Skip to content

Porquê Neandertal?

Ao atravessar um extenso vale verdejante na zona industrial do Ruhr, na Alemanha Ocidental, qualquer motorista poderia esperar encontrar homens das cavernas, de arcadas supraciliares protuberantes, perseguindo mamutes ou arrastando mulheres pelo cabelo, pois uma tabuleta rodoviária apresenta a seguinte indicação: «Neandertal.»

Foi no vale de Neander que, em 1856, foram encontrados ossos do homem de Neandertal – um elo que faltava na cadeia evolutiva entre o macaco e o homem.

Esses ossos foram desenterrados de uma pedreira por alguns trabalhadores, que, pensando que pertenciam ao esqueleto de um urso, os ofereceram a um professor da escola secundária local, Johann Fuhlrott. Quando este começou a reconstituir o esqueleto, compreendeu que os ossos pertenciam a um ser que normalmente caminhava ereto e que parecia consideravelmente mais avançado do que o gigantesco gorila africano, então recentemente descoberto.

Fuhlrott concluiu que esse animal representava um estádio intermédio entre os macacos e o homem e vivera 85 000 a 65 000 anos antes. Mas nos meados do século XIX era considerado blasfémia sugerir que o homem provinha do macaco. Segundo a Bíblia, interpretada literalmente, Adão e os animais tinham sido criados separadamente.

Fuhlrott mostrou as suas descobertas ao eminente antropólogo alemão Hermann Schaafhausen, de Bona. Estupefato, este exibiu o esqueleto numa reunião de cientistas que se realizou em Kassel, em 1857.

O relatório que Fuhlrott apresentou no encontro suscitou apenas o desprezo e a troça. O seu principal oponente era Rudolf Virchow, médico e antropólogo, que declarou que os ossos de Neandertal, embora de uma estrutura invulgarmente pesada, haviam pertencido a algum ser deformado pelo raquitismo.

Em 1859 o mundo da ciência foi abalado quando Charles Darwin publicou A Origem das Espécies, defendendo o evolucionismo e até certo ponto justificando a ideia de Fuhlrott do elo que faltava na cadeia evolutiva.

Virchow e os seus adeptos encontravam-se entre os milhares de cientistas de todo o mundo cujas teorias ruíram devido aos princípios enunciados por Darwin e à descoberta de restos ósseos semelhantes aos do homem de Neandertal, de Fuhlrott, em Gibraltar, França, Boémia e Morávia.

Provou-se que todas estas descobertas pertenciam ao último período interglaciário, que terminou há cerca de 65 000 anos.

Fuhlrott estava vingado... mas havia morrido. No entanto, em sua memória, o elo perdido que ele ajudou a identificar mantém o nome de Neandertal, o vale próximo do seu túmulo.

Trackbacks

Nenhuns Trackbacks

Comentários

Exibir comentários como Sequencial | Discussão

Nenhum comentário

Adicionar Comentários

Les adresses Email ne sont pas affichées, et sont seulement utilisées pour la communication.

Para evitar o spam por robots automatizados (spambots), agradecemos que introduza os caracteres que vê abaixo no campo de formulário para esse efeito. Certifique-se que o seu navegador gere e aceita cookies, caso contrário o seu comentário não poderá ser registado.
CAPTCHA

Form options