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Angkor Vat: o palácio fabuloso de um deus-rei

Em 1861 um naturalista francês, Henri Mouhot, seguia uma senda na floresta do Camboja Setentrional quando distinguiu 3 altas torres de pedra assomando por sobre os ramos de um grupo de árvores.

Eram os pináculos de Angkor Vat, um dos mais belos templos de toda a Ásia e o primeiro indício da existência da fabulosa cidade perdida de Angkor Thom, capital do grande Império Khmer, que fora abandonada havia 500 anos para ficar oculta e votada ao esquecimento, submersa pela selva avassaladora.

Mesmo em ruínas, Angkor causa um impacte desconcertante. Rodeada por um largo fosso outrora povoado de crocodilos, protegida por uma alta muralha defensiva, com parapeitos de terra, a cidade foi fundada pelo imperador Jayavarman II, que viveu entre os anos 802 e 854. Tendo-se proclamado a si mesmo um deus-rei, o imperador empreendeu a construção de uma capital que revelasse claramente o seu poder e a riqueza do seu império.

O fosso, quadrado, tem 3200 metros de lado, e a área limitada pelas muralhas excedia a necessária para conter a antiga Roma. No entanto, Angkor foi habitada por um número escasso de pessoas – era apenas o centro real, religioso e administrativo da capital. O povo da cidade habitava dois enormes subúrbios exteriores às muralhas, próximo de lagos artificiais situados ao longo das margens do rio Siem Reap, que corre nas proximidades.

Quatro largas vias de acesso atravessavam o fosso, conduzindo à cidade através de enormes portões, cada um dos quais coroado com 3 torres. A altura e largura dos portões eram suficientes para permitir a passagem dos elefantes reais carregando um palanque e um enorme guarda-sol que protegia os imperadores.

O encontro de Alexandre Magno com Diógenes

O encontro do imperador macedónio com o cínico filósofo de Sinope aconteceu, segundo as crónicas, durante os Jogos Ístmicos de Corinto. Diógenes estava deitado a apanhar sol na rua, absorto como sempre, quando Alexandre, em visita 'oficial', se aproximou com o seu séquito e se apresentou: "Sou Alexandre." "E eu, Diógenes, o cão." "Porque te chamam assim?" "Porque louvo aqueles que me dão, ladro aos que não me dão e mordo aos maus." "Então, pede-me o que quiseres." Diógenes pôs fim à conversa com esta magistral impertinência: "Que saias daí, porque estás a tapar o Sol."

De que morreu Erik Jan Hanussen?

O astrólogo, ocultista e vidente austríaco Erik Jan Hanussen (Hermann Steinschneider, 1889-1933) desenvolveu a sua carreira nos anos 1920 em Berlim, onde fundou o Palácio do Ocultismo. Alguns autores afirmam que ele potenciou o carisma e as faculdades oratórias de Adolf Hitler, que já chefiava o partido nazi na época.

As horas que teria passado com Hitler permitiram a Hanussen ter acesso a informação privilegiada, que utilizaria depois para fazer algumas das suas previsões. Parece que um dos vaticínios foi o incêndio intencional do Reichstag, em fevereiro de 1933. As autoridades nazis consideraram a indiscrição de Hanussen grave, pois deixava entrever que sabia que Hitler e os seus sequazes eram os verdadeiros responsáveis pelo fogo, motivo pelo qual teria sido assassinado.

John Dee: o mago dos Tudor

John Dee (1527-1608) era considerado um dos homens mais eruditos da sua época: foi um respeitado astrónomo e matemático, assim como um destacado perito em navegação. Contudo, também se interessava pela filosofia hermética, pelos mundos obscuros da magia e da astrologia, pelo que dedicaria muito tempo esforço à procura de uma forma de comunicar com os anjos, a fim de poder aprender a "linguagem universal da criação".

Quando viajou para Inglaterra para casar com Maria Tudor (1516-1558), Filipe II de Espanha (I de Portugal) fez tudo o que estava ao seu alcance para se encontrar com o célebre mago britânico. Conseguiu o seu objetivo e Dee ainda elaborou um horóscopo para que o monarca espanhol pudesse conhecer os futuros acontecimentos da sua vida.

O fascínio de Filipe (1527-1598) por Dee não era de estranhar, dado o seu interesse pelas artes ocultas e a alquimia, uma obsessão patente na simbologia do Mosteiro de São Lourenço do Escorial.

O túmulo de Gengis Khan

Quando Gengis Khan (1162-1227) morreu, vários dos seus seguidores mais fiéis decidiram cumprir a última vontade do líder: que enterrassem o seu corpo num local tão secreto que ninguém o pudesse encontrar. De acordo com a lenda, os seus homens de confiança mataram quem se cruzasse com o cortejo funerário pelo caminho; depois de enterrado, fizeram centenas de cavalos passar sobre o túmulo, para não restar qualquer vestígio que permitisse localizá-lo.

Desde então, passaram quase 800 anos sem que alguém conseguisse encontrá-lo. O último a tentar foi o arqueólogo Albert Lin, da Universidade da Califórnia em San Diego, que selecionou 55 lugares, situados numa faixa de terreno a cerca de 200 km de Ulan-Bator, a capital da Mongólia, para serem fotografados por satélite a partir do espaço. Todavia, o plano não proporcionou qualquer resultado.

O Mecanismo de Anticítera

Foi encontrado, em 1901, por mergulhadores em busca de esponjas marinhas, entre numerosos restos arqueológicos transportados por uma galera romana do século I a.C. que se afundou perto da ilha grega de Anticítera. Os 82 fragmentos encontrados do enigmático artefacto de bronze estavam dentro de uma caixa de madeira, cuja tampa exibia inscrições sobre planetas e nomes de meses.

O físico grego Yanis Bitzakis afirma que se trata de um computador mecânico com mais de 2000 anos de antiguidade, dotado de 27 rodas de engrenagem, que servia para prever eclipses lunares e diversos movimentos de corpos celestes. "É incrível que um cientista dessa época descobrisse que podia usar rodas de engrenagem para seguir os complexos movimentos da Lua e dos planetas", sublinha o matemático inglês Tony Freeth, outro dos investigadores que estudaram esta joia rara do passado.

O túmulo de Alexandre, o Grande

Uma das hipóteses indica que o rei egípcio Ptolomeu II (309-246 a.C.) transferiu os restos mortais de Alexandre (356-323 a.C.) para Alexandria, a capital que ele fundara, onde criou um sepulcro monumental para o seu descanso eterno.

O túmulo do macedónio tornar-se-ia local de peregrinação para muitos imperadores romanos, como Augusto (63 a.C.-14 d.C.), que ordenou retirar do sarcófago o cadáver para lhe colocar uma coroa de ouro, Calígula (12-41 d.C.), que o visitou em criança, e Caracala (188-217), que assegurava ter sido possuído pelo seu espírito.

Embora haja documentos que demonstram que o sepulcro ainda estava no seu lugar original no século IV, alguns historiadores consideram que pode ter desaparecido no gigantesco tsunami que se sucedeu ao grande terramoto registado no Mediterrâneo oriental no ano 365.

O que há em Yonaguni?

Trata-se de um conjunto geológico singular, submerso no mar junto da ilha japonesa de Yonaguni, descoberto pelo mergulhador Kihachiro Aratake, em 1986. A maior estrutura tem cerca de 80 metros de comprimento e há várias com 25 metros.

Alguns geólogos dão por assente que o misterioso 'monumento' tem origem natural, mas outros defendem que estas plataformas, embora sejam naturais, podem ter sido parcialmente talhadas por seres humanos, como pensa Misaki Kimura, da Universidade de Ryukyu.

A interpretação deu força aos que supõem que Yonaguni fez parte do mítico continente Mu, cujas ruínas teriam sido devoradas pelo oceano (à semelhança da Atlântida) há mais de dez mil anos, o que o tornaria, a par do santuário turco de Göbekli Tepe, na estrutura arquitetónica mais antiga conhecida.

O túmulo de Átila

Átila (400-453) foi o último chefe dos hunos e o mais temível e poderoso. Durante quase vinte anos, governou com mão de ferro o seu vasto império, que se estendia do mar Negro à Europa central. Em 2014, surgiu a notícia de que alguns operários que trabalhavam numa ponte de Budapeste tinham desenterrado o túmulo do rei, mas em breve se soube que era falso.

Muitos historiadores concordam que se deveria procurar os seus restos mortais algures na Roménia ou na Bulgária, um território tão vasto que se torna quase impossível encontrá-los.

Segundo a lenda, o rei dos hunos foi sepultado num triplo sarcófago de ouro, prata e ferro. Os soldados que escavaram a cova suicidaram-se em seguida para não revelar o lugar onde o depositaram. O local do túmulo continua, pois, a ser um grande mistério da arqueologia.

O baú verde de Verdi

Ser um dos compositores românticos mais aclamados e autor de algumas das óperas mais famosas da história não significa que se cumpram todas as suas últimas vontades. Que o diga o italiano Giuseppe Verdi (1813-1901), que deixou escrito que todos os papéis e manuscritos guardados num dos seus baús (um verde, de viagem) fossem destruídos após a sua morte.

O mistério em torno da mala acompanhou os interessados na figura do génio de Parma, pois, até ao início de 2010, poucos sabiam o que escondia: os herdeiros do músico, que não teve filhos, respeitaram a privacidade que ele pretendera, embora sem cumprir o pedido para que se queimasse o conteúdo do baú. Assim, durante todo este tempo, permaneceu guardado na Villa Verdi de Sant'Agatha (Placência).

No entanto, a Constituição italiana determina que se preserve e proteja o património histórico e cultural, mesmo que seja propriedade privada, pelo que se procedeu à abertura do baú para inventariar, catalogar e digitalizar os misteriosos documentos do compositor de Aida.

Descobriu-se então que o que o músico queria fazer desaparecer é um espólio de mais de 500 manuscritos e esboços, isto é, fragmentos que revelam o seu processo criativo e que irão, sem dúvida, proporcionar uma nova etapa no estudo da sua figura e da sua obra.