota, nas terras do vale do rio Lena, as obras de construção do Mosteiro parece terem começado cerca de 1388. Os trabalhos preliminares e o plano geral do Mosteiro preocuparam sobremaneira o então rei D. João I. Vários arquitetos foram consultados até que, finalmente, a escolha recaíu no arquiteto português Afonso Domingues.

O plano geral da construção integra-se no pensamento das casas religiosas já construídas em Portugal. Da traça primitiva, porém, não faziam parte a Capela do Fundador nem o Panteão de D. Duarte (conhecido por Capelas Imperfeitas, no sentido de não acabadas). A primeira foi construída por vontade expressa de D. João I no seu testamento e as segundas por ordem de seu filho e sucessor D. Duarte.

A fase mais importante das obras do Mosteiro foi realizada no período joanino e corresponde à construção da Igreja, Sacristia, Claustro Real e Sala do Capítulo. Os trabalhos prolongaram-se pelos reinados de D. Duarte, D. Afonso V, D. João II, D. Manuel I e D. João III.

É no reinado de D. Afonso V que surge a primeira referência aos célebres vitrais do Mosteiro e no reinado de D. Manuel é dado novo aspeto ao Claustro Real e às Capelas Imperfeitas, o que veio a originar certa preponderância do estilo manuelino no edifício.

Era natural que ao longo de tantos anos que demorou a construção, vários arquitetos ficassem ligados à obra. Entre eles salientam-se, além de Afonso Domingues, o criador do plano geral e que dirigiu os trabalhos do início até 1404, Mestre Ouguête, arquiteto estrangeiro continuador do plano de Afonso Domingues mas que até 1438 orientou as obras e, como é lógico, influenciou-o segundo os seus gostos pessoais, em especial harmonizando o gótico do Mosteiro com o gótico inglês, conhecido por perpendicular style.

A estes dois arquitetos seguiram-se muitos outros entre os quais é justo destacar Mateus Fernandes que tomou a seu cargo a direção da obra de 1480 a 1515 e lhe insuflou os elementos manuelinos – Mateus Fernandes foi o maior génio do manuelino – (anote-se que são da sua autoria a ornamentação das Capelas Imperfeitas e do conhecido pórtico, uma das mais extraordinárias criações da arte manuelina).

Finalmente, seguiu-se a série dos arquitetos Taqua de origem flamenga, que tiveram, sobretudo, influência no trabalho de vitrais.

Muitos são os elementos de grande valia artística e mesmo de originalidade integrados no Mosteiro. Em primeiro lugar, o pórtico de entrada, provavelmente o mais belo pórtico de todos os monumentos portugueses, em que só é pena algumas das 78 estátuas das arquivoltas não serem originais; o Templo propriamente dito, uma das mais notáveis manifestações do gótico; a Capela-Mor, onde se guarda um considerável conjunto de vitrais do período manuelino; a Capela do Fundador onde está o túmulo de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, bem como os dos seus filhos, incluindo o do Infante D. Henrique; o Claustro Real onde se conjugam os dois estilos: gótico e manuelino; a Sala do Capítulo coberta «pela mais arrojada abóbada de Espanha e Portugal» no dizer de Dieulafoy ou «uma das maravilhas da arquitetura medieval» segundo Bertaux; as Capelas Imperfeitas onde se destaca o pórtico e, finalmente, a Lógida, construída no reinado de D. João III, subordinada ao espírito renascentista e que, por isso, oferece um contraste um pouco violento com a ambiência gótica.

Demorou o Mosteiro da Batalha cerca de 130 anos a ficar pronto. Obra de fé que aos poucos se transformou em símbolo artístico de extraordinária importância, o Mosteiro representa assim dois pólos do caráter português: a sua perseverança e o seu génio artístico. Considerado peça única na arte arquitetónica europeia, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória da Batalha recorda de forma imorredoira os soldados que defenderam em 1385 a independência portuguesa.

História do Fórum Romano e do Coliseu de Roma

No século I antes de Jesus Cristo, o sábio romano Varrão fixou a data da fundação da cidade de Roma. No dia 21 de abril do ano 753 a.C., assim o decidiu então, foi fundada a cidade do Tibre, pelos irmãos gémeos Rómulo e Remo. Investigadores posteriores chegaram à conclusão que uma urbanização ordenada, dentro do âmbito das sete colinas de Roma, só terá tido lugar em data muito posterior. Mas, há alguns anos atrás, efetuaram-se novas escavações no coração do distrito urbano da Roma Antiga, na zona das ruínas do Fórum. Confirmou-se nessa altura que Roma já estava construída no século VII a.C.

O Fórum Romano, entre o Capitólio, o Palatino e o Esquilino, que é hoje o mais amplo campo de ruínas de Roma e um dos mais importantes do mundo, foi durante cerca de mil anos, lugar de mercado, de reunião e de justiça dos romanos. No decurso dos séculos, foi porém mudando constantemente de aspeto. Todos os soberanos de Roma que se prezavam, faziam perpetuar a sua memória mandando construir um monumento fantástico no âmbito da praça pública.

Surgiram, assim, basílicas e templos, arcos de triunfo e estátuas em honra de César, Augusto, Vespasiano, Antonino, Faustina, Tibério, Tito, Severo e outros. Ergueram-se santuários a Juno, Saturno, Castor, Vesta, Vénus, Remo e Rómulo. Aquilo que havia sido uma espaçosa praça de mercados ficou tão cheio de monumentos sumptuosos, revestidos de mármore e de ouro, que se tornou impossível reconhecer o espaçoso recinto e os imperadores foram obrigados a construir noutros lugares.

No século VI começaram a desmoronar-se os monumentos e os templos do Fórum Romano. Em parte foram transformados em igrejas cristãs, em parte foram utilizados como pedreiras. Noutros casos, o mármore foi queimado em fornos de cal. Por fim, os escombros chegaram a atingir a altura de 13 metros sobre o antigo pavimento. Quando no século XIX se iniciaram escavações para pôr a descoberto o centro da Roma Antiga, a ampla superfície servia de «campo de pasto» para as vacas.

Sorte semelhante sofreu o edifício mais importante da época imperial romana, o Anfiteatro Flávio, próximo da praça pública, e conhecido há já uns mil anos pelo nome de «Colosseum» ou Coliseu. O nome tem origem numa estátua colossal de Nero, situada próximo do gigantesco edifício. Este edifício que, com um recinto comportando 50 000 assentos, foi e é o maior teatro do mundo, acabou de ser construído no ano 80 d.C.

Durante as festividades que presidiram à sua inauguração e que duraram 100 dias, os gladiadores mataram 5 000 animais selvagens. Para gozo do povo, foram organizados combates em massa, cenas de guerra, caça às feras, batalhas navais completas e finalmente a tortura e execução pública de milhares de criminosos. «Não havia tormento ou forma de morte terrível com que o povo não se entretivesse no anfiteatro», escreveu Ludwig Friedländer.

O edifício, de quatro andares, tinha a forma de uma elipse com um eixo longitudinal de 188 metros de comprimento e transversal de 156 metros e podia cobrir-se com lonas que o protegiam do sol ou da chuva. Durante 400 anos, foi o centro romano de luta dos gladiadores. Os muros permaneceram intactos até ao ano 1000 e os romanos acreditavam na profecia de que Roma desapareceria quando o anfiteatro se abatesse. Nessa altura, o Coliseu começou a ser expoliado como pedreira. Quando se pôs fim a este delito, já só restavam ruínas. Mas ainda hoje dão uma ideia do poder e da grandeza de Roma.

Veneza: a cidade moribunda

Tem-se escrito mais sobre Veneza do que sobre a maioria das outras cidades do mundo. Em 1364, Petrarca considerou-a «rica em ouro, mas mais rica ainda em fama». Em 1786 Goethe era de opinião que esta cidade não podia comparar-se a nenhuma outra. Em 1789, Ernst Moritz Arndt aborreceu-se com os seus «aspetos e cheiros repugnantes». Em 1844, Charles Dickens entusiasma-se, dizendo que a realidade de Veneza «ultrapassava a capacidade imaginativa do sonhador mais fantasioso» e em 1913, Thomas Mann considerou Veneza «a mais inverosímil das cidades».

As origens da cidade, construída sobre 117 ilhas e ilhotas no Lido, uma lagoa protegida por um banco de areia, remontam ao século V. Naquela época, alguns dos habitantes de Aquileia, acossada pelos Hunos, refugiaram-se nas ilhas pantanosas. Este refúgio converteu-se depois num ducado com um «dux» à frente (697) e, finalmente, numa metrópole comercial com domínio marítimo, consagrada a S. Marcos, desde que em 827 foram transportados para Veneza, vindos de Alexandria, os restos mortais do Apóstolo. O duce Enrico Dandolo tomou Constantinopla em 1204.

No século XV, Veneza era o centro do comércio mundial e o maior porto do mundo, com mais de 200 000 habitantes. Os palácios, construídos segundo modelos orientais, tornaram-se cada vez mais luxuosos. Erguiam-se novos palácios, decorados por artistas como Tintoretto, Veronese, Ticiano e Giorgione. A cidade dos 150 canais e 400 pontes havia atingido o seu apogeu.

A sua decadência começou quando os turcos tomaram Constantinopla. O golpe de misericórdia foi a descoberta do caminho marítimo para a Índia, feita pelos portugueses. De um dia para o outro tornou-se possível obter em Lisboa a pimenta, pela quinta parte do preço que custava em Veneza. Enfraquecidas as relações comerciais, desaparecidos o poder e a riqueza, Veneza transformou-se numa cidade moribunda. Ainda hoje mantém essencialmente o aspeto que tinha na época do seu máximo esplendor.

Para muitos turistas, Veneza transformou-se num monumento de pedra, que deve ser visitado. Os principais pontos de atração são, além da praça de S. Marcos, enfeitada com colunas e mosaicos e cujo sino tem 99 metros de altura, o impressionante palácio ducal com as suas arcadas ogivais e, fundamentalmente, o sistema de canais com o Grande Canal, de quase 4 km de comprimento, que atravessa a cidade sob a forma de um enorme S.

Ainda hoje, no programa de todo o visitante de Veneza, figura a romântica travessia em gôndola, ainda que as gôndolas se encontrem em luta desesperada com as embarcações a motor, hoje já em muito maior número.

Theodor Fontane, que visitou Veneza em 1874, viu uma cidade maravilhosa e poética, ainda que muito suja, como uma formosa rapariga que se esqueceu de lavar o pescoço. «Precisa da luz da Lua, porque debaixo dela só se vêem metade das coisas», anotou no seu diário.

Com efeito, nem todo o luxo do passado pode esconder que Veneza é hoje uma cidade moribunda, não só do ponto de vista histórico, mas também material. Os «palazzi», construídos com alicerces de postes de madeira sobre o solo pantanoso, vão-se afundando lentamente na lagoa. Muitos deles, sobretudo os edifícios de particulares, encontram-se em estado lamentável.