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Píteas de Marselha: o homem que descobriu a Grã-Bretanha

No seu regresso de uma viagem por mar ao Atlântico Norte, um explorador grego escreveu sobre a Grã-Bretanha: «A ilha é densamente povoada... tem um clima extremamente frio...» Dos seus habitantes registou: «São de uma hospitalidade invulgar, de um trato agradável... A sua alimentação é pouco variada e difere bastante do luxo que nasce da riqueza... Esta terra [a Grã-Bretanha] tem muitos reis e potentados que, na sua maioria, vivem em concórdia...»

No entanto, ninguém o acreditou. Estava-se no ano 310 a.C., e o explorador era Píteas de Marselha.

Durante 2000 anos, embora apreciassem os relatos das suas viagens como obras-primas da imaginação, os historiadores não os consideravam dignos de crédito.

No entanto, Píteas foi o primeiro grego a visitar e a descrever a Grã-Bretanha e o seu povo e, possivelmente, a navegar à vista da costa norueguesa.

Escreveu ele: «O povo da Grã-Bretanha é de costumes simples e muito afastado das astúcias e fraudes do homem moderno [...] não bebem vinho, mas um licor fermentado, feito de cevada, a que chamam curmi

No tempo da épica jornada de Píteas, as águas setentrionais do Atlântico eram desconhecidas dos seus contemporâneos, habituados apenas às águas quentes do Mediterrâneo e, consequentemente, incapazes de acreditarem que ele vira blocos de gelo flutuantes maiores do que o barco onde navegava e ainda que, mais ao norte, o mar se encontrava totalmente gelado e o Sol nunca se punha.

As narrações de Píteas foram desacreditadas e, embora historiadores gregos que lhe sucederam referissem nas suas obras as suas viagens, a atitude que assumiam perante estas reflecte-se em Estrabão (nascido cerca de 63 a.C.), que escreveu: «Píteas diz-nos que Thule [que então se supunha ser uma terra nórdica ainda por descobrir] se encontra a um dia de viagem do mar congelado... que este mesmo Píteas viu com os seus próprios olhos – ou, pelo menos, assim no-lo quer fazer crer.»

O que Píteas provavelmente viu foi a costa da Noruega, oculta pela neblina. O «mar congelado», segundo ventilam alguns eruditos, pode ter sido um imenso grupo de medusas.

Dos dois livros escritos por Píteas, O Oceano e Uma Descrição da Terra, apenas alguns fragmentos restam. Mas o que os seus contemporâneos sobre ele escreveram permite reconstituir as suas realizações com relativa exatidão.

A viagem de Píteas, a partir de Marselha, prolongou-se por 6 anos, durante os quais ele circum-navegou a Grã-Bretanha, desembarcando em diversos locais, onde viu os habitantes da ilha a colherem cereais e a apascentarem rebanhos. Na Cornualha, visitou minas de estanho.

No seu regresso, no ano 304 a.C., afirmou que a Irlanda se encontrava a oeste da Grã-Bretanha, do que Estrabão discordou, colocando-a a norte da Escócia, no que foi acreditado.

Aparentemente, Píteas passou o resto dos seus dias tentando, em vão, convencer os seus contemporâneos.

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