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Nero tocava violino enquanto Roma ardia?

Uma das lendas mais vulgarizadas sobre a antiga Roma apresenta o megalómano imperador Nero obcecado pela ideia de construir uma nova e magnificente cidade que constituísse um monumento perpétuo à sua memória. Frustrado nos seus desígnios pelos proprietários de santuários familiares que bloqueavam as ruas, o próprio tirano resolveu incendiar Roma.

Mas não há qualquer documento histórico que inculpe Nero do incêndio. E mais duvidoso ainda é o famoso pormenor da História: que, enquanto a cidade ardia, Nero tocava violino no cimo de uma torre. O violino só foi inventado no século XVI. No entanto, segundo outras versões da lenda, o imperador tocava uma lira, cítara ou um alaúde.

O historiador Tácito (cerca de 56-120 d.C.) escreveu, alguns anos apenas após o incêndio, que Nero se encontrava a 80 km de distância, na sua vila de Antium, quando deflagrou o incêndio. Longe de se regozijar com a catástrofe, Nero correu para a cidade, onde envidou esforços desesperados para dominar as chamas.

Quaisquer que tivessem sido os seus motivos, teria sido o único gesto meritório de uma vida sob todos os aspectos deplorável. Elevado ao poder aos 17 anos por sua mãe, Agripina, foi odiado pelo povo por ter usurpado o trono do seu meio-irmão.

A sua vida privada foi um escândalo, mesmo pelos padrões romanos. Ridiculamente penosa foi a sua insistência em convocar todos os cidadãos para assistirem às representações das peças e óperas que compunha. Aparentemente, a sua falta de talento apenas era igualada pela mais completa ausência de voz.

A sua crueldade para com os cristãos é lendária. Formando uma seita impopular, suspeita de feitiçaria, os cristãos foram inculpados como incendiários e executados às centenas, embora não haja qualquer prova histórica de terem sido lançados aos leões.

Finalmente, as crueldades e os deboches de Nero acabaram por provocar a repulsa dos seus adeptos mais próximos. A Guarda Pretoriana – escolta pessoal do imperador – abandonou-o. Prevendo a deposição e execução inevitáveis, Nero suicidou-se no ano 68 d.C.

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