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Capela de Notre-Dame-du-Haut de Ronchamp

O arquiteto franco-suíço Le Corbusier, de seu nome real Charles Edouard Jeanneret, só havia feito até então projetos de edifícios civis e trabalhado em problemas de urbanização. Obras como a Casa Suíça da Cité Universitaire de Paris ou a Unité d'Habitation, em Marselha, haviam-no tornado famoso. Por isso, hesitou quando em 1950 o encarregaram de construir uma nova capela que pudesse substituir o centro de peregrinações de Notre-Dame-du-Haut de Ronchamp, perto de Belfort, e que tinha sido destruído durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas decidiu-se depois de ter visitado o lugar. Em junho de 1950, surgiram os primeiros desenhos. Estavam tão distantes do habitual que o próprio Le Corbusier falava de uma obra planeada com «temeridade, mas sem dúvida com valor». O interior da capela parece «um vale sem montanha». A sua forma exterior lembra mais uma escultura moderna do que um templo. Mas o arcebispo de Besançon e a sua comissão diocesana de construção aceitaram a ideia.

Quatro anos mais tarde, uma vez acabados os trabalhos, a igreja foi consagrada. As suas medidas são relativamente modestas. A nave, de 25 X 15 metros, tem uma capacidade máxima de 250 pessoas. Para as grandes peregrinações, foram construídos um púlpito e um altar ao ar livre.

«Nem por um instante pensei em criar algo que chamasse a atenção», confessou Le Corbusier. Todavia, e desde que foi terminado, não houve um edifício em todo o mundo que fosse tão amaldiçoado e tão gabado como Notre-Dame-du-Haut de Ronchamp. A assimetria total do edifício, a ausência de campanário – as três torres servem apenas de clarabóia para os altares – o teto de aparência invertida (elevado nas beiras e fundo no centro) e o seu interior quase despido, constituiram um conjunto que assustou os críticos, até porque lembrava Picasso.

Le Corbusier não negou certas relações: «A arte abstracta, que hoje e muito justamente levanta tantas e tão ardentes controvérsias, é a causa da existência da capela de Ronchamp.» E antes o artista havia dito: «Uma revolução não se faz revoltando-se, mas sim trazendo uma solução.»

Teve a sorte de achar os seus defensores mais entusiastas entre os que se haviam encarregado da obra. «Primeiro sentimo-nos surpreendidos perante a extrema novidade destas formas», escreveu o dominicano M. A. Couturier. «Mas logo descobrimos que as superfícies e as formas se desenvolvem com a liberdade e a sensibilidade de organismos vivos, ainda que ao mesmo tempo estejam submetidas à severidade que preside à função e ao objeto do orgânico. Em todas as suas paredes se revela o carácter sacro, e isto não na novidade, mas sim na invulgaridade da forma.»

Quem vá à espera de encontrar pompa e sumptuosidade numa igreja de peregrinação, sentir-se-á enganado em Ronchamp. O edifício no alto dos bosques de Cherimont não surge logo à primeira vista. A capela é, antes de mais nada, um edifício funcional, que tenta cumprir a sua missão da melhor forma possível. Mas é mais do que isso: «Um receptáculo do sossego, da delicadeza. Um desejo de alcançar com a linguagem da arquitetura os sentimentos despertados neste lugar» (Le Corbusier).

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