Skip to content

História da Peste Negra em Portugal

Várias pandemias de peste negra, conhecida também como peste bubónica, assolaram Portugal recorrentemente, em cada geração, desde 1348 a 1899, se bem que no século XIX as epidemias em terras lusas foram mais raras. No entanto, a pior e a mais terrível, aconteceu em 1348.

Depois de provocar uma grande mortandade na Ásia, a peste negra chegou à Europa em 1347 e no ano seguinte a Portugal. No nosso país, ocorreram alguns casos na primavera de 1348, mas ainda ninguém a reconhecia como uma doença nova ou temível devido aos poucos casos. Mas isto mudou a partir de setembro desse mesmo ano.

De setembro a dezembro de 1348 a peste negra demonstrou toda a sua malignidade. Em apenas três meses, de um terço a metade da população portuguesa sucumbiu devido à bactéria Yersinia pestis, que se encontrava nos intestinos das pulgas que eram transportadas por ratos, pulgas essas que ao morderem a sua vítima injetavam a bactéria no organismo do pobre coitado que a recebia.

Quando a bactéria ficava apenas no gânglios linfáticos, recebia o nome de peste bubónica devido aos famosos bubões, que eram inchaços dolorosos no pescoço, axilas ou virilhas da vítima; a peste septicémica ocorria quando a bactéria entrava na circulação sanguínea, causando hemorragias internas, que se manifestavam como manchas negras na pele; e, finalmente, a peste pneumónica quando o microorganismo se movia para os pulmões, a morte era 100% garantida, e no processo a bactéria espalhava-se mais facilmente, através da tosse e espirros, de pessoa para pessoa.

A morte por peste negra era horrível: intensas dores de cabeça, dores musculares intoleráveis, inchaços dolorosos, hemorragias internas, morte de tecidos e da pele, diarreia, etc. A bubónica matava no espaço de uma semana, a septicémica em menos tempo ainda e a pneumónica em apenas 2/3 dias. Nesta última condição, a vítima não chegava a formar bubões ou a desenvolver outros sintomas, ela simplesmente estava bem num dia e passados dois dias já se encontraria debaixo da terra, provavelmente numa das muitas valas comuns.

De setembro a dezembro de 1348, a peste negra arrasou Portugal. Depois, no fim de dezembro, desapareceu tão subitamente como surgiu. Pelo caminho, deixou um país com campos desertos, cidades desorientadas, histeria coletiva e muitas interrogações. Durante esse trimestre, caminhantes eram linchados pelo povo, acusados de contagiar outros, judeus foram queimados vivos e criminosos agiam a seu bel prazer, perante uma justiça congelada devido à alta taxa de mortalidade de guardas reais, advogados e juízos. Basicamente, cada comunidade defendia a sua terra de gente estranha à mesma, as milícias populares tornaram-se comuns.

Muitas pessoas distintas pereceram, a peste negra não escolhia as suas vítimas. Felizmente, o rei D. Afonso IV e o príncipe D. Pedro I sobreviveram. Mais tarde, na peste de 1438, o monarca D. Duarte não teria tanta sorte. Mas mesmo assim, na primeira mortandade, a de 1348, vários aristocratas e mesmo familiares do quarto Afonso foram dizimados pela peste.

A grande mortandade mudou Portugal. Os camponeses pediram salários mais elevados depois da peste passar, devido à falta de mão de obra, a nobreza viu os seus rendimentos diminuírem e, consequentemente, a família real centralizou ainda mais o poder nas suas mãos. O reinado de D. Pedro I, um monarca proto-absolutista, indica claramente que a nobreza viu o seu poder ser diminuído.

A peste voltaria de geração em geração, mas nunca com a mortandade tão elevada como a calamidade do final de 1348. Destaque para a peste negra de 1569, que ceifou só em Lisboa 60 mil almas, e para muitas outras que igualmente devastaram as populações. A peste de 1899, que afetou principalmente a cidade do Porto, foi a última digna de nota, sendo que mais tarde, com a criação dos antibióticos, a bactéria maldita foi derrotada, mas ainda não exterminada da face da terra.

Trackbacks

Nenhuns Trackbacks

Comentários

Exibir comentários como Sequencial | Discussão

Nenhum comentário

Adicionar Comentários

Les adresses Email ne sont pas affichées, et sont seulement utilisées pour la communication.

Para evitar o spam por robots automatizados (spambots), agradecemos que introduza os caracteres que vê abaixo no campo de formulário para esse efeito. Certifique-se que o seu navegador gere e aceita cookies, caso contrário o seu comentário não poderá ser registado.
CAPTCHA

Form options