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Centro Religioso Nikko

Quando o grande Shogun Ieyasu, da dinastia dos Tokugava, fechou os olhos para sempre, cumpriu-se a sua última vontade e ele foi enterrado no distrito montanhoso de Nikko, a 100 quilómetros de distância da nova capital, Edo, que era, aliás, uma pobre povoação de pescadores que só mais tarde se transformou na cidade milionária de Tóquio.

Ieyasu tinha conseguido eliminar os senhores feudais rivais, conquistar várias províncias e lançar as bases para um império japonês unificado. Era um império em que Ieyasu – de Shogun (general imperial), só conservava o nome, mas era realmente o soberano em vez do imperador, a quem retirara todo o poder – governava como ditador.

Em 1617, o estadista e herói morto em Nikko foi enterrado e colocado no grupo dos deuses. Na paisagem magnífica – hoje parque nacional japonês – ergueram-se numerosos edifícios em honra do herói guerreiro, ergueram-se portais, pagodes e relicários. Pouco a pouco foi-se constituindo todo um recinto de templos, em princípio dedicados a Buda e que mais tarde foram dedicados ao simples culto sintoísta, a religião estatal japonesa. Diz a lenda que o maravilhoso relicário de Toshogu foi construído por um exército de trabalhadores, composto por 830 000 pessoas, no espaço de quinze meses.

Em Nikko foi enterrado, também com honras divinas, Iemitsu, neto e segundo sucessor de Ieyasu. O recinto dos templos transformou-se num lugar de peregrinações muito visitado, e enquanto os peregrinos mais ricos doavam lâmpadas de bronze ou de pedra, em honra dos grandes «shogunes», os mais pobres plantavam ali uma árvore ou contentavam-se em entregar aos sacerdotes algumas moedas. «Como em todos os templos de alguma importância, por aqui também se encontra num pátio uma sala de baile aberta, onde uma sacerdotisa jovem e graciosa executa as danças sagradas», registou o viajante Ernst von Hesse-Wartegg.

Passando-se a porta de Niomon, chega-se às cavalariças do cavalo branco sagrado. Os espíritos dos grandes shogunes devem poder montar sempre que quiserem. Uma escultura em madeira sobre a porta do estábulo representa três macacos que dizem através de gestos: «Não ouvir nada, não dizer nada, não ver nada.» Trata-se da imagem primitiva daquele grupo de macacos que também se acha frequentemente entre nós. Os «macacos de Nikko» contam-se talvez entre os animais mais reproduzidos da história.

«Nikko wo minait utschi wa, Kekko to yu na», dizem os japoneses. «Não digas "maravilhoso" se não viste Nikko.»

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