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Uma mala à prova de água

O salvamento de náufragos era uma ideia dominante na era vitoriana que inspirou numerosas invenções excêntricas e impraticáveis, uma das quais com possibilidade práticas de utilização – a mala-cinto de salvação.

Inventada por um alemão de nome Krenkel na década de 1880, a mala apresentava painéis circulares na tampa e na base, que podiam ser rapidamente retirados. O utente introduzia então na cavidade um vedante de borracha à prova de água e ajustava seguidamente a mala em torno do corpo.

Tal dispositivo manteria, provavelmente, quem o utilizasse a flutuar durante algumas horas. Apresentava ainda a vantagem de permitir a um cavalheiro descobrir-se cerimoniosamente, saudando qualquer dama que passasse a flutuar nas proximidades.

O homem que vivia adiantado

William Strachey passou a maior parte da sua vida seis horas adiantado em relação ao tempo normal. Depois de passar cinco anos na Índia, regressou a Inglaterra e decidiu não atrasar o relógio.

Durante a sua estada na Índia, Strachey, tio do escritor inglês Lytton Strachey, decidiu que apenas os relógios de Calcutá eram exatos. Até ao fim dos seus dias viveu orientando-se obstinadamente pela hora de Calcutá, seis horas adiantada em relação à de Greenwich.

Passou 56 anos a levantar-se a meio da noite e a deitar-se quando os outros ingleses tomavam o chá das cinco.

A fechadura de Bramah

Um dos inventores mais prolíficos do século XVIII foi Joseph Bramah, filho de um agricultor do Yorkshire. Entre os seus inventos contam-se as bombas para cerveja, um tipo de WC, uma máquina para numerar notas de banco – e a sua famosa fechadura. Bramah registou a patente da fechadura em 1784 – 11 anos depois de ter percorrido a pé os 270 quilómetros que ligam o Yorkshire a Londres, à procura de um meio de vida.

A fechadura de Bramah constituiu uma revolução no referente a medidas de segurança. Até então, qualquer fechadura, económica ou dispendiosa, podia ser forçada por qualquer pessoa dotada de alguma habilidade. Bramah afirmou que a sua fechadura, em forma de cilindro, com 494 milhões de combinações possíveis, era completamente à prova de ladrões.

Estava de tal modo seguro da sua invenção que ofereceu o prémio de 200 guinéus a quem a conseguisse abrir. O prémio não foi reclamado durante 67 anos, até que um serralheiro americano, Alfred Charles Hobbs, finalmente conseguiu abri-la – depois de nela trabalhar durante um mês. No entanto, a concepção a que obedecia a fechadura de Bramah revelou-se tão eficiente que ainda hoje é aplicada.

Só se deixam hipnotizar as pessoas de espírito débil?

Na realidade, as pessoas de espírito débil desprovidas de personalidade forte são as menos susceptíveis de hipnose. As mais hipnotizáveis são aquelas capazes de canalizarem os seus pensamentos numa direção específica – um atributo que denota uma elevada inteligência.

Outra ideia errónea é a suposição de que uma pessoa pode ser hipnotizada inconscientemente ou coactivamente, quando de facto a hipnose não pode ser praticada sem a cooperação do paciente, que não é sequer possível persuadir a executar qualquer acto que normalmente lhe repugne ou seja estranho aos seus hábitos.

As ratazanas sagradas de Karai Ma

Mais de 100.000 ratazanas pululam no pátio de mármore de um templo próximo da cidade de Bikaner, no estado indiano do Rajastão. Karai Ma, a deusa a quem o templo é dedicado, é também a patrona de uma casta de poetas profissionais denominados charans.

Segundo a lenda, sempre que um charan morre, regressa ao templo sob a forma de ratazana, e todas as ratazanas que morrem no templo regressam à vida como charans.

Se uma das ratazanas do templo rasteja sobre a cabeça de um poeta absorto nas suas orações, este será particularmente inspirado nas obras poéticas que futuramente realizar. Mas se alguém, acidentalmente, pisar uma ratazana e em consequência a matar, será obrigado a pagar o mesmo peso, em prata, do do poeta morto que fora venerar.

O fogo eterno da Austrália

Há milhares de anos que na região do Vale do Caçador, em Nova Gales do Sul, 24 quilómetros a norte de Scone, o fogo que nunca se extingue devora uma montanha australiana.

Os primeiros exploradores pensaram que a coluna de fumo provinha de um vulcão; investigações posteriores, porém, demonstraram que o fumo era provocado por um veio de carvão que ardia 150 metros abaixo da superfície.

Pensa-se que há cerca de 2000 anos caiu sobre a face exposta do veio de carvão uma árvore incendiada, atingida talvez por um raio, que pegou fogo ao carvão; ao longo dos anos, o veio tem sido lentamente consumido pelo fogo, que arde sem chama.

Outra teoria é a de que o veio se incendiou por combustão espontânea – através do calor gerado pela oxidação de pirites de enxofre.

Os aborígenes receiam o local, embora o associem ao criador Bhaiami e ao seu medianeiro terrestre, Turramulan, que fala através do fumo.

O eremita que apreciava cerveja

Tal como vários outros ingleses do século XVIII, o honourable Charles Hamilton sentiu que a paisagem da sua propriedade estaria incompleta sem a presença melancólica de um eremita. Consequentemente, mandou construir, entre as raízes nodosas das árvores, um retiro apropriado, que anunciou nos jornais.

O candidato escolhido receberia uma bíblia, óculos, alimentação e água, uma esteira e uma túnica. Não devia cortar o cabelo, nem as unhas, nem a barba, nem falar a ninguém durante sete anos, ao fim dos quais receberia 700 libras.

O homem que obteve o lugar, porém, apenas o preencheu durante três semanas, sob o pretexto de que se sentia muito só. Aparentemente, era um grande apreciador de cerveja, para o qual a perspectiva de 7 anos exclusivamente a água se tornou insuportável.

Voltar o polegar para baixo era sinal de morte na arena romana?

Um quadro da autoria do pintor francês Jean Léon Gérôme (1824-1904), exposto pela primeira vez em 1873 e que se difundiu largamente sob a forma de gravura, representa um imperador romano com o polegar virado para baixo, indicando assim ao gladiador que matasse o seu oponente caído. Reside eventualmente neste quadro a origem da lenda sobre o gesto, pois, tanto quanto se sabe, o polegar voltado para baixo aparentemente não exprimia o desejo de morte.

Uma tradução feita em 1693 das Sátiras, de Juvenal (60-128 d.C.), transcreve a frase «onde com polegares dobrados para trás a plebe mata». O latinista John Mayor, na sua edição de 1853 da obra de Juvenal, explicava: «Aqueles que desejam a morte do gladiador vencido voltavam os polegares em direção ao peito, como sinal ao seu oponente para o trespassar com a espada; aqueles que desejavam que ele fosse poupado voltavam os polegares para baixo, indicando que a espada deveria cair.»

Os imperadores romanos consultavam previamente os espectadores antes de darem o sinal de vida ou morte a um gladiador vitorioso.

As aves que participaram na guerra

Um dos heróis condecorados na I Guerra Mundial foi um pombo que transportou mensagens vitais através do fogo de artilharia que cercava Verdun em 1916. A ave – uma dos milhares de aves utilizadas pelos Franceses –, que encontrou a morte após uma viagem arriscada, recebeu a Legião de Honra, a título póstumo, pela sua coragem.

Na II Guerra Mundial, aviões britânicos lançaram de paraquedas caixas com pombos-correios na retaguarda das linhas inimigas, que foram utilizados pelos combatentes da Resistência para enviarem mensagens para Londres.

Como os caracóis ajudam a salvar vidas

O vulgar caracol de jardim põe cerca de 30 ovos por ano, cada um dos quais, do tamanho de uma grande cabeça de alfinete, pode revelar-se fundamental para salvar vidas humanas.

O ovo de caracol é uma fonte economicamente acessível, rapidamente disponível e segura, de um produto químico utilizado para determinar grupos sanguíneos.

Normalmente, a quantidade contida num único ovo de caracol equivale à que é possível extrair do sangue de cinco dadores. O conteúdo do ovo é extraído e dissolvido numa solução salina.