A pintura dos costumes

A pintura dos costumes já nos aparece na arte flamenga, sobretudo no amargo quietismo religioso de um Bruegel, o Velho. Esta visão estética da realidade é por assim dizer o reverso irónico da história.

Se esta é essencialmente trágica, se vive em contínua agonia, o artista dos usos e costumes e da vida quotidiana opõe portanto ao trágico o ridículo e o cómico, o grotesco da comédia da vida. Efetivamente, esta modalidade pictural revela mais uma atitude cética perante o dia a dia do que a de um interesse social.

Neste domínio, importa pôr em relevo a figura de Jan Steen (1626-1679), natural de Leyde, que ultrapassa muitos dos seus contemporâneos. A sua observação do real é salpicada de humor, simpatia e calor da sociedade que ele representa na paleta.

O seu desenho é desigual e muitas vezes precipitado se bem que quando intenta tratar um assunto com verdadeiro sentido humano, então dá-nos obras-primas como o belo quadro intitulado os Discípulos de Emaús, atingindo os pináculos do sublime e lembrando o melhor de Rembrandt.

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