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O zarolho Charlie Pankhurst

O Oeste selvagem produziu algumas personagens invulgares, mas poucas como o zarolho Charlie Pankhurst, um rijo cocheiro de diligências conhecido por mascar tabaco, beber uísque e proferir obscenidades. Quando morreu, em 1879, os amigos fizeram-lhe um funeral de arromba e descobriram então, que era uma mulher!

As viúvas hindus acompanhavam outrora os maridos na sepultura

Por toda a Índia, monumentos testemunham a devoção das viúvas hindus pelos maridos. Cada uma destas satis (mulheres virtuosas) fez o supremo gesto de expiar os próprios pecados e os do marido, e assegurar a bem-aventurança para ambos, lançando-se nas chamas da pira funerária do marido.

Não está em causa se elas se sacrificaram voluntariamente ou não. Uma mulher hindu que duvidasse do dever que esperavam que ela cumprisse podia também ter concluído que a morte era preferível à vida de proscrita que levaria se recusasse. E se, no fim, a coragem a abandonasse, não faltariam homens com varas que a empurrariam para as chamas.

Esta cerimónia remonta pelo menos ao século IV a.C. Foi uma seita hindu, a Brahmo Samaj, quem primeiro se ergueu contra as satis, e, face à oposição ortodoxa hindu, convenceu os Ingleses a proibi-las. Foram ilegalizadas na Índia britânica, mas mantiveram-se 30 anos em alguns estados governados por príncipes. E há rumores de que ainda são secretamente praticadas.

Sacrifícios humanos na ilha de Lêucade

Todos os anos, os antigos gregos da ilha de Lêucade costumavam atirar de um alto penedo um criminoso condenado à morte, como sacrifício aos deuses. Para temperar a justiça com misericórdia, atavam-lhe penas e pássaros vivos para «aligeirar» a queda. Se ele sobrevivesse, retiravam-no do mar e concediam-lhe a liberdade, na condição de deixar a ilha.

As antigas guerreiras amazonas

Dizia-se que as antigas guerreiras conhecidas por amazonas viviam à parte dos homens, visitando-os apenas durante poucos dias quando queriam engravidar. Os filhos varões eram estrangulados à nascença ou dados aos pais, e as meninas ficavam com as mães e continuavam a raça.

O telégrafo elétrico apanhou um assassino

Um assassino foi apanhado por meio do telégrafo elétrico, no Dia de Ano Novo, em 1845. Uma mulher foi encontrada morta na sua casa, em Slough, e viram o suspeito – John Tawell – apanhar um comboio para Londres. Felizmente, o primeiro serviço telegráfico público do mundo fora instalado entre Slough e Londres, em 1843, e assim a polícia pôde alertar os seus colegas em Londres, que o prenderam, sendo depois julgado, condenado e executado.

A sopa cósmica: como começou a vida na Terra?

Segundo o Livro do Génesis, «Deus viu toda a Sua obra e considerou-a muito boa». As pessoas com fortes convicções religiosas nunca tiveram dúvidas sobre as origens da vida na Terra. Embora muitos cientistas recusem a descrição bíblica da criação, uma explicação alternativa convincente ainda não foi apresentada.

Se a vida começou espontaneamente, segundo muitas teorias, o processo de criação poderia estar ainda em curso. A forma de vida mais simples é o vírus. Novas espécies estão sempre a ser descobertas, mas, como os vírus, são, julga-se, parcelas de material genético que escaparam das células de outros seres vivos, não parecendo os melhores candidatos para principais criadores de vida.

Outra teoria defende que vida e matéria sempre existiram juntas, que a vida surgira de alguma forma mesmo antes do big bang, a enorme explosão de energia com que, segundo os astrónomos, nasceu o Universo. Também esta ideia é difícil de sustentar, já que a maioria dos cientistas considera que antes do big bang toda a matéria se condensara num espaço diminuto. Nas temperaturas e pressões incrivelmente altas criadas por esta matéria densamente concentrada, nenhuma forma de vida conhecida sobreviveria.

Combinações ao acaso

Por fim, a vida pode ser um acidente, criado na Terra (e talvez em planetas de outros sistemas solares) por reações químicas ao acaso. Tal noção é apoiada por provas experimentais. Os aminoácidos, que formam as proteínas, base da vida, podem ser criados em laboratório fazendo passar descargas elétricas – relâmpagos artificiais – numa mistura de metano, hidrogénio, amoníaco e vapor de água. Na década de 50, cientistas da Universidade Estatal da Flórida obtiveram 13 aminoácidos diferentes a partir de misturas de gases semelhantes, usando o calor – temperaturas rondando os 1000ºC – e não a eletricidade como fonte de energia.

Os cientistas admitiam que o metano e o amoníaco eram constituintes importantes da atmosfera primitiva da Terra, mas muitos acreditam agora que ela consistia sobretudo em dióxido de carbono, azoto e água, com quantidades menores de hidrogénio e monóxido de carbono. No Japão, os investigadores bombardearam recentemente uma mistura de monóxido de carbono, água e azoto com partículas atómicas de alta energia – os protões. Isto simulava a radiação emitida por chamas solares, vagas periódicas de energia intensa em pontos da superfície do Sol. Foram produzidas grandes quantidades de aminoácidos e também alguns ácidos nucleicos, os produtos químicos que possibilitam a reprodução das células vivas.

Assim, os ingredientes orgânicos básicos da vida podem ter sido gerados na sopa do espesso nevoeiro de gases que rodeavam a Terra, mas estamos ainda longe de descobrir como tais ingredientes, se Deus não providenciou «o sopro da vida», se organizaram em seres vivos.

Advogados nos Estados Unidos

Sabia que dois terços dos advogados do mundo vivem nos Estados Unidos? Los Angeles tem mais juízes do que a França inteira, e em Washington há um advogado para cada 25 membros da população.

Orelhas cortadas e pregadas no pelourinho

Pelourinhos e cepos eram frequentes nas praças dos mercados por toda a Europa. Aos infractores menores atiravam frutos e legumes. Criminosos mais perigosos podiam ser pregados pelas orelhas, que seriam depois cortadas e deixadas penduradas no pelourinho.

Quando William Prynne, advogado inglês, escreveu um livro controverso, em 1633, foi multado em 5000 libras, proibido de exercer a advocacia e sofreu «a perda de ambas as orelhas no pelourinho».

Um escritor famoso também vítima desse castigo foi Daniel Defoe, autor de Robinson Crusoe. Foi condenado três vezes ao pelourinho por escrever um panfleto a favor dos direitos dos dissidentes contra a Igreja. Mas o povo estava do seu lado: atiraram-lhe flores em vez de frutos.

Criação de cisnes para alimentação

Embora os perus tenham sido importados da América no século XVI, a ave dos dias de festa continuou a ser, para os Ingleses, o ganso. Mas à mesa dos reis e da nobreza esta iguaria era considerada demasiado modesta e o prato dos grandes banquetes era o cisne.

Só o rei e os ricos proprietários de terras podiam criar cisnes, que eram marcados no bico para se saber a quem pertenciam. Quase não havia cisnes brancos selvagens no reino, visto que lhes eram regularmente aparadas as asas.

Apesar disso, não eram completamente domesticados como as outras aves de capoeira; eram livres de nadar onde quisessem e todos os anos havia acasalamentos entre aves de bandos diferentes no mesmo rio.

O «real encarregado dos cisnes» e os ajudantes percorriam o país, resolvendo conflitos relacionados com a posse das novas ninhadas de cisnes.

Espaço vital

No século XVIII, a criação de cisnes foi gradualmente declinando, em grande parte porque dão muito mais trabalho a criar do que os gansos ou os perus – requerem muito espaço, incluindo um perímetro de água, e são difíceis de lidar e agressivos.

Hoje em dia, só os cisnes do Tamisa têm dono – ou são da rainha ou de duas associações tradicionais da City de Londres: a dos Tintureiros e a dos Taberneiros.

Todos os anos, em julho, há um recenseamento dos cisnes do Tamisa: os jovens cisnes são reunidos, as asas aparadas e os bicos marcados – só as aves reais são deixadas sem marca.

Presentemente na Grã-Bretanha, exceto no Tamisa, todos os cisnes são selvagens.