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A verdade acerca de Vénus

Embora Vénus se encontre consideravelmente mais perto do Sol do que a Terra – respetivamente 107 e 149 milhões de quilómetros –, a sua superfície é protegida do calor escaldante por uma nuvem densa e permanente. Apenas há 100 anos os astrónomos imaginavam, sob esta nuvem, um planeta palpitante de vida: uma espécie de floresta tropical e saturada de vapor, que alguns astrónomos mais imaginativos viam percorrida por monstros semelhantes a dinossauros, enquanto outros interpretavam o halo luminoso que por vezes se avista em torno de Vénus como o brilho de cidades durante a noite.

Agora que as nuvens venusianas foram atravessadas por sondas espaciais norte-americanas e russas, as construções fantasistas ruíram, vindo a provar-se que a realidade é muito diferente. O planeta, cuja temperatura à superfície é de 500ºC, está envolvido por um gás venenoso, o dióxido de carbono. Poeiras e cristais de gelo fundem-se conjuntamente num smog amarelado, que só ocasionalmente é atravessado por uma pálida luz solar, que empresta às rochas um brilho avermelhado.

Em torno tudo é areia juncada de calhaus, que as constantes tempestades de pó moldaram em formas estranhas. O calor asfixiante não permite o desenvolvimento de qualquer espécie de vida conhecida. As partículas de gelo existentes na nuvem derretem-se e transformam-se em vapor muito antes de, sob a forma de chuva, poderem cair na superfície do planeta.

As dimensões de Vénus, cujo diâmetro é de 12 320 km e cuja força de gravidade é ligeiramente inferior à da Terra, quase equivalem às deste planeta, com um diâmetro de 12 681 km. O movimento de rotação de ambos os astros processa-se em sentidos opostos, pelo que um homem a quem fosse dado aterrar em Vénus e descortinar o Sol através da nuvem de smog que o encobre veria esta estrela nascer a oeste e pôr-se a leste. Não existem estações em Vénus, e como o planeta necessita de 243 dias para completar um movimento de rotação e apenas de 224,7 dias para descrever uma órbita em torno do Sol, um dia venusiano é mais longo do que um ano.

Um dos problemas de mais difícil resolução que os cientistas teriam de enfrentar antes de lhes ser possível ventilar sequer a hipótese da possibilidade de concretização de um voo de 3 meses até Vénus seria o da enorme pressão atmosférica de 105,4 kg/cm², 100 vezes superior à exercida pela atmosfera terrestre. Assim, mesmo que um astronauta pudesse sobreviver a todos os outros perigos, seria mortalmente esmagado, a menos que dispusesse de equipamento de proteção adequado.

Apesar do caráter pouco atraente da realidade sobre Vénus revelada pelos astrónomos modernos, este planeta desde sempre excitou as imaginações fantasiosas. Mas só se o seu permanente invólucro de nuvens se dispersasse, permitindo à água atingir a superfície e libertar oxigénio na atmosfera, se tornaria possível que este sombrio inferno sem vida sofresse uma transformação, aproximando-se de algum modo do sonho de muitos dos escritores de ficção científica.

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