Skip to content

O Martelo de Rubinero - Do Sonho

Dormia Rubinero, quando um breve sonho interrompeu o seu sono profundo. No mundo onírico daquele que fez do ramo imperioso a sua moradia por uma noite, surgiu um visitante do futuro, que se encontrava de pé sobre um pilar de mármore brilhante, com um leão derrotado a seus pés. Subitamente, a estranha personagem falou com imensa soberba, e de forma extremamente grave, o seguinte:

"Ó, Rubinero, que os egrégios do teu tempo escutem o martelar do teu supérfluo, e que se envergonhem dos seus ouvidos frágeis, mergulhando na mais profunda aflição!

Lá em cima, onde os gelos, infinitos e cruéis, abraçam todas as superfícies, o teu fim encontrarás. Uma nova verdade de marfim aproxima-se, lançada pelo ribombar do trovão, que a partir do seu trono governa o mundo.

Do caos, a estrela nascerá, para trazer ordem à explosão que lhe deu origem. Do fim tudo regressará ao princípio, e do princípio avançará para o fim.

No impenetrável para a consciência, e para a sabedoria dos loucos, permanece o caos por despontar, e a estrela que expandir-se-á em todas as direções, levando a todos os abismos e a todas as alturas a sua verdade, o seu fogo, a sua destruição e, finalmente, a sua criação.

Fora da caverna está a verdade: da terra e do sangue ela irrompe, caminhando de mãos dadas com a mudança, afastando-se das ruínas sombrias de templos abandonados.

Ó, arauto do Dono da Sua Virtude, que os egrégios do teu tempo se aproximem das tuas areias abrasadoras, que se queimem, e que desapareçam sob as águas douradas que, como um maremoto, surgirão violentamente do mar, para na terra alagar todos os subterrâneos".

E, com esta visão e estas palavras, despertou Rubinero violentamente, caindo do ramo acolhedor para o solo negro do bosque, que o recebeu com uma indiferença inquietante.

Miragens durante batalhas

Já se têm verificado miragens durante batalhas. Em 1798 o exército de Napoleão no Egito viu uma paisagem difusa, com lagos que desapareciam e relvados que se transformavam em palmeiras. Gerou-se tal perturbação entre os soldados que, segundo se conta, houve homens que caíram de joelhos, rezando, presos da maior perturbação, crendo iminente o fim do mundo.

Durante a campanha do deserto da I Guerra Mundial, houve artilheiros ingleses que, a determinado momento, se viram obrigados a deixar de disparar, pois uma miragem fez desaparecer completamente o inimigo. Noutra ocasião, o comandante de um submarino alemão viu a cidade de Nova Iorque suspensa sobre a sua cabeça quando olhava através do periscópio. Conta-se que pediu rapidamente a reforma.

O último grande surto de peste negra

O último grande surto de peste negra na Europa declarou-se em Marselha, no sul da França, em 1720. Há gravuras e descrições dos médicos que combatiam a peste envergando roupas espessas, calçando luvas de couro e protegidos com uma máscara munida de um bico contendo ervas aromáticas destinadas a afastar os cheiros que, segundo crença da época, transportavam a doença.

Ignora-se o motivo por que a peste negra declinou de forma tão acentuada no século XVIII. Talvez um adágio da época se relacione de algum modo com o facto. Aconselhava-se quem vivesse numa área onde surgisse a peste a «afastar-se rapidamente, afastar-se para longe e regressar tarde».

O Martelo de Rubinero - Da Escuridão

Pouco depois de deixar o homem cansado, a noite já se instalava, e Rubinero resolveu parar para descansar. Procurando ao seu redor por um local digno da sua estadia, acabou por escolher sentar-se em cima de um ramo robusto, que quase abraçava o solo, pertencente a uma das árvores mais vitoriosas do bosque, altíssima e senhora de si mesma. A escuridão que a ausência do astro-rei provoca rapidamente chegou, mas o seguidor da sua virtude, sem a temer, lhe falou assim:

"Escuridão, mas pensas tu que me amedrontas? Diariamente te encontro, e assim sempre terá de acontecer. A roda do destino presenteia os homens com a luz do Sol para depois lhes oferecer a sua tenebrosa ausência, e assim segue a natureza no seu ciclo eterno. O tempo é circular, e do seu próprio bem nasce o seu mais profundo mal.

O teu silêncio, como todos os silêncios, é retumbante! Tão ensurdecedor que perfura até os tímpanos mais resistentes! Que ele venha ao meu encontro de tempos a tempos, quando eu mais precisar dele, pois certas palavras necessitam de encontrar ouvidos saudáveis e vigorosos, dispostos a construir um novo amanhã.

Pois bem, escuridão, recebo o teu silêncio com alegria, e que o mesmo se multiplique como as tartarugas-marinhas, que emergem em conjunto das areias, durante o teu domínio, para rapidamente se dirigirem para o oceano, onde a maioria encontra o seu fim.

Queria eu que o grande astro poderoso nunca abandonasse a sua virtude, e esse meu desejo está sempre satisfeito. Pois o corpo celeste que tudo ilumina sempre se dá, e ainda quer dar mais, levando a sua luz para os abismos que também necessitam da sua verdade.

Sim, a verdade é nascimento, e ainda acabamento! A minha virtude, tal como a do Sol, quer levar a todos os homens o excesso do seu conhecimento, e depois ainda dar e voltar a dar até que finalmente se extingue. E se este cálice de fogo não transbordar, então que o faça o meu orgulho!

Não, mil vezes não, escuridão não vencerás o meu nobre destino, e a mais alta possibilidade que me vivifica em direção à cumeada, tal como um dardo arremessado pelo coração mais puro que já existiu, o do deus Apolo, que matava de longe e, em certas ocasiões, de baixo para cima!

Mas esse deus, e todos os demais deuses, já foram enterrados, e foram os homens quem os enterraram! Os homens criaram e mataram todos os deuses! E, escuridão, se eu não te criei, acaso devo-te matar? Não é esse o meu ofício, mas sim o de criar monumentos imorredouros.

Quem te deve exterminar, e incessantemente o faz, é o astro do dia, que brevemente emergirá das profundezas, como o falecido Tritão; e tal como o filho do rei dos mares era, com o seu búzio, o mensageiro da chegada de Posídon, eu te anuncio o retorno da nossa estrela, que dará início a mais um dia de combate no mar, na terra e no ar.

Pois em todos os lugares vejo guerra, crescimento, expansão e vontade de vencer! Da morte surge a vida, e a vida produz a morte, num constante girar tumultuoso do arco da fortuna, que gira sobre si próprio continuamente, desprezando todas as fraquezas e presenteando os vencedores com tudo aquilo a que têm direito.

Eu te abraço, escuridão, pois também tu és criadora. O mais alto sofrimento também é capaz de criar, porque as sombras procuram a luz e, de igual modo, o sofrimento procura a vitória!

Na tua negrura, e na tua dor, eu vislumbro a virtude de cada homem que encontro, pois também a sua virtude quer sair das profundezas do seu corpo para o dominar totalmente, e assim estabelecer um único objetivo, uma só direção, e um só fim para as suas ações.

Vamos, mais um abraço, escuridão amiga, e juntos ficaremos, mas só por alguns momentos; visto que, em primeiro lugar, Rubinero não é homem para desviar-se do seu caminho e, por último, como quero ensinar aos homens, a obscuridade deve apenas gerar e não atormentar. Já existem demasiadas obscuridades que nada mais fazem do que amargar, mas raras são aquelas que abanam e despertam a quem afligem.

No entanto, também o sono chama por mim, para oferecer-me sonhos que considera belos, dado que desconhece a natureza da realidade, em si mesmo é o oposto da vida. Mas, também isso tem uma razão de ser: sem sono, e sem sonhos, o anelo que move a terra e lhe dá sentido acabaria por autodestruir-se, de tanto querer os pináculos mais remotos!".

E depois de alguns abraços, alguns maiores e outros menores, deitou-se Rubinero no mesmo ramo onde até então tinha estado sentado, e imediatamente adormeceu, para no dia seguinte esperar a chegada da aurora, deixando a escuridão entregue a si própria.

L'Éolienne: mais rápido que um galeão

Na época dos inventos, os inovadores conheciam diversas formas de aproveitar o vento. Foram imaginados vários veículos especificamente concebidos para utilizarem na estrada esta forma de energia, dos quais um dos mais eficientes foi a carruagem à vela, inventada por um francês.

O veículo, experimentado em Paris em 1834, requeria, além dos habituais cocheiro e postilhão, uma tripulação de marinheiros para manobrar as velas.

A carruagem, denominada L'Éolienne, de Éolo, deus grego dos ventos, alcançou na sua primeira viagem uma velocidade surpreendente. A sua condução constituiu, provavelmente, uma experiência aterrorizadora, pois o condutor não dispunha de qualquer meio quer de controlar a velocidade, quer de fazer parar o veículo, necessidade que o inventor parece ter ignorado totalmente.

Dispositivos como este, desprovidos de caráter funcional, em breve deram lugar à carruagem a vapor e, posteriormente, ao automóvel.

O Martelo de Rubinero - Do Homem Cansado

Entrava Rubinero no bosque que anuncia a grande inclinação, que tem por destino a orgulhosa cumeada, quando ouviu um grito que lhe parecia vir de um homem cansado. Sobressaltado com a surpresa, seguiu na direção de onde lhe pareceu vir o anúncio de uma grande tristeza. Após poucos minutos, deparou-se com uma figura sorridente, sentada num monte de ervas daninhas e que tinha por tradição corporal nada de novo fazer.

"Meu amigo, quem és tu? Qual é a causa do teu grito? Acaso algum bicho te mordeu? — perguntou Rubinero. — Eu venho para trazer bem-aventurança e boas-novas a esta montanha, no meu domínio compadeço-me com aqueles que não estão bem, pois a mim mesmo permito ocasionalmente essa fraqueza. Fala comigo sobre o que te aflige, homem de sorriso amarelo".

Permanecendo sentado, o homem sorridente pôs a sua língua a trabalhar, soltando as seguintes palavras:

"Eu ouvi os teus passos, e também escutei a conversa que há pouco tiveste com o súbdito de Dionísio, enquanto apanhava frutos para alegrar o meu estômago. Desculpa, mas sou como as mulheres, a minha curiosidade é maior do que o meu amor.

Com que então queres subir a montanha para anunciar aos homens uma nova verdade? Não sabes tu que nada de novo há debaixo do Sol? Tudo é igual, por baixo das pontes correm sempre as mesmas águas, já desgastadas e enfastiadas do seu eterno desaguamento no mesmo mar.

Mas diz-me: por acaso o teu nome não é Rubinero? Sim, és Rubinero. Lembro-me de passar por ti na cidade, e de uma criança te chamar por esse nome. Nessa altura carregavas nas tuas mãos ferro enferrujado, vejo que agora levas um martelo de diamante. Que aconteceu contigo? Como te tornaste bailarino, tu que não sabias dançar?

Levas uma nova verdade aos homens? Mas que verdade é essa? Todas as verdades morreram! O que interessa hoje é um bom despertar, uma boa alegria e uma pequena tristeza para terminar o dia. Por isso sorrio sempre, porque pouco peço. Os dias passam alegremente neste bosque, tenho muitos frutos para comer e muitas árvores que ouvem pacientemente as minhas divagações.

Afasta-te da montanha Rubinero, nada de novo tens para dizer. Nada de novo há para saber, já tudo se sabe! A verdade dos homens é um lago límpido onde os peixes nadam tranquilamente. Tudo acontece da mesma forma, e isso é bom conquanto aconteça suavemente.

Antigamente os homens eram loucos e estúpidos, hoje somos sãos e inteligentes. Por isso gritei, de modo a chamar a tua atenção. Volta para a tua habitação, e abandona lugares onde o vento viaja solitariamente, onde não encontra nenhuma alma para o receber".

Rubinero escutou atentamente, e no final sentiu um grande nojo do homem sorridente, tal como a águia sente nojo dos abutres que nada arriscam e que só se dirigem para corpos inertes. E falou para as árvores e para o fantasma que se apresenta como um homem da seguinte forma:

"Árvores, vejam! Encontrei aquele que já conheço muito bem e torno a conhecer repetidamente! Acaso tenho eu de ouvir os teus lamentos, homem que estás morto em vida? Neles só encontro uma virtude que não cresce por falta de um solo prodigioso, e que na realidade já morreu antes de iluminar os arredores.

Homem que sorris, o teu cansaço é lamento e tristeza. O que mais me espanta é que a tua parcimónia não se quer extinguir, de si mesma não se farta.

Queria eu que todos os homens conhecessem a sua virtude! Pois nela a sua tristeza desapareceria, como todas as pedras lançadas ao rio rapidamente ultrapassam a sua superfície e para sempre a esquecem.

Homem cansado, és mentiroso! Não és companhia para mim! A minha companhia são as crianças, porque perante os olhos dos pequenos tudo é novo e só existem grandes promessas. Para as crianças, o mundo é um eterno começo e uma roda que no seu perpétuo girar espalha uma infinita alegria que anima até os horizontes mais distantes e sombrios.

Que a tua imundície fique longe de mim! Estás a poluir o bosque, preferiria eu encontrar um cadáver divertido que seria certamente uma melhor companhia. Na tua sabedoria só encontro loucura. Morre de uma vez! Mas que não sejas enterrado, já existem tantos cadáveres que a terra não quer absorver.

Inúmeros caminhos há para trilhar! Muito há para conhecer, amar, odiar e acabar! E que todos os acabamentos se materializem em harpas douradas, com cordas perfeitas que ao vibrarem produzem novas músicas, mais sublimes, belas e profundas do que as anteriores.

Existem tantos sentidos que querem trazer certeza às ações! A virtude quer dar às ações múltiplos sentidos, mas só uma direção, e que as mesmas sejam continuamente um novo fim e um novo começo, tal como a aurora sempre termina com a noite para anunciar novas conquistas e novas oportunidades".

O homem abatido, mas sempre sorridente, ficou, entretanto, assustado e disse a Rubinero: "Queres dar-me mais uma virtude!? Mas já tenho tantas: dou esmolas sempre que vou à cidade, sou um bom homem e nunca matei ninguém. Vivo contente e satisfeito, e não falo mal de pessoa alguma, pelo menos quando a mesma está na minha presença.

Já existem muitas virtudes. Queres sobrecarregar os homens com mais uma? Por que não nos dás, em vez disso, um pequeno prazer ou uma novidade, ou talvez um pequeno movimento sem sentido ou uma breve ação que nada cria e tampouco destrói, pois são sempre coisas muito apetecíveis para nós, homens espertos e esclarecidos?".

Rubinero respondeu altivamente: "Falei de virtude, não de piedade ou do crepúsculo que fez do teu corpo a sua residência". — "Mas não é isso virtude? — perguntou o homem, boquiaberto! — Não é um pequeno bem, honestidade e retidão no comportamento?".

"Eu falo para o grande cansaço com a clareza necessária, mas ele não compreende as minhas palavras — pensou Rubinero, e assim continuou mais um pouco a pensar... — Pois tanto ele como as suas cópias desconhecem a sua virtude, que está sufocada pela confusão criada pelas suas fraquezas. O corpo dos homens é uma guerra, mas na guerra eles só vislumbram a paz e não enxergam o sangue que quer correr para cima, que se quer lançar para as alturas!".

E depois dos pensamentos, disse Rubinero ao sorridente: "Chegará em breve o dono da sua virtude, para destruir a tua parcimónia miserável. Agora te deixo, pois o cansaço não habita na minha alma, só a alegria das crianças. Fica com a tua sabedoria, que eu ficarei com o meu regozijo".

"Espera Rubinero! — disse o homem ansiosamente, enquanto se levantava das ervas daninhas. — Eu te peço: deixa comigo uma verdade sobre a virtude de que falas, ou sobre esse Dono da Sua Virtude que referiste, pois por aqui passam muitos homens, e sempre lhes digo as mesmas coisas e quero lhes dizer algo de novo. Acaso não sou eu amante de novidades?

Sei que há bocado afirmaste ao velho que a tua sabedoria deverá ser lançada da cumeada, mas deixa comigo algum do teu conhecimento, pois por mim passam muitos bons ouvintes e de vez em quando alguns surdos. Mas se os surdos não conseguirem escutar a tua verdade com os ouvidos, talvez a escutem com os olhos ou com os narizes!".

Rubinero aí se deteve, e após pensar demoradamente sobre se deveria aceder ou não ao pedido, resolveu satisfazer o desejo do homem que não vive mas que apenas se conserva, e lhe falou assim: "Muito bem, diz a cada adormecido que passar por ti o seguinte:

A tua virtude é uma semente que quer germinar, para dominar o teu corpo e obedecer ao sentido da vida, e, tal como as árvores deste bosque, quer crescer em direção aos céus, para ser um novo sol entre os homens, e aí, só aí no alto resplandecente, quer ainda extinguir-se como uma supernova; pois a tua virtude quer vencer e, consumada a sua vitória, terá, necessariamente, de morrer!".

Rubinero deixou então para trás o homem do grande cansaço, sentindo-se jubiloso e astuto, tal como a serpente se sente ao capturar uma presa pela qual esperou demasiado tempo.

Expansão do Universo: o desvio para o vermelho

Dois astrónomos do final do século XIX – Sir William Huggins, em Londres, e o alemão Hermann Vogel – aplicaram, independentemente, o princípio de Doppler.

Ao ser aplicado a ondas de luz, o efeito Doppler revela-se em cor. Na extremidade vermelha do espectro, as ondas luminosas têm maior comprimento; no extremo violeta, menor. Assim, o avermelhamento da luz proveniente de um corpo celeste é considerado como significando que este se está a afastar da Terra.

Este fenómeno é conhecido como o desvio para o vermelho. Pelo contrário, as ondas luminosas de uma fonte que se aproxima do observador tendem a mover-se no espectro em direção ao extremo violeta, onde se tornam mais intensas e mais frequentes.

As chamadas velocidades radiais de muitas estrelas foram medidas segundo este processo. Assim, Sirius aproxima-se do nosso sistema solar a 8 km/s. e Altair a 26. Por sua vez, Aldebaran afasta-se a 54 km/s. e Capella a 29.

Podem, evidentemente, admitir-se outras explicações para os desvios para o violeta e o vermelho nos astros e galáxias, mas, na sua maioria, os astrónomos modernos aceitaram os princípios do efeito Doppler.

Em 1924 o Dr. Edwin Hubble, do Observatório de Mount Wilson, na Califórnia, servindo-se dos instrumentos mais aperfeiçoados então disponíveis, colheu mais informações sobre o desvio para o vermelho, descobrindo que galáxias inteiras se afastavam provavelmente da Terra a velocidades tremendas.

Hubble concluiu que todo o Universo está sujeito a uma expansão contínua, que afasta entre si os elementos nele contidos. E, à medida que aumenta a distância que separa as outras galáxias da nossa, diminui a intensidade da radiação da luz que delas obtemos, motivo por que, segundo declarou Hubble, a luz das estrelas é excessivamente fraca para iluminar os nossos céus noturnos.

Arati Saha é homenageada com um Google Doodle

O Google Doodle desta quinta-feira, dia 24 de setembro, ilustrado pelo natural de Calcutá e artista convidado Lavanya Naidu, celebra o 80º aniversário do nascimento da pioneira nadadora indiana Arati Saha. Em 29 de setembro de 1959, Saha nadou umas impressionantes 42 milhas de Cape Gris Nez (França) a Sandgate (Inglaterra), tornando-se a primeira mulher asiática a atravessar o Canal da Mancha – um feito considerado o equivalente no alpinismo a escalar o Monte Everest.

Arati Saha nasceu em 1940 em Calcutá, na altura pertencente à Índia Britânica. Aos quatro anos, ela aprendeu a nadar nas margens do rio Hooghly, e a sua habilidade precoce na água logo atraiu a orientação de um dos melhores nadadores competitivos da Índia, Sachin Nag. Sob a proteção de Nag, Saha ganhou a sua primeira medalha de ouro na natação quando tinha apenas cinco anos, e certamente não foi a última.

Um prodígio que bateu recordes com apenas 11 anos de idade, Saha tornou-se o membro mais jovem (e uma de apenas quatro mulheres) na primeira equipa a representar a recém-independente Índia nos Jogos Olímpicos de Verão de 1952 em Helsínquia, Finlândia. Aos 18 anos, Saha realizou a sua primeira tentativa de cruzar o Canal da Mancha e, embora sem sucesso, nunca desistiu do seu sonho. Pouco mais de um mês depois, ela conquistou quilómetros de ondas e correntes turbulentas para completar a jornada, uma vitória histórica para as mulheres em toda a Índia.

Madame Sage: a professora que duplicava a sua própria imagem

Quem afirma a impossibilidade de se estar simultaneamente em dois locais poderá ser dissuadido desta convicção se conhecer o caso de Madame Sage. Sendo professora, utilizava frequentemente a sua capacidade de duplicação durante as aulas.

Quando trabalhava num colégio feminino na Livónia, Rússia, no ano de 1845, tornou-se notado o facto de que parecia haver realmente duas Mesdames Sage. Uma, por exemplo, estaria sentada em frente dos alunos, enquanto a outra estaria a escrever no quadro. Duas alunas viram-na uma vez sentada na aula e simultaneamente a apanhar flores no jardim. As misteriosas duplicações não foram observadas apenas pelas suas alunas, eventualmente demasiado imaginativas. Uma amiga que lia um dia para a professora, que uma constipação retivera na cama, viu-a simultaneamente a passear pelo quarto.

Decorridos aproximadamente 18 meses, os comentários tornaram-se notados pelos diretores da escola, que a interrogaram sobre o facto. A professora confessou que, por meio de força de vontade, conseguia projetar uma imagem de si própria. Descobrira que o ardil se revelara de grande utilidade para manter a disciplina, pois permitia-lhe vigiar a aula, mesmo encontrando-se de costas para a classe.

Faculdade incómoda

Mas os diretores, a quem tal capacidade não agradou, despediram-na – o que, segundo mais tarde confessou, não se verificava pela primeira vez.

Não há qualquer registo sob o nome da professora. Foi sempre citada apenas pelo apelido, Sage – ignora-se se por ser uma «sô professora».

O seu marido, se é que existiu, poderia certamente ter escrito uma história fascinante da sua vida na companhia das duas Mesdames Sage.

A Era dos Edifícios Inúteis

Paulet St. John cavalgava através das dunas do Hampshire, no sul de Inglaterra, gozando o passeio ao ar livre. Subitamente, quase sob as patas do cavalo, abriu-se um fosso profundo, que passara despercebido para o cavaleiro, mas que o cavalo notara, salvando-se a si e ao dono transpondo o fosso com um fantástico salto de 7,5 metros.

Atualmente, ainda é possível contemplar o monumento erguido a esse espantoso salto – uma pirâmide com cerca de 9 metros de altura em Farley Down, no Hampshire. St. John passou a chamar ao cavalo «Cuidado com o Fosso de Cré» e construiu uma pirâmide que assinalasse a sepultura do animal quando este morresse. De facto, como um homem do século XVIII, partilhava do gosto prevalecente na época por folies – edifícios erguidos sem outro propósito além de satisfazer o capricho extravagante de um proprietário abastado.

A grande era deste tipo de construções em Inglaterra prolongou-se pelos séculos XVIII e XIX, embora alguns destes edifícios fossem erguidos mais tarde. A torre gótica com mais de 40 metros, fora dos limites de Faringdon, no Berkshire, por exemplo, foi construída em 1930 por Lord Berners, o qual teve, contudo, dificuldade em ver aprovado o projeto da mesma. Quando um visitante objetou que a torre ficava tão afastada da casa que só podia ser vista com um telescópio, Berners replicou que, como almirante reformado que era, não concebia outra forma de admirar a paisagem campesina.