Barbeiros contra Bárbaros

Os antigos Romanos, com os rostos barbeados e o cabelo curto, consideravam-se a raça mais bem cuidada. Franziam o sobrolho às barbas ondeadas e efeminadas dos Gregos, mas reservavam a verdadeira aversão para os «bárbaros» – segundo a sua definição, os estrangeiros que usavam barba e cabelo comprido.

Um cabelo mal cuidado, argumentavam os Romanos, significava um povo não civilizado. Os cidadãos ricos mandavam os escravos cortar-lhes o cabelo, enquanto os menos abastados iam às barbearias – as primeiras foram criadas por sicilianos em 454 a.C. No entanto, nem todos os romanos rapavam sempre a barba: os filósofos e os homens de luto recente costumavam deixá-las crescer até ao peito.

Contrariamente aos preconceitos dos Romanos, as chamadas tribos bárbaras – entre elas os Godos, os Saxões e os Gauleses da Europa Ocidental – cuidavam muito do cabelo, dos compridos bigodes e das barbas. Usavam gordura de cabra e cinzas de madeira de faia para dar ao cabelo uma cor vermelha brilhante. Os reis germanos do início da era cristã empoavam o cabelo e as barbas com ouro em pó e enfeitavam-nos com pedras preciosas.

Não só um capricho da moda

Várias superstições podem ter estado na origem da relutância dos «bárbaros» em cortar o cabelo. Acreditavam, por exemplo, que a cabeça era a sede do «espírito protetor», que receavam perturbar ou magoar ao raparem ou cortarem o cabelo.

Durante a Idade Média, barbas e bigodes estiveram e deixaram de estar em moda em rápida alternância. Forte oposição veio da Igreja Católica Romana, que emitiu éditos banindo as barbas, embora nunca conseguisse impor essas determinações aos laicos.

No fim do século XIV, todavia, as barbas já não estavam na moda. Um motivo para esta mudança pode ter sido a crescente disponibilidade do sabão, que tornava o barbear mais fácil; outro, foi a introdução de um novo tipo de capacete com um penacho, que não apertava bem sobre a barba.

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