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Mar Morto: o ponto mais baixo da Terra

«Um suicida que se quisesse afogar – escreveu M. Y. Bengavriêl – não poderia concretizar tal intenção no Mar Morto, pois que as suas águas, compostas de cloreto de magnésio, cloreto de cálcio e cloreto de sódio, não deixariam que o corpo se afundasse. O sal não se dissolve nesta água, onde não há nenhum peixe e onde nenhum molusco pode viver.»

De acordo com o relato da Bíblia, as cidades de Sodoma e Gomorra desapareceram em tempos nas ondas do «mar salgado», sob uma chuva terrificante. Os anjos só avisaram do perigo iminente dois habitantes de Sodoma: Lot, filho de Aarão e sobrinho de Abraão, e sua mulher. A ambos foi concedido fugir a tempo, com a condição de não se voltarem para trás durante a fuga. A mulher de Lot não conseguiu resistir à tentação e ficou transformada numa estátua de sal.

Os Árabes conhecem esta história pela sua escritura sagrada, o Corão. Eles chamam ao Mar Morto o «Bahr Lut», mar de Lot.

Na realidade, o Mar Morto não é um mar, mas sim um lago. A sua superfície de 980 km² está 392 metros abaixo do nível do mar sendo, portanto, a mais funda depressão do mundo. O seu único afluente de importância é o Jordão, cujo receptáculo de desembocadura é o Mar Morto. Nunca esteve em contato com o mar aberto. A depressão, que no fundo do lago mede 793 metros de profundidade, formou-se provavelmente entre os períodos terciário e quaternário, enchendo-se de água durante as épocas glaciares.

Atualmente o Mar Morto, em cujas margens se têm construído modernos hotéis, é um centro de atração do turismo internacional e, ao mesmo tempo, uma fonte de matéria prima da máxima importância, pois as fábricas ali instaladas aproveitam o elevado conteúdo de sal da água. Por outro lado, o lugar histórico ganhou uma nova importância, quando se encontraram entre as ruínas de Cumran os famosos manuscritos do Mar Morto, textos do Antigo Testamento e escritos da comunidade esénia de Cumran.

Santa Sofia: templo da sabedoria divina

Santa Sofia domina a silhueta de Istambul como uma poderosa cidadela. Durante milénio e meio, ela foi cantada e admirada como maravilha do mundo; um monumento da grande cultura humana, como até agora a humanidade não voltou a ter outro.

Para o visitante de hoje, é difícil descobrir, atrás da aparência exterior da igreja, o brilho perdido da áurea Bizâncio. O destino volúvel da Santa Sofia – de igreja cristã a mesquita islâmica e a museu atualmente – deixou atrás de si e em todos os lados, os vestígios em forma de modificações e de coisas que lhe foram adicionadas.

A magnífica cúpula principal, cuja clave se eleva a 56 metros acima da nave do templo, é a única coisa que nada perdeu da sua graça e dignidade. Serviu de exemplo para a construção de numerosas mesquitas orientais e catedrais do ocidente.

O imperador Constantino foi o primeiro a construir uma igreja no lugar da atual Sofia, quando em 336 fez de Bizâncio, com o novo nome de Constantinopla, a capital do seu império romano-oriental. Chamou-lhe «meggale ekklesia», grande igreja. Duzentos anos mais tarde, esta igreja e com ela a maior parte de Constantinopla, foi pasto das chamas durante um levantamento contra o imperador Justiniano (527-556).

Justiniano reconstruiu a igreja, maior e mais bela do que nunca. Os projetos foram de Thenio de Trelles e de Isidoro de Mileto, os mais famosos arquitetos da Roma oriental. Mas o imperador intrometia-se nas obras frequentemente, com conselhos e mesmo atualizações. «Um anjo mostra-lhe os planos durante o sono», dizia o povo.

As obras custaram 180 quintais de ouro. Milhares de operários transportaram durante seis anos todas as riquezas do império oriental, o mais belo mármore, as mais magníficas colunas. As paredes eram cobertas de mosaicos de ouro.

A Santa Sofia («Sabedoria divina»), quando acabada, tornou-se o santuário da cristandade oriental. Continuou a sê-lo até que os Turcos, em 1453, conquistaram Constantinopla, que desde aí se chama Istambul. Para tristeza de todo o mundo cristão, a igreja foi transformada em mesquita. Em 1954, Kemal Atatürk decretou que Santa Sofia seria um museu.

«Religiosidade e decoração, forma e cor, luz e lenda combinam-se, dissociam-se e sobrepõem-se em Santa Sofia, de uma forma incomparável», escreveu o professor Dr. Nastainczyk. «Como edifício, revela a transparência eucarística de todo o terreno e na sua história a coincidência escatológica da fé vivida.»

O labirinto kárstico das grutas de Postoyna

O Karst cobre uma terça parte da superfície da antiga Jugoslávia. Esta região, com as suas milhares de covas, sinuosidades e rios subterrâneos, ocupa o território desde o Triglav até às montanhas da Albânia.

O Karst já foi comparado com uma imensa esponja petrificada. Esta camada de 300 metros de espessura é atravessada por passeios intermináveis, que absorvem toda a água da superfície.

No Karst há rios inteiros que desaparecem sob o solo, criando túneis, grutas e abismos na rocha, caindo em cataratas e desaguando no mar Adriático.

As grutas de Postoyna, antigamente chamadas grutas de Adelsberg, devem a sua existência ao rio Pivka, que como rio subterrâneo típico, tornou oco o interior do Karst. Ao filtrar a sua água, rica em calcário, criou um verdadeiro labirinto de fantásticas formações de estalactites.

Colunas e cortinas, estalactites e estalagmites construíram salas magníficas. Foram explorados cerca de 23 quilómetros, mas a gruta de Postoyna, já conhecida na Antiguidade e uma das maiores do mundo, guarda ainda, sem dúvida, mais do que uma surpresa.

Num pequeno comboio elétrico, podem ver-se as salas mais belas que têm nomes do «mundo superior», «Catedral», «Gruta do Paraíso», «Sala de Baile». Na «Sala do Congresso», reuniram-se os exploradores; na «Sala Grande», pode-se ver, à luz dos focos, o Proteu das Grutas, uma espécie de batráquio que nunca sai à luz do sol (e que por isso é cego).

Buracos negros: recuo no tempo até outro universo

Uma teoria capaz de gerar confusão na mente humana é a de que um homem que alguma vez penetrasse num buraco negro e evitasse a destruição poderia encontrar-se noutro universo recuando no tempo. Esta ideia é baseada no facto de um buraco negro parecer comportar-se como o resto do Universo, mas ao inverso.

Enquanto este se expande constantemente para o exterior, um buraco negro sofre uma implosão contínua, recuando para o interior de si mesmo. E, embora a ciência possa explicar um processo de compressão da matéria que a reduza a uma cabeça de alfinete de uma densidade incalculável, não pode explicar o seu desaparecimento completo. Assim, da mesma maneira que o Universo representa um processo de expansão para o exterior aparentemente infindável, também o buraco negro representa a expansão para o interior sem um limite calculável.

Foi sugerida a existência de um buraco negro na nossa galáxia, algo que veio a ser confirmado; e alguns cientistas consideram mesmo a hipótese de existência de um desses corpos celestes, de dimensões reduzidas, no meio do Sol que afete a produção solar de algumas espécies de radiações.

De acordo com algumas teorias, o homem poderia utilizar o buraco negro na produção de energia que satisfizesse os seus próprios objetivos, dirigindo matéria na sua direção e armazenando a energia gravitacional expelida pelo buraco negro quando este a absorvesse. O buraco negro exerceria assim as funções de uma espécie de incinerador cósmico, produzindo energia sempre que nele fosse lançada matéria terráquea.

Apenas uma coisa é certa: os buracos negros são uma das noções mais intrigantes que chamaram a atenção do homem neste século e que ocuparão os pensamentos dos astrónomos nos próximos anos.

Lord Cornbury: o governador que usava trajes femininos

A aristocrata elegantemente vestida que presidiu à abertura da Assembleia de Nova Iorque em 1702, em nome da rainha Ana da Grã-Bretanha, estava de facto magnificente. Assombrados, os espectadores admiravam o vestido extravagantemente armado, a cabeleira elegante e o leque delicado. Surpreendentemente, esta personagem sobre a qual recaíam as atenções, trajando rigorosamente à moda, era Lord Cornbury – o governador da cidade.

Quando outras entidades presentes à cerimónia se queixaram, ofendidas e chocadas, de que o representante da rainha os ridicularizara, este respondeu: «Sois estúpidos se não compreendeis a razão do meu comportamento. Neste lugar e nesta ocasião eu represento uma mulher, e devo, sob todos os aspectos, representá-la o mais fielmente possível.»

Por nomeação real

Lord Cornbury foi severamente acusado por alguns dos seus contemporâneos de prejudicar mais gravemente o domínio inglês na América do que qualquer outro representante real.

Foram-lhe atribuídos os cargos de capitão-general e governador-geral de Nova Iorque e Nova Jérsia apenas por ser primo da rainha, mas era totalmente ineficaz como administrador. Na sua vida particular existia um curioso paradoxo: embora esbanjasse dinheiro com prodigalidade, era tão mesquinho com a mulher que esta se via obrigada a roubar.

Mas a mais notável das excentricidades do par do reino era o seu hábito frequente de se vestir como mulher. Alguns dos seus amigos mais íntimos afirmavam que ele cumpria um voto misterioso, usando apenas roupa feminina um mês em cada ano. Outros alegavam que o verdadeiro motivo a que obedecia era a sua convicção de que se parecia com a rainha. A explicação mais largamente aceite era a de que, quando a rainha o nomeara para a representar na América, aceitara o encargo absolutamente à letra.

Uma mulher que com ele travou conhecimento em Nova Iorque afirmou: «Era um homem corpulento, que se via frequentemente nas ruas à noite, usando saias de balão e cabeleira.»

Um homem escreveu sobre Lord Cornbury nos seguintes termos: «É um perdulário, um corrupto, um opressor fanático, um louco bêbado e inútil.» Outro declarou a seu respeito: «É um gastador frívolo, um trapaceiro imprudente e um incompetente detestável.»

Em 1708 Lord Cornbury foi mandado regressar a Inglaterra, mas foi detido e conservado preso até pagar as suas dívidas. Os seus talentos, porém, acabaram finalmente por ser reconhecidos. Em 1711 foi nomeado membro do conselho privado de Sua Majestade.

Origem das árvores de Natal

O reformador protestante do século XVI Martinho Lutero foi uma das primeiras pessoas a ter em casa, no Natal, uma árvore iluminada por velas. O seu propósito era apenas iluminar a casa. Mas o culto da árvore tem raízes muito mais profundas na história alemã.

Nos tempos pagãos, as árvores eram consideradas símbolos da fertilidade, pois as suas folhas rebentavam após o inverno, facto, provavelmente, em função do qual a árvore se converteu num símbolo da celebração do nascimento de Cristo.

A escolha recaiu, possivelmente, sobre o abeto e o pinheiro, porque estas árvores se encontram verdes na altura própria e devido também às suas formas, que lembram um campanário.

Origem das facas de mesa

Durante as refeições, e até ao século XVIII, os comensais serviam-se de punhais pontiagudos, altura em que o cardeal Richelieu, incomodado por ver os cortesãos utilizarem-nos para se palitarem, ordenou que as pontas fossem arredondadas.

Quem foi Amácio Mazzaropi que é homenageado com um Google Doodle

O Google Doodle de hoje, ilustrado pelo artista convidado brasileiro Arthur Vergani, comemora o ator, roteirista, produtor e diretor brasileiro Amácio Mazzaropi (1912-1981) em seu aniversário de 109 anos. Por meio de seu papel marcante como o querido personagem 'Jeca Tatu', Mazzaropi usou o humor para abordar temas sérios e tornou-se uma figura do cinema brasileiro.

Nascido em 9 de abril de 1912 em São Paulo, Mazzaropi passou a infância visitando a casa de campo de seu avô, o que influenciou a personagem no ecrã que posteriormente desenvolveu. Na adolescência, o futuro ícone da comédia brasileira saiu de casa para trabalhar no Circo La Paz, um circo itinerante. Foi aí que teve a ideia de atuar como caipira, materializado na futura atuação de Marazzaropi como o personagem de Monteiro Lobato, Jeca Tatu.

Mazzaropi produziu conteúdo para rádio e televisão por muitos anos antes de estrear em seu primeiro filme, 'Sai da Frente' (1952). Com a carreira cinematográfica em alta, e após vários outros papéis, Mazzaropi comprou a Fazenda Santa, uma fazenda que virou estúdio e que também serviu de locação para muitos de seus filmes. Foi aqui que Mazzaropi abriu sua própria produtora em 1958. Mazzaropi teceu comentários sociais em linguagem simples e cobriu assuntos importantes com grande efeito, o que levou o público a afluir para suas produções por mais de 20 anos.

Curiosamente, enquanto Mazzaropi se tornou um dos atores cómicos mais aclamados do Brasil, ele também foi um grande fornecedor de leite para Leites Paulista. Hoje, a Fazenda Santa é o Hotel Fazenda Mazzaropi, sede do Museu Mazzaropi, que possui um acervo com mais de 20.000 itens.

Poder e influência da Guarda Pretoriana na sucessão imperial

Enquanto o trono imperial na Roma Antiga balançava com intrigas cada vez maiores, a Guarda Pretoriana tornou-se um fator importante nas conspirações para usurpar a posição do imperador. Em 41 d.C., Cláudio, após o assassinato de seu predecessor Calígula pela Guarda Pretoriana (cujos oficiais foram humilhados por ele), comprou a lealdade dos pretorianos distribuindo grandes somas em dinheiro – 15.000 sestércios por homem. Para reforçar esta relação, Cláudio mandou então cunhar uma série de moedas que representavam a Guarda saudando-o como imperador.

Daí em diante, todos os novos imperadores tiveram o cuidado de dar à Guarda uma quantia generosa de dinheiro ao ascenderem ao trono e a honra de um discurso imperial, apesar de os pretorianos nunca tivessem realmente ocupado uma posição formal na estrutura de poder do Império ou possuído qualquer liderança política de importância. Quando a Guarda Pretoriana apoiou Otão contra Vitélio (69) e perdeu, o último, em vez de castigar os pretorianos, aumentou o recrutamento para permitir que os melhores veteranos de qualquer legião se juntassem à Guarda. Vespasiano tentou assegurar a lealdade dos pretorianos por um meio diferente, tornando seu filho, o futuro imperador Tito, um prefeito pretoriano.

Na época do imperador Cómodo, no final do século II d.C., a Guarda Pretoriana havia se tornado uma responsabilidade indisciplinada. Em 193, eles assassinaram Pertinax – ele tinha, afinal, oferecido apenas 12.000 sestércios insignificantes a cada um dos pretorianos em sua ascensão imperial – e ofereceram a sua lealdade a qualquer um que pudesse pagar mais, sendo que o vencedor deste "leilão" foi Dídio Juliano. Dídio prometeu pagar a enorme soma de 25.000 sestércios a cada membro da Guarda, o equivalente ao pagamento de 5 anos em salários normais, e quando ele foi nomeado imperador, na verdade, aumentou a recompensa para 30.000 por homem. Um valor superior aos 20.000 sestércios que Marco Aurélio deu a cada membro da Guarda Pretoriana quando se tornou imperador, embora este fosse um presente genuíno e não um suborno.

O poder da Guarda Pretoriana levou o imperador Septímio Severo a substituir os membros mais notórios por legionários leais de seus exércitos do Danúbio. Ainda assim, a Guarda não desapareceu como um poderoso instrumento de poder e, em 217, Macrino, um prefeito pretoriano, planeou o assassinato de Caracala e foi declarado imperador por seus próprios homens. Finalmente, Constantino dissolveu a Guarda Pretoriana em 312, depois de esta ter apoiado o seu rival Magêncio. Os prefeitos pretorianos sobreviveriam, entretanto, já que eles haviam se tornado importantes administradores das regiões do Oriente, Gália, Ilírico e Itália, um papel que continuariam a desempenhar durante o período bizantino.

Espártaco e a Guerra dos Escravos

Ao longo da história – antiga e moderna – aqueles que se encontravam acorrentados lutaram para libertar-se de seus opressores. Como acontece com a maioria das civilizações – assíria, grega e até norte-americana – os escravos na Roma antiga não eram considerados cidadãos, mas propriedade, fornecendo mão de obra, tanto qualificada quanto não qualificada, para o resto da sociedade.

Obviamente, revoltas de escravos, seja em Roma ou em outro lugar, representavam um perigo para todos os cidadãos e, embora a maioria dessas revoltas fosse rapidamente reprimida, uma revolta no primeiro século antes de Cristo causou preocupação suficiente para o Senado Romano, tanto que eles eventualmente convocaram dois de seus maiores generais para esmagá-la. Ao longo de um período de dois anos, esta "pequena" revolta, liderada por um gladiador, deu início ao que viria a ser conhecido como a Terceira Guerra Servil. O nome desse homem era Espártaco.

Embora pouco se saiba sobre a sua juventude, Espártaco era originário da Trácia, uma área a nordeste da Macedónia, e pode ter sido um soldado romano. O historiador Plutarco descreveu-o como culto e inteligente, "mais grego do que trácio". Como ele deixou de ser um soldado e foi capturado (junto com sua esposa) e tornou-se um gladiador é desconhecido; no entanto, por causa da sua constituição física e força únicas, ele chamou a atenção de um proprietário e treinador de gladiadores chamado Lêntulo Batiato e foi enviado para uma escola desses lutadores em Cápua, uma cidade ao sul de Roma.

A vida numa escola de gladiadores era cruel e dura. Então, em 73 a.C., usando facas de cozinha, ele e 78 de seus companheiros escravos revoltaram-se. Após a fuga, eles encontraram uma pequena caravana de carroças carregando armas e a apreenderam, fugindo para as proximidades do Monte Vesúvio. Logo, pastores locais e escravos juntaram-se a ele, aumentando o seu pequeno exército para mais de 70 000. Para sobreviver, eles começaram a pilhar em toda a Itália central. Em sua Vida de Marco Licínio Crasso, Plutarco escreveu sobre a fuga deles:

"Duzentos deles formaram um plano de fuga, mas a conspiração foi descoberta, e aqueles que tomaram conhecimento disso a tempo de antecipar o castigo de seu mestre Batiato, cerca de 78, saíram da cozinha com facas e espetos, e mataram todos pelo caminho até à cidade, passando por várias carroças que carregavam armas de gladiadores para outra cidade, eles tomaram-nas e armaram-se."

Embora tenha tido um sucesso inicial considerável, mesmo derrotando os exércitos de dois pretores e do governador da Gália Cisalpina e confiscando suas armas, Espártaco percebeu que Roma acabaria vencendo e, portanto, pretendia viajar para o norte, para os Alpes e para casa. Em 72, ele dividiu as suas forças em duas partes. Metade deles – os gauleses e germânicos – foram com o colega gladiador Criso, enquanto o restante – a maioria trácios – foram com Espártaco. Embora sua intenção fosse retornar à Trácia, muitos dos seus seguidores recusaram-se a deixar a Itália, dirigindo-se rumo ao sul do país. Plutarco escreveu:

"Espártaco marchou com o seu exército em direção aos Alpes, pretendendo, depois de passar por eles, que cada homem deveria ir para sua própria casa, alguns para a Trácia, outros para a Gália. Mas eles, cada vez mais confiantes em relação aos seus números e inchados do seu sucesso, não lhe obedeciam, mas saíam e devastavam a Itália; de modo que agora o Senado não estava apenas comovido com a indignidade e a baixeza, tanto do inimigo quanto da insurreição, mas, olhando para isso como uma questão de alarme com consequências perigosas."

Embora tivesse abandonado rapidamente qualquer pensamento de atacar Roma, o sucesso de Espártaco contra os exércitos de dois cônsules alarmou o Senado o suficiente para que convocassem um ex-seguidor de Sila, Marco Licínio Crasso, para liderar um exército contra ele. Na esperança de aumentar o seu exército, o sitiado Espártaco contratou piratas cilícios para levá-lo à Sicília. Infelizmente, ele não conseguiu chegar à ilha, mas seu dinheiro sim, devido à traição dos piratas. Crasso prendeu milhares de escravos rebeldes na Calábria, executando-os, mas Espártaco finalmente conseguiu romper (embora com um terço de sua força) e escapar mais uma vez, movendo-se para o sul, derrotando dois dos tenentes de Crasso no processo.

No final, entretanto, ele foi encurralado e derrotado na Lucânia e morto (embora seu corpo nunca tenha sido encontrado). Plutarco comentou sobre os últimos momentos de Espártaco:

"Abrindo caminho em direção ao próprio Crasso por meio de muitas armas voadoras e homens feridos, Espártaco não o conseguiu alcançar, mas matou dois centuriões. Finalmente, depois dos seus companheiros terem fugido, ele ficou sozinho, cercado por seus inimigos, e ainda estava a defender-se quando foi morto."

Mais de 6 000 rebeldes capturados foram crucificados; os seus corpos foram exibidos ao longo da Via Ápia, de Cápua a Roma.

Crasso esperava derrotar Espártaco antes do regresso de Pompeu da Hispânia. Infelizmente, Pompeu voltou a tempo de derrotar 5 000 dos seguidores de Espártaco e assim roubou a maior parte da glória para si mesmo. Embora ambos tenham sido eleitos para o consulado em 70, o desfecho da Guerra dos Escravos resultou num profundo conflito entre ambos. Plutarco escreveu:

"Crasso teve boa sorte e não apenas desempenhou o papel de bom general, mas também expôs galantemente sua pessoa; no entanto, Pompeu teve grande parte do crédito pela ação. Pois ele deparou-se com muitos dos fugitivos, matou-os e escreveu ao senado que Crasso realmente vencera os escravos numa batalha campal, mas que somente ele havia posto fim à guerra."

A guerra e o papel de Espártaco nela tiveram um efeito duradouro. Júlio César, ao tornar-se ditador vitalício, lembrou-se da rebelião e decidiu impedir outra. Por meio de uma série de leis, ele esperava reduzir a dependência de escravos, incentivando a contratação de trabalhadores livres.

A História tem opiniões diferentes sobre Espártaco – para alguns, ele é um herói e um porta-voz dos oprimidos, enquanto outros vêem-no como um rebelde cruel e sem coração. Seja como for, ele é lembrado por liderar a revolta de escravos mais famosa da história da Roma Antiga.