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Como foi construída a Grande Pirâmide de Quéops

No Egito realizaram-se outrora, e realizam-se ainda, verdadeiros milagres de engenharia.

Não há dois factos que demonstrem mais expressivamente este elo de 5000 anos do que a construção da Grande Pirâmide de Quéops, cerca de 2700 a.C., e o salvamento, organizado a nível internacional na década de 1960, dos maciços templos rochosos de Abu Simbel das águas da barragem do Alto Assuão, cujo nível se elevou assustadoramente.

A Grande Pirâmide, com a altura de um edifício moderno de 43 andares, cobre 52 600 m² de deserto.

Esta sólida estrutura de pedra poderia conter a Catedral de S. Paulo, a Abadia de Westminster, a Igreja de S. Pedro em Roma e as Catedrais de Florença e Milão. A pedra utilizada na sua construção seria suficiente para rodear toda a França de uma muralha baixa.

Canais na rocha

Antes de iniciarem a construção desta estrutura maciça, os antigos engenheiros egípcios tiveram de criar uma superfície perfeitamente horizontal para as fundações, para o que abriram canais na rocha, que encheram de água, medindo a linha da mesma num dia sem vento e utilizando varas.

Com o auxílio deste gigantesco nível de bolha de ar, desbastaram então os rochedos até atingirem a linha de água.

Milhares incontáveis de pedreiros, cabouqueiros e outros operários trabalharam, ao longo de 30 anos, na construção do túmulo de Quéops, no planalto de Gizé. As pedras utilizadas, cada uma das quais pesa entre 2,5 e 15 t, atingem no total o espantoso número de 2,5 milhões.

No entanto, os homens que talharam estas pedras e as colocaram nos locais respectivos não dispuseram de qualquer meio mecânico, à exceção da alavanca, do cilindro e do plano inclinado (mesmo a roda seria ainda desconhecida no Egito durante mais 800 anos).

Sem possuírem quaisquer instrumentos que lhes permitissem realizar medições precisas, os Egípcios atingiram um espantoso grau de exatidão nos cálculos que elaboraram.

Os vértices da pirâmide formam ângulos retos quase perfeitos e as faces da mesma estão orientadas exatamente segundo a direção dos 4 pontos cardeais – norte, sul, este e oeste.

Os arquitectos deste templo conseguiram esse feito notável muito certamente a partir de observações astronómicas.

Originalmente, a construção era revestida de blocos de pedra calcária, branca e polida. O corte de algumas destas pedras, que ainda se conservam, perto da base, atingiu tal requinte que não permite sequer a inserção entre as mesmas de uma folha de papel.

A construção da Grande Pirâmide representou um esforço baseado numa perfeita organização e coordenação.

A partir do Nilo, a 800 m de distância, foi erguida uma enorme rampa, cuja construção se prolongou por 10 anos, que ascende suavemente até à plataforma onde se ergue a pirâmide. Ao longo deste declive, equipas de trabalhadores içaram gigantescos blocos de pedra, que rolaram sobre cilindros de madeira, usando cordas espessas e fortes fabricadas de junco entrançado.

O núcleo central

Os canteiros trabalharam em três locais diferentes do Egito. A pedra destinada ao núcleo central da pirâmide foi cortada de arenito grosseiro do deserto da própria região de Gizé.

Da margem oriental do Nilo procedeu a pedra calcária para o revestimento exterior. O granito que reveste as galerias interiores e a câmara funerária foi talhado da rocha de Assuão, junto à primeira queda de água do Nilo, e transportado rio abaixo, ao longo de 960 km, em enormes jangadas – uma operação gigantesca.

Os trabalhadores da pedreira de Assuão usaram martelos de dolerite, uma pedra mais dura do que o granito, para cortarem toscamente os blocos.

No local da pirâmide, os pedreiros, trabalhando com precisão, deram aos blocos a sua forma definitiva, utilizando abrasivos no polimento final.

Argamassa líquida

Os trabalhadores, distribuídos em grupos, içavam as pedras até ao cimo de uma longa rampa para as disporem no seu lugar. Na extremidade da rampa, onde a última camada de pedras fora colocada, fazia-se deslizar cada bloco para o local devido sobre uma camada de argamassa líquida, que atuava também como lubrificante.

À medida que a pirâmide aumentava de altura, a rampa era alongada, de modo a manter constantemente a mesma inclinação, o que garantia a correção das dimensões do monumento.

Eram utilizados artífices especializados ao longo de todo o ano. Os operários não especializados, porém, apenas podiam trabalhar 3 meses seguidos, no outono, quando o Nilo sofria a sua cheia anual.

Enquanto esperavam que as águas descessem para poderem proceder às sementeiras, estes trabalhadores agrícolas – cerca de 100 000 – eram empregados na construção da pirâmide.

Os nomes de algumas das equipas e dos capatazes sobreviveram, grosseiramente pintados nas superfícies calcárias.

Começando do cimo

Quando o núcleo central ficou assente, a pirâmide encontrava-se totalmente oculta, rodeada pelas rampas.

A última tarefa de revestir a pirâmide de pedra calcária começou pelo cimo.

À medida que as pedras de revestimento eram colocadas, as rampas iam sendo gradualmente removidas, até chegar o momento em que o grande edifício ficou a descoberto sobre o planalto, no seu cintilante revestimento branco.

No centro da pirâmide, mais de 42 m acima do solo do deserto, mas ainda longe do cume, situa-se a câmara do rei, uma sala revestida de granito polido.

Num dos extremos da sala, inserido no solo, encontrava-se um sarcófago de pedra destinado a recolher o corpo mumificado do faraó Quéops.

Obra-prima de engenharia

A grande galeria, que conduzia à câmara do rei, é uma obra-prima de engenharia, destinada a resolver o problema que implicava encerrar permanentemente o local de inumação do faraó.

Dentro da galeria, e assentes em suportes temporários de madeira, foram colocados enormes blocos.

Depois de, seguido por uma imensa e colorida procissão funerária, o corpo de Quéops ter sido depositado na pirâmide, os blocos, soltos por trabalhadores, deslizaram pelo solo inclinado da galeria e obstruíram a entrada.

Os trabalhadores saíram por um túnel vertical próximo, que foi seguidamente fechado. O corpo de Quéops parecia para sempre a salvo de intrusos.

O túmulo saqueado

Na realidade, o homem iria demonstrar, ao longo dos séculos, que a sua destreza em saquear os túmulos de antigos reis se equiparava ao seu engenho em construí-los.

No século IX, operários árabes que abriram um túnel através da pirâmide encontraram apenas um sepulcro despojado. Posteriormente, dirigentes árabes arrancaram a maior parte do revestimento calcário para o utilizar na construção das suas mesquitas.

No entanto, a Grande Pirâmide é a única das cerca de 80 pirâmides construídas que se conserva praticamente no seu estado original, apesar de muitas centenas de anos de saques e de exposição aos rigores do tempo.

A Grande Pirâmide de Quéops mantém-se hoje como um monumento duradouro ao engenho do homem – e ao seu anseio de imortalidade.

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